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A mostrar mensagens de Março, 2017

dos outros

coisas escritas para ler devagar e com atenção;

Um ponto de partida para uma mudança necessária da escola

sobre os comportamentos

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há já algum tempo que não se juntavam diferentes professores a exercer em sítios diferentes;

obviamente que a escola foi um dos temas - o trabalho dos professores, a sempre presente burocracia, o cansaço, a impaciência, o final do período letivo, metodologias e estratégias de trabalho e... os alunos;

houve quem se insinuasse e acabássemos por trocar ideias em torno da referência que os alunos estão diferentes;

assumidamente para pior;

escrevem pior, e não é apenas ortografia ou o texto, é mesmo problemas de grafia (ou de disgrafia, não sei);

nota-se a falta de vocabulário; mais restrito, mas restringido que o "normal" para as idades;

nota-se uma maior displicência, uma indiferença que faz com que a escola se restrinja às suas dimensões de socialização, de lazer, de companheiros e "namoríco" (como me disseram);

nota-se uma significativa dissociação entre trabalho, rigor, algum sacrifício, um esforço para atingir resultados;

algo preocupante é que para uns quantos é…

o trabalho do aluno

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sobre o tema muito havia a dizer e a escrever, para além do muito que já se disse e escreveu;

acrescento, em final de período, algumas notas que decorrem dos comentários que tenho trocado com os alunos em processos de avaliação/balanço do trabalho;

levou tempo a perceber uma outra metodologia de trabalho; da "natural" desconfiança alentejana ao que é diferente acrescentou-se uma resistência ao trabalho escolar que tem sido difícil de cortar e quebrar; mas, pela conversa, parece estar a diluir-se;

muitos, muitos mesmo criticam o rigor e a exigência colocada no trabalho da disciplina, que devia aligeirar mais, descontrair um pouco; isto é, há um entendimento mais ou menos generalizado e assumido que a coisa é a brincar, não é para levar a sério;

noto que existe um prolongar dos intervalos pela sala adentro, como se não existe uma porta a separar rotinas, dinâmicas, mundos;

vamos ver como decorre o próximo;

sobre a flexibilidade

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o governo, a tutela parece que interrogou umas quantas escolas para as "convidar" a integrar a experiência da flexibilidade curricular;

segundo sei por algumas daquelas onde o convite se deu, discussão parece que não houve; conversa também não, auscultação de vozes e/ou sensibilidades ou foram escassas ou não existiram;

mas querem fazer a coisa com quem?

quem é que tem que assumir a flexibilidade? diretores ou professores? alunos ou comunidade?

há coisas que começam tortas

currículo

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sessão nº. 3 de uma ação de formação que decorre na escolinha por onde ando;

primeiro, à semelhança dos pais de filhos turbulentos ou problemáticos, que, o mais das vezes, falham as reuniões, pena que alguns profes não tenham estado para ouvir a conversa;

não sei se perceberiam, mas seria, no mínimo, interessante ver a cara de alguns; como foi dito, é mesmo uma questão de maturidade docente;

hoje foi sobre o currículo com intervenções que deixaram água na boca e vontade de conversa;

na mesa j. pacheco e a. rodrigues,

ele uma figura incontornável do tema, a outra uma prática que encara a sala de aula na sua dimensão mais social;

desinteresses

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estou como os gaiatos à escola, desinteressado, cada vez mais desinteressado do facebook;

cada vez mais se parece com aquela afirmação de m. da fonseca que peço desculpa de não reproduzir adequadamente, a minha praça é o meu mundo, o meu mundo é a minha praça;

banalidades, vulgaridades e trivialidades;

afinal dá conta do que somos;

militância

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leio um memorial a adérito sedas nunes e dá para pensar, por isso escrevo, o quanto importante é, hoje, em 2017, passados quase 30 anos do texto dos 25 anos da análise social, ser militante, estar implicado, assumir a dimensão do social;
dá para perceber e perspetivar, à luz de coisas de há 30 anos, de qual o papel da educação e as suas dimensões sociais no interior do país; 
dá para perceber que sem professores militantes não haverá interior que nos salve, nem políticas que nos reservem qualquer lugar num futuro ainda que incerto; 
sem militância pedagógica e/ou profissional, restar-nos-á o funcionalismo público da anuência, da subserviência, da obediência - desculpem lá, da acefalia; 
sem militância ou sem implicação pedagógica (isto é, com a indiferença), resta-nos ser atores, interpretar um papel que outros escreveram, ser o que outros definiram, mesmo que com alguma recriação que julgamos própria ou nossa mas que é de outros - somos marionetas; 
com militância, com implicação e…

