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A mostrar mensagens de Outubro, 2015

regressos quase perfeitos

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tinha referenciado o título há dias, ontem tive oportunidade de o comprar;

que maravilha;

sou suspeito, pois claro, sou um incondicional admirador da guerra colonial, não do ponto de vista institucional e/ou militar, mas social, cultural, político; não consigo imaginar o que terá sido retirar jovens com 18, 19, 20 anos de aldeias recondidas do nosso país, que nunca tinham visto outro céu que não o da sua aldeia e serem atirados para outro continente, deixados no mato, prontos para matar e defender a pátria; ao regressar que com olhos reviam a sua aldeia, o céu onde brincaram e amaram, as companhias que tinham deixado, os mais velhos que os questionavam sobre o orgulho que sentiam de ter o filho ao serviço da pátria;

por outro lado, estou, como todos aqueles que estejam acima dos 40 anos de idade, preso e amarrado ao que foi a guerra colonial; tive primos que a ela fugiram, a minha avó, em casamente de segundas núpcias, foi para luanda e dela guardo inúmeros postais que me enviou; um …

sinto elogio

há dias, em amena conversa de sala de estar com um colega de lides de há muito, muito tempo, ouvi aquilo que senti como elogio; não sei se foi dito nessa perspetiva e menos ainda se era essa o objetivo; mas foi o que senti;

trocavamos ideias sobre o nosso percurso pós graduado, onde ambos cumprimos o que podemos, ser doutorados, eu numa área, políticas e administração educacional, ele numa outra área, a das interculturalidades;

no meio da conversa um ou outro apontamento sobre as aulas, o reflexo que o percurso de cada um exerceu e implicou no nosso trabalho letivo; vai daí e ele diz-me que eu, apesar do meu percurso, nunca perdi o sentido da história, enquanto para ele a história foi ficando lá para trás, para a história;

sinceramente, ouvi isto e senti em mim mesmo uma qualquer espécie de elogio;

primeiro por que adoro história, não abdico desse objeto que me ajuda a perceber onde estou e por que aqui estou (individual e coletivamente);

depois por que, nos tempos presentes, é a hist…

grelhas - matrizes ou a realidade encaixotada

em texto de fim de semana, troco ideias com a minha escrita sobre um dos temas que mais me inquieta e desinquieta, as grelhas e matrizes que pululam pela escola;

grelhas quase sempre existiram na escola, talvez tenham dado à costa, com algum significado, nos anos 80 do século passado com a introdução das planificações e com o acompanhamento dos professores que faziam a sua profissionalização em exercício, obrigados que estavam a esquematizar a realidade escolar e pedagógica, nos planos de atividade que ganhavam destaque então;

nos anos 90, do século passado, foi a área escola grandemente responsável pelo proliferar das ditas cujas, em processos então designados de inter disciplinariedade, pluri disciplinariedade e trans disciplinariedade;

na década seguinte ganharam contornos algo kafquianos, por via da avaliação de desempenho docente e, por dá cá aquela palha, vá de grelha, vá de matriz, vá de tabela; tudo, ou quase, se pode e deve reduzir a uma grelha/tabela/matriz;

hoje, para tudo …

destaque

um texto meu, publicado no sítio ComRegras ganhou destaque no clicprofessor;

não sei se é para ficar entre o orgulhoso e o contente, se duvidoso e interrogativo;

seja o que for, dá mais passantes por aqui;

sinto o olhar sobre a minha escrita

A educação em gestão

Amanhã o novo governo tomará posse; Aparentemente e segundo o que leio por aí, corre o risco de uma de duas situações, cair ou ficar em gestão; Se cair, caiuSe ficar em gestão, como será a coisa da educação e das escolas?
Que decisões ficarão suspensas?
Que orientações não se assumirão?
Ou, pelo contrário, em gestão quais as prioridades que se assumirão ou se definirão?
Quais os impactos que se perspetiva na gestão das escolas? Na construção das redes, nas ofertas formativas? Fico algo curioso sobre o que poderá ser o futuro da educação... em gestão.

coisas

há coisas que acontecem que nos marcam, todas nos marcam, mas uma mais que outras;
;
ontem numa reunião intercalar, dois momentos para a história de cada um dos presentes;

uma nem vale a pena, é estúpida demais para se contar;

outra, diz uma professora que sente um aluno a descair, a perder ritmo, a descer de rendimento;, corroboro o que a colega diz, não o conheço o suficiente, mas sinto o aluno a descair; uma terceira dá conta que o aluno está "estranho" circunstância que a generalidade sublinha;

pois está, a mãe está desempregada, o pai saiu de casa e o miúdo ressente-se;

certo e o que podemos fazer para que não caia na espiral desinteresse, indiferença, insucesso, revolta?

preenchemos mais umas grelhas, escrevemos mais uns papéis e esperamos; tentemos, cada um por si, ajudar em sala de aula?
não se percebe que não pode ser cada um por si, que os papéis entopem e bloqueiam a necessidade de respostas?

ele há com cada coisa...

memórias de futuro

lembram-se os mais "crescidos" de uma frase partidária que afirmava que as pessoas não são números?

não seria tempo de se criar um slogan defendendo

AS PESSOAS NÃO SÃO PAPÉIS
ou
OS ALUNOS NÃO SÃO FOLHAS
ou
PESSOAS SIM - GRELHAS NÃO

feitios

houve quem, em off line, me questionasse sobre e soluções, para a minha amargura;

assim sendo algumas curtas notas;

escrevo sempre sobre o(s) meu(s) contexto(s), são eles que me alimentam a escrita e os dias;

já percebi que escrevo mais em tom crítico e que é aí que me reconhecem a escrita, mas apenas dou conta de circunstâncias e contextos, sinto alguma pena por sentir que outros sentem crítica no que escrevo; não é crítica, mas assunção, pena é que seja crítica;

não me alongo muito (em considerações sobre causas e consequências) por questões de suscetibilidade, cada vez mais  percebo e entendo e me reconheço como sendo eu que estou fora de jogo, descontextualizado, desmarcado; faz parte das formas de eu entender uma prática pedagógica, assumir a minha profissão, considerar os alunos e olhar o futuro da ação escolar; apenas pontual e circunstancialmente, nomeadamente em comunicações e escritos académicos, me alongo, mais por relações entre causas e efeitos que em qualquer forma de ju…

incapacidade

não sou de desistir,

sou um bocadinho burro alentejano, algo que, politicamente correto, direi, que entre o teimoso e o persistente e o resiliente;
insisti e persisto, atiro argumentos, avanço ideias e opiniões, como aprendo com o que me corre menos bem, com os meus erros;

mas estou a baixar os braços, dois anos consecutivos e começo a ficar seriamente preocupado comigo mesmo;

torna-se quase impossível debatermo-nos contra a falta de interesse, a ausência absoluta de objetivos que passem pela escola;
é quase impossível resistir a alunos que utilizam o seu absentismo, indiferença e alheamento como arma de arremesso para pais, contra professores, contra tudo e contra todos apenas por que sim...

uma direção de turma com 19 alunos que, se conseguir chegar ao fim com 12 não será mau e se passarem 8 ou 9 será uma conquista;

triste

mas para quê

ele ha coisas que não consigo perceber ou que cada vez mais percebo menos

reuniões intercalares para quê?
por que sim, por que se têm de fazer, por que estão calendarizadas, por que tem de ser

pronto, por que razoabilidade não há, interesse pedagógico não consigo descortinar, é que ainda nem conheço os meus alunos, tenho 148 alunos, 5 turmas a 90 minutos por semana e duas a 45, de muitos apenas quando os vejo os identifico e nomeio;

mas pronto, lá se fazem...