Adérito Sedas Nunes

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é figura incontornável na ação social e na sociologia portuguesa;

junto as duas (ação social enquanto intervenção cívica e sociologia enquanto disciplina e área de estudo teórica) para dizer que uma não existe sem a outra - ação não existe fora de um dado campo teórico, como a teoria não se operacionaliza por si e precisa de um campo de ação prático;

hoje, quando muitos dizem e defendem a prática a teoria torna-se essencial para perceber essa mesma prática;

mas não há prática sem teoria;

o ensaio é algo rebuscado, certamente de jovem investigador que se afirma pela vernacologia e se esquece, por vezes, do autor; mas que é interessante é

vale a pena conhecer quem foi ASN;

de chuva

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e, em dia de chuva, os habitantes do pátio refugiam-se no interior da escola;

perfil

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as pessoas mudam, mesmo que não queiram mudar;

a procura da felicidade, das coisas boas da vida impele-nos a mudar, a fazer diferente, a experimentar outras formas;

mesmo que estejamos sempre na mesma, mesmo que haja um momento mias adequado que outro; mas mudamos;

o blogue também muda, dentro da minha irriquietude, da minha inquietação, da minha impertinência

experimentação

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o público dá conta da experimentação da utilização de temas de abordagem e não disciplinas;

para efeitos de confusão (até gostava de criar colunas):

não gosto de experiências - na educação, em qualquer área social, são sempre contingentes, diretamente dependentes dos atores - temos bons atores temos um bom teatro, temos atores razoáveis e temos um teatro que nem razoável chega a ser;

gosto da ideia, desenvolver e envolver, implicar e partilhar; lá está a grande frase do trabalho de projeto,

diz-me e eu esqueço , 
ensina-me e eu recordo, 
envolve-se e eu aprendo;

colocar-se-á o grande, o enorme desafio à escola (aos professores e aos pais encarregados de educação, aos diretores):

responder com flexibilidade onde tem presidido a rigidez,
tornar ágil o que é amorfo,
implicar onde tem presidido a autocracia e a determinação;
valorizar o erro em detrimento da resposta correta;
criar espaço para as perguntas sem respostas, onde predominam respostas sem perguntas;
fazer e não reproduzir;
exerc…

falta de

qualquer coisa; ou de falta de palavras para a descrever, ou apenas decoro para não me esticar publicamente - que fica sempre menos bem, mais ainda a um stor;

mas,

dizem que sou candidato a diretor - de escola em que nem sequer sei se estarei quando isso se colocar, se é que se colocará e se estou ou estarei interessado;

à falta de resposta, porque a minha indiferença é marca, dizem que estou a fazer-me a acho socialista;

e porque não uma panela;

dizem isto e mais aquilo, em assumidas insinuações de mesquinhez, dor de cotovelo e simples e mera estupidez;

e digo mais, é ESTÚPIDO,

mas se ficam felizes, quem sou eu para contrariar;

Tutorias

O Alexandre da conta do trabalho do público sobre as tutorias;

Ontem, no ComRegras, ainda pensei escrever sobre a coisa, faco-o hoje mas não me alongo;

Pela minha escolinha a coisa até começou relativamente bem;

Isto é, alunos a participar, dinâmicas a acontecer, trabalho a ser realizado de parte a parte (de alunos os e professores);

Contudo, progressivamente os alunos começaram a faltar, a desistir de mais esta moengas, como ouvi;

Ultimamente o professor está sozinho, espera pelos alunos mas estes não aparecem;

Alternativas? Contrariar inércias? Essa é que é essa...

Da primavera

Pelos lados do Alentejo central a primavera surge envergonhada, cinzenta;

O dia está feinho, cinzento, nublado, com salpicos aqui e ali.

Mas é primavera, valha-nos isso;

desafios demográficos

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se a demografia e os seus efeitos tem sido mais visíveis ao nível do primeiro ciclo, pela mediatização do encerramento de escolas, pela abertura de centros escolares, pela reorganização da rede educativa, ao nível do secundário ela coloca outros problemas;

problemas de oferta, de alternativas, de condicionar opções ao aluno, de limitar as suas escolhas;

o desafio da escola portuguesa irá ser colocado pela demografia,

desafio em se pensarem formas de (re)organizar a escola;

flexibilidade, escolha "à la carte", vias alternativas serão hipóteses a considerar

coisas boas

no meio do oceano que é a escola, polvilhado de ruídos e tanta poluição, surgem, de quando em vez, coisas boas;

gostei e muito de ver uma aula de matemática na sala de alunos;

uma aluna trouxe uma tarde (faria anos?), que o professor considerou que seria melhor partilhar no bar/bufete;

aí se repartiram as fatias, se juntou um sumo e se conviveu no início de uma manhã diferente;

e, já que ali estavam e já tinha tocado, porque não começar a falar da matéria?

e assim foi, organizaram-se os grupos, distribuíram-se as tarefas e lá ficaram até serem mandados embora pelo professor, pois aproximava-se a confusão do intervalo;

foi bom de ver

coisas

ou serão contradições?