notas de fim de semana - entre critérios e regras

serei dos primeiros a concordar e a assumir que são precisas regras para a (con)vivência social; regras que definem procedimentos, que instituam possibilidades, que clarificam límites;

mas serei também dos primeiros a dizer que tudo o que é demais cheira mal; com regras a mais facilmente se resvala para autoritarismos, para o cercear de liberdades pessoais e individuais, para a limitação da criatividade e da espontaneidade;

difícil mesmo é gerir as regras necessárias e a liberdade individual, a uniformização e a criação que permite (re)criar outras regras;

tudo isto para afirmar que as escolas têm vivido debaixo de regras, que se confundem processos com procedimentos, que se tentam criar regras por dá cá aquela palha;

e, atenção aos pormenores, que fazem toda a diferença, tanto são regras de escritas, discutidas e debatidas, como são regras de procedimento, estas traduzidas em grelhas, em tabelas, em matrizes que, ao definirem e uniformizarem um pensamento em função de uma preocupação…

sala de aula e avaliação

este ano na minha estratégia de trabalho introduzi algumas alterações, por enquanto estou a gostar;

este ano, como sempre, no final da aula fazemos a avaliação ao trabalho desenvolvido - o que foi feito, como foi feito, qual a avaliação, o que fica por fazer; há muito que assim é;

mas este ano tenho pedido ao pessoal para além de avaliar, classificar, isto é, que atribua um valor de 0 a 100%;

registo a classificação, seja de grupo ou individual e, passadas 5 ou 6 sessões, tem permitido verificar ritmos, perceber dinâmicas, ver oscilações, sejam elas de grupo ou individual, consoante os casos, seja de turmas, pois faço a média da turma;

esta abordagem tem-me permitido perceber como variam e onde variam os grupos, como recebem e aceitam uma outra dinâmica de trabalho;

curiosidade, há muito que assumo que esta é uma metodologia que agrada mais ao dito "mau" aluno, ao desinteressado e indiferente; na generalidade o dito "bom" aluno" descia um pouco, por a dinâmica…

sem escrita

os tempos estão de tal modo obtusos que, de quando em vez, prefiro não escrever;

a idade tem-me proporcionado alguma reflexão e, em vez de reagir, sempre uma caraterística muito minha, prefiro agir, devagar, sossegada e calmamente;

vai daí e fico sem escrever, digo que não tive tempo, oportunidade ou acesso;

sempre são formas simpáticas (????) de estar ausente

sobre os comportamentos escolares

não transcrevo para aqui por sair da extensão que tenho procurado dar a estas minhas entradas,

mas chamo para aqui o meu texto que saiu hoje no com regras sobre comportamentos e disciplina escolar;

nada de monta, mas considero ser uma perspetiva (e uma pista de trabalho) a explorar e que deverá ser merecedora da nossa atenção (nossa docente) e da minha em particular, enquanto curioso da coisa educativa já é...

a conversar é ca gente se entende - ou não

sou clara e manifestamente um defensor dos pais na escola; e não é apenas nos piores momentos, nem daqueles alunos ... direi... mais problemáticos;

enquanto pai que também sou, assumo que sou o principal interessado na vida (escolar) dos meus filhos; disso não abdico;

mas sou contra qualquer forma de uma pseudo parentocracia em que os pais mandam e os professores obedecem; não, prefiro a conversa, a articulação de ideias, o estabelecimento de papéis e funções, objetivos e posições para cada um em face dos problemas e das circunstâncias que se nos deparam;

tenho uma turma complicada enquanto diretor de turma, mas tenho de reconhecer que todos os pais (concretamente as mães) têm dito presente quando as solicito para conversar e identificarmos formas de nos apoiarmos em casos ou situações;

não quer dizer que se mantenha e que seja eterno, mas, até ao momento, têm sido inexcedíveis na tentativa de encontrarmos soluções, de discutirmos hipóteses, de procurarmos viabilidades para aquelas si…

o estado da educação

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primeira nota, coisas do senso comum;

pergunte-se a docentes como acham a educação e a escola; irão prevalecer ideias em torno da hiper burocracia, descontrolo, desnorte, desorientação, perda de sentidos, excesso de trabalho, excesso de turmas, excesso de alunos, excesso de solicitações, diretores arbitrários e descricionários, falta de sentido ao trabalho escolar e pedagógico, pouco, muito pouco o tempo para o aluno;

pergunte-se a alunos com está a escola, e ouvirão dizer que a escola tá fixe, as aulas é que são uma seca, não há projetos, ideias de escola nem de sentidos quanto ao trabalho que se desenvolve na escola; a escola, para a maioria dos alunos, é local de encontro, ponto de brincadeira, centro de convívio - não é um local de trabalho, nem de esforço;

perguntem aos pais o que acham da escola, está pior que no seu tempo, os professores ensinam menos, os alunos sabem menos, há um maior laxismo, um maior facilitismo, uma maior desorganização;

perguntem aos funcionários e não e…

notas de fim de semana - gerir o insucesso

notas e apontamentos soltos onde discorro sobre as aulas e os seus contextos, pequenos apontamentos públicos para que não me fiquem pelas gavetas;

ontem perspetivei a minha grande guerra, a reinvenção de nós mesmos pela escola;

continuo a considerar, como outros desde os anos 60 do século passado, que a escola continua como um dos principais instrumentos de governo do coletivo; forma simples, prática e muito direta de gerir os interesses, os objetivos; instrumento que permite posicionar cada um no seu lugar, seriar quem pode ascender, organizar mobilidades, definir fluxos sociais e económicos;

hoje, muito mais que há anos atrás, a escola - entenda-se a ação governativa e as políticas educativas - tem condicionado e delimitado possibilidades, separado trigo do joio, encaminhado quem pode e limitado quem não tem condições;

a escola, mais recentemente, tem criado elementos de seleção social por intermédio das diferentes formas de insucesso escolar e das formas que tem promovido para geri…

escola precisa-se - de preferência nova

em comentário que me foi feito, disseram-me que se precisa de uma nova escola, esta, a que temos, nada diz aos alunos;

como eu concordo em que é preciso (re)inventar a escola; ou será que é de nos reinventarmos?

a escola que temos, estruturada no final do século XIX alargada no início do XX para promoção da República, democratizada após 1974, massificada ao longo dos anos 80 e 90 do século passado, constantemente ampliada nas suas funções e competências para dar outras respostas sociais (à democracia, à europa, às drogas e aos riscos, às tecnologias e ao emprego dos pais) não nos serve,

não serve por que não mobiliza nem alunos nem docentes, deixa pais e encarregados de educação de cabelos em pé, promove a indisciplina, os comportamentos disruptivos, o desinteresse e o alheamento de todos; o insucesso, o absentismo e o abandono;

nunca como agora a escola reproduz e é reprodutora dos modelos sociais - famílias estruturadas, casais de classe média, hábitos de leitura e consumidores de c…

as agregações

depois de muito discutidas, debatidas e enfrentadas as agregações, hoje, são uma evidência da qual poucos falam, muitos comentam em surdina, alguns analisam, outros tantos questionam, mas que poucos, muito poucos enfrentam;

se há agregações que pelos seus próprios contextos eram evidentes pontos de divergência e conflito, outras há que, sem se esperar, colocaram em destaque tudo e mais alguma coisa;

ele há escolas que estavam separadas por uma rede de malha elástica mas que em tudo eram diferentes, ele há ruas de permeio mas há mundos que as separam;

um dos grandes problemas das agregações é que continuam a ser geridas como se de unidades se tratassem e não são; as lógicas, as dinâmicas e os pressupostos da gestão dos agrupamentos prolonga a dinâmica de gestão de uma escola e nada podia ser mais diferente;

as agregações colocaram frente a frente lógicas de funcionamento, culturas de escolas, princípios de organização, modelos de gestão, climas, histórias, pessoas que nunca antes se ti…