não sei

se não fazemos dizem que há resistência à mudança, que somos meros funcionários, que não pensamos nem agimos como professores;

se fazemos dizem que somos chicos espertos, que há uns que têm mais a mania que outros, que se está a fazer ao poder;

se não fazem é monotonia, rotina, funcionalização

se fazemos é porque quer tacho, poder, ou dar nas vistas

seja o que for, bardamerda às dores de cotovelo, à mesquinhez, aos ignorantes

Teorias

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preparo o terceiro período e, desta feita, com desafio a mais três colegas (ciências naturais, inglês, geografia) para que implementemos um projeto comum;

trabalho de projeto que sai da exclusividade da minha sala de aula para se envolver com outras disciplinas, com outros docentes;

o pretexto é simples, experimentar o novo perfil do aluno numa escola e com um conjunto de professores e alunos concretos;

o desafio direi que é interessante (ou engraçado) envolver duas áreas disciplinares e três (ou quatro) disciplinas na identificação de soluções para o nosso tempo;

o risco é... arriscado, isto é, passa por quebrar lógicas ditas tradicionais e avançar-se, ainda que sorrateiramente, para processos de envolvimento, partilha e colaboração - não na teoria, não em mesas redondas onde se discutem temas bicudos, mas na prática, no quotidiano de uma escola e de várias salas de aula;

se desafiei colegas e se aceite, então há que preparar, orientar, apoiar e adequar tanto os colegas como os alun…

aproveitamento

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conversa de circunstância entre dois docentes;

um crítica os colegas pelo desinteresse, pelo desleixo profissional, pela indiferença em que a profissão de professor descaiu;

outro diz que, como em todas as profissões, há bons e maus profissionais, há interessados e sem interesse, há envolvidos e outros apanhados no turbilhão;

um diz que está cansado, farto, e não é pelo trabalho é pela falta de alento, pela falta de ânimo ou de vontade que cada vez há menos;

o outro diz que há que aproveitar a falta de ânimo para recuperar, a falta de vontade para pôr o aluno a trabalhar, a falta de alento para que se colabore;

o necessário mesmo é saber retirar de cada um o benefício para todos e aí...

dinâmicas

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a escola é fixe as aulas é que são uma seca;

e nós, profes, que gostamos tanto do que fazemos e do que dizemos; exasperamos com a impaciência do aluno, com o bocejar, logo naquela matéria, logo naquele dia;

há conteúdos que nos envolvem e que, se pudéssemos, faríamos com que todos gostassem;

mas não podemos

mas podemos recriar dinâmicas, pegar nas ferramentas que temos à mão e tentar, experimentar, arriscar; fazer o mesmo... de outro modo, com uma outra roupagem;

são os mesmos conteúdos, são os mesmos objetivos, é a mesma preocupação que nos orienta; mas quando a coisa é nova... tem um outro enlace

dei agora com uma ferramenta que é um 4 em 1;

permite elaborar quizzes (testes) on line, com correcção feita e percentagem atribuída;

permite criar mapas mentais, dinâmicos, mexidos - ajuda sempre a fazer chegar uma ideia e as suas relações;

permite elaborar flash cards, isto é, jogos que permitem recordar datas, situações, acontecimentos, criar uma outra dinâmica de aula - e a brincar, br…

à mulher

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a minha junta de freguesia distribuiu às mulheres um poema de Florbela Espanca;


Um ente de paixão e sacrifício, De sofrimento cheio, eis a mulher! Esmaga o coração dentro do peito, E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes Na luta: sê em Vénus sempre Marte; Sempre o mundo é vil e infame e os homens Se te sentem gemer hão-de pisar-te!
Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho, Essa brancura ideal de puro arminho Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então vis: "Olhem, vejam É aquela a infame!" e apedrejam a pobrezita, a triste, a desgraçada!


Das carreiras

Congelados que estamos, na administração pública, há mais de uma década, ouvir falar de progressão até parece milagre;

Mas logo nos alertam as notícias, progressão sim, mas... com critérios;

Assim, do pé para a mão, direi duas coisas, em termos quase de contributo para a conversa;

Por um lado concordo, se somos quase todos defensores do mérito, da competência e da técnica então esperar sentado para progredir não, há que louvar os méritos, as competências, valorizar quem merece;

Mas...

Se servir para diferenciar e descriminar professores, como aconteceu entre titulares e não titulares, fomentar arbitrariedades e descricionaridade dos locais então... não...


coisas de mim

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este espaço, quase desde sempre, adquiriu uma dimensão de diário profissional;

aqui discorro sobre o que me rodeia, em particular aquilo que faço e que gosto de fazer, trabalhar na escola, pensar dinâmicas com os alunos, perspectivar a educação como um instrumento de desenvolvimento social (pessoal e local);

escrever é uma forma de me pensar, de dar sentido aos dias e aos momentos que, por vezes, não têm sentido; escrever é uma forma de me sentir acompanhado, de estar comigo, por vezes de forma intragável, outra nem tanto

mas, de vez enquando, não me apetece perspectivar nada, escrever sobre coisa nenhuma; escrever desgasta; quem tem opinião não cai nas graças de ninguém nem de nada; facilmente me apontam a ortografia, o léxico, nada de monta,

mas, em momentos de mais cansaço direi, como outros, que quando estou calado, quando nada escrevo até pareço um poeta