igual e diferente

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um comentário feito off line deixa-me a pensar (obrigado);

se entre as escolas existem assim tantas diferenças; direi que a organização (os normativos, as regras, as orientações) são as mesmas;

os procedimentos pedagógicos em tudo iguais, organização em turma e em anos; daí é tudo igual de norte a sul de leste a oeste;

pois serão as pessoas a variável que difere; talvez; talvez por que os professores têm a mesma base comum, formação e recrutamento;

o que é mesmo diferente é o território, a forma como está organizado, a sua história e a relação que se estabelece entre as gentes e o contexto (os meus alunos sabem que por contexto entenda-se um espaço, um tempo e um conjunto de saberes);

e aqui são inúmeras as diferenças que interferem, condicionam e delimitam as relações escolares e de sala de aula;

o território (geografia, história, cultura, tradição e organização) é um dos elementos que mais interfere no conjunto de comportamentos que se leva para dentro da sala de aula

são as carate…

entre sintomas e evidências - dúvidas para que vos quero

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quem, como eu, gosta de ver e analisar as situações de indisciplina, a alteração dos comportamentos e das conformidades de sala de aula enquanto sintoma, tenho de reconhecer que a escola, o agrupamento, o concelho onde agora trabalho estará doente, que enforma de algo complexo, delicado e complicado; 

os comportamentos vão além das simples desobediência, do quebrar regras e normas, ultrapassar limites ou ficar aquém da educação; 

a coisa revela efetivamente contornos de alteração social para o qual não há aviso prévio, nem conhecimento que antecipe o que quer que seja; 

os comportamentos escolares dão conta da alteração de lógicas de funcionamento e organização que têm direta implicação nas relações escolares e, em particular, de sala de aula; 

são fruto de contextos sociais e da alteração de modelos de comportamento e de relacionamento, de quebra de habitus e tradições, de usos e costumes;

a agregação realizada juntou coisas que ninguém falou, trouxe e implica silêncios cúmplices de deix…

um dia do pior

ele há dias e há dias, há coisas e coisas

banalidades do nosso quotidiano educativo e escolar,

um aluno que se porta mal, atinge aquele número de faltas disciplinares que implicam moenga;

chama-se a encarregada de educação que pergunta o que é que a escola faz para captar e aliciar o aluno (palavras da própria); acertam-se procedimentos e define-se a ação a tomar;

tem de se dar conta e conhecimento à diretora, afinal será ela que decide se aceita ou se concorda ou se antes pelo contrário,

de permeio é a psicóloga que precisa urgentemente de informações, contactos de uma encarregada de educação por causa da aluna; e tem de ser já, imediatamente, sim chefe...

depois é a chefe que chama, afinal que se passa com a turma da qual sou o diretor, lá dou conta, faço o ponto de situação...

no final da conversa diz-me que um colega se sente insultado por não lhe ter dado conta da visita de estudo que se fez neste mesmo dia; dar conta, até dei mas à diretora de turma, mas pronto, se sente insulta…

flexibilidade

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de quando em quando retomao a necessidade de a escola ter condições (flexibilidade) para adequar respostas escolares (e educativas) a casos e situações concretas e particulares de alunos;

um aluno, quase 17 anos, desinteressado, desmotivado, perfeitamente indiferente à escola que nada lhe diz;
os pais não sabem o que fazer, apelam ao diretor de turma (entenda-se à escola) para que arranje uma solução; já lhe bateram, já o castigaram e nada; continua a reprovar, desinteressado e sem alternativas sociais;

na escola não há respostas, teria de estar mais à frente para poder integrar um currículo vocacional, teria de estar mais atrás para outros percursos alternativos;

e o que fazer? aguentar o aluno? o aluno que se aguente?

precisa-se de alguma flexibilidade para a criação de respostas adequadas; precisa-se de um alfaiate e não de um pronto a vestir

malandrecos

já dei conta que muitos alunos não sabem gerir os contextos e comportam-se em sala de aula como se estivessem no café; não fazem separação de espaços, não criam fronteiras entre situações ou contextos;

mas há aqueles que sem saberem gerir os contextos sabem tirar proveito disso mesmo;

um exemplo, um aluno vivaço, claramente desafiadora e instigador da paciência de qualquer docente que no café ao lado da escola sabe chamar as atenções dos colegas mas que cria distância com o docente que, na mesa do lado, toma café;

é uma situação algo típica; em sala de aula, quer o predomínio da situação, o controlo do espaço e do docente, qual macho alfa que disputa preponderâncias; no exterior, condicionado que está pela inexistência de fronteiras e pela censura dos outros olhares, se sente condicionado e limitado na sua ação;

muitas das vezes o aluno ou a pessoa, não tem consciência disso, age de forma "natural" e "normal", o docente é que tem de saber gerir o seu espaço e o seu…

quem não valoriza o que tem

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um colega pergunta-me sobre se conheço alguém da área das interculturalidades, alguém da universidade;

conhecer, até conheço, mas há gente aqui na escola e no teu departamento que é doutorado na área;

pensam que foi convidado; nem pensar, irão mesmo convidar um mestre da universidade em detrimento de um doutor da casa;

ele há coisas piquininas que as cabecinhas de alfinete, quando inchadas, não conseguem ultrapassar;

e é pena, desvaloriza~se o que se tem em casa;

espanto e surpresa e espanto

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um aluno com 17 anos quase feitos, fará no final do mês, ainda no 7º ano; 
aparentava até trabalhar, fazia pouco, moía alguma coisa, mas lá ia fazendo o seu caminho sem grandes atropelos nem tropelias; 
uma saída ou outra numa ou noutra disciplina, consoante os dias e as circunstâncias, avivava o espírito de rebelde, marcava o seu território de contestação e afronta, sobrepunha-se a regras e a normas que os profes ditavam; 
mas, comigo, até ía, devagar, alguns ziguezagues mas, ao fim deste primeiro mês de trabalho, até pensei que estava "fisgado"; 
qual quê
hoje disse-me assim, de chofre, "não faço, profe, não me apetece"; ainda questionei, desculpa, diz lá, explica que não percebo? não te apetece? e voltou a dizer, não me apetece e pronto, não manda em mim; 
não explicou e percebi que se avançasse daria moenga, optei por o deixar ali, a sentir as minhas regras sem lhe as dizer, sempre que se mexia lá estava eu, sempre que esboçava alguma insinuação de movimento, …

trabalhar com profes

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provavelmente pode parecer normal, mas não é,

pode até parecer algo óbvio, mas também não é

trabalhar com professores tem muito que se lhe diga; não digo todos, nem digo sempre, mas muitos comportam-se como se alunos fossem, tenho curiosidade de saber o que fariam se os seus alunos se comportassem como eles;

há elementos que cruzam uma cultura profissional e que são mais que as suas disciplinas, mas muitas vezes o pensamento disciplinar sobrepõe-se, outras é sobreposto, consoante circunstâncias, situações, objetivos, contextos e fica-se sem se perceber lá muito bem a coisa


o tempo, senhor, o tempo

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uma das coisas mais difíceis de se trabalhar na escola é o tempo;

o tempo, para tudo, precisa de tempo;

para saber se percebemos, se entendemos, como nos relacionamos, se gostamos, para esclarecer, para crescer

isto porque hoje até ouvi alguns elogios à direção de turma que todos apregoam como diabólica, maléfica e etc;

não disse, mas pensei para os meus botões é o tempo que se precisa para acertar ideias e agulhas, para percebermos o outro e saber onde podemos e devemos estar

é mesmo uma questão de tempo e não se ensina, aprende-se...

das coisas... e das loiças

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já me fizeram chegar que alguns pais não gostam de uma forma diferente de trabalho em sala de aula;
(certamente serão conhecedores, não direi professores, mas conhecedores da coisa);

certamente que não concordarão com daniel sampaio quando afirma que é pouco estimulado o recurso à observação, à pesquisa individual e em grupo

muito provavelmente pensarão que são coisas de esquisitóide, senão mesmo de psiquiatra, mas pronto, cá estou para tentar explicar...

da sala de aula, dúvidas e orientações

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tenho pensado, para os meus botões e para esta escrita que me corre, o que fazer perante a dinâmica de sala de aula; são, direi, inquietações de mim mesmo; não quero voltar atrás em processos que considero com resultados, pelo menos de empenho, implicação e envolvimento do aluno; talvez careça de melhores resultados ou, pelo menos, da sua verificação; mas preciso de acelerar (? ou será garantir, assegurar?) processos de envolvimento como de trabalhar com uma outra eficiência; fiz o resumo da semana e desse balanço destaco: coisas boas: empenho, envolvimento, motivação, gosto, disponibilidade, vontade; coisas más: alguma brincadeira, "desligação" da aula, impedir e atrasar quem quer ir e avançar por parte de quem tem e sente limitações; alguma inércia, falta de autonomia (tudo situações que é possível de justificar, acrescentar algo à frente, não o fiz); entre uma e outra das situações preciso (e não é de agora): acentuar processos, prender e vincular o aluno, envolver mais e mel…

crónicas

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daniel sampaio entre questões e afirmações deixa a pergunta, o que fazer nas escolas;

será provocação excessiva se disser rezar? eu perfeitamente crente no meu agnosticismo...

dos resultados e das leituras

o expresso on line apresenta uma peça algo interessante sobre resultados escolares, eficácia escolar e trabalho dos profes;

coisas que pela terra fariam cair o carmo e a trindade mas que, pontual e circunstancialmente, são faladas à boca pequena, por uns e por outros, por exemplo:

as qualificações com que se apresentam à entrada da profissão não têm nenhuma relação com o facto de os alunos aprenderem ou não; [então para quê a prova de avaliação à entrada da profissão?]

O que devemos fazer é definir metas, como foi feito com os alunos, e competências a atingir em cada etapa do seu desenvolvimento profissional [há profes parados no espaço e no tempo mas que se auto avaliam como excelentes, não terão espelho]

as competências não são só pedagógicas. A capacidade de se adaptarem aos alunos que têm pela frente e definirem diferentes estratégias, de comunicação, de se relacionar com pais, colegas e diretores são igualmente importantes [enfim, sem mais...]

seria redutor resumir a avaliação a isso…

nem de propósito

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nem de propósito, depois da entrada anterior, dou com a avaliação da DGE aos cursos de currículo vocacional;

atente-se que a avaliação esqueceu outras ofertas formativas paralelas, como sejam os currículos alternativos, por exemplo para se centrar numa medida de política do ainda atual governo;

opções, pois claro

comportamentos, urbanização e ruralidade - o esticar a corda

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os comportamentos e as relações estão muito dependentes de contextos, em particular se soubermos gerir os contextos;

não tenho o mesmo comportamento em casa, na taberna da aldeia, na sala de profes ou em sala de aula; os miúdos também não e, na generalidade dos casos, em particular os mais carentes, e por muito incrível que possa parecer não sabem gerir contextos nem comportamentos; é um pouco como aqueles que crescem demasiado depressa e que depois se nota a falta de coordenação;

isto para referir que já passou por mim, mas não tenho fundamentos, pensar na dinâmica de urbanização dos concelho do interior desta minha região e das implicações e interferências que tem nas relações escolares; 

isto é, as relações mais rurais, oriundas de um tempo e de um contexto agrícola, são marcadas, na generalidade (não caio em generalizações sempre abusivas) por elementos de dependência, quando não mesmo de subserviência, onde o estatuto de cada um era definido pela nascença e pela profissão;

a progr…

das ideias

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ainda ontem falei sobre as estatísticas e as retenções a partir de notícia então publicada;

por comentários ao vivo e a cores e outros off line me dão conta das ideias que perduram, dos modelos que ainda vigoram, do papel do aluno e da escola que persiste;

há quem me diga que o chumbo faz bem ao aluno;
quem defenda que se deve ser exigente e rigoroso na escola;
quem, como outros, advogue mais testes, mais exames, mais momentos de avaliação;

com tudo aceno com a cabeça e digo que sim senhor;

mas pergunto, é processo que deve ser deixado à lei do desenrasca individual (do aluno e da família) ou que se deve pensar qual o papel da escola nesse processo? por escola entendam-se as políticas educativas;

será que o estudo deve ser iniciativa do aluno, individual e particular, ou a escola e as políticas educativas devem definir estratégias de apoio?

esta é a questão

sobre a frescura dos comportamentos

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sou diretor de turma de um grupo de 7º ano;

19 alunos, dois com alguns cuidados especiais; 11 já ficaram retidos pelos menos uma vez; 3 deles estão a repetir o 7º pela... 3ª vez;

são miúdos frescos nos seus comportamentos, já conhecem limites e limitações da escola e da sala de aula, dominam estratégias de negociação com os profes, conhecem os profes à distância, do que são capazes, até onde vão, o que podem contar;

os pais, melhor, as mães, não sabem o que fazer e sentem-se claramente incomodadas quando ligo; sempre me atenderam ou me devolveram a chamada; sempre se mostraram disponíveis para falar, mas também sempre me mostraram as suas dificuldades em fazer diferente, em alterar os comportamentos (e, em particular, as atitudes);

vai daí e estão atulhados em participações disciplinares, em reclamações e queixinhas;

tenho de fazer alguma coisa se não sei que sobra para mim, dum lado e do outro;

proposta, pensar diferente, fazer diferente
criar um projeto individual de reflexão, tipo…

estatística para que vos quero

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a capa do jn de hoje dá conta desta notícia, certamente que terá sido coincidência com a publicação do info escolas alargar os indicadores ao 2º e 3º ciclos;

penso que, por onde ando, nem metade acabam o 9º ano sem chumbar;

sim, e depois, perguntarão aqueles que são e que não são professores; (os pais, desde que não lhes bata à porta, nem perguntam, já era assim no seu tempo);

digo que uns quanto dirão que ainda são poucos, tal o facilitismo que por aí ainda grassa;

outros pensarão coitados dos miúdos, que fazem eles para chumbar assim;

outros dirão que a culpa é dos profes que não ensinam, o que é que andam lá a fazer;

sim senhor, tudo muito bonito, e eu pergunto, e o que é que tem sido feito para isto - ou para evitar ou para acentuar, pois claro;

estatística para que te quero

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o ministério da educação alargou a sua estrutura de consulta e comparação de resultados entre escolas;

inicialmente estava limitada aos exames do ensino secundário, passou a integrar a informação, por escola e por região, das provas finais de 2º e 3º ciclos;

para quê?
estrutura de trabalho e análise?
promoção e divulgação de elementos de comparabilidade entre escolas?
fomento de rankings escolares ou educativos?

acredito que haja quem os considere, analise e pondere; podem ser úteis em termos de gestão de recursos, de distribuição de recursos, de definição de apoios e metodologias de recuperação, de eficácia e eficiência escolar e educativa;

como acredito que muitos, inclusivamente alguns que têm responsabilidades na gestão escolar e em estruturas intermédias, nem lhes liguem, que olhem para o lado e finjam que não sabem, nem vêem a coisa;

das políticas

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decorrente das eleições há quem diga que o ministro da educação (e ciência) estará de saída;

não me sinto nem preocupado, nem particularmente curioso pelo facto,

mas estou direi apreensivo pelos caminhos que a escola e a educação poderão levar;

antes das eleições muitos deram pistas sobre os objetivos e o perfil do futuro ministro, houve mesmo sítios onde era possível encontrar um programa eleitoral, qual oferta da casa;

tenho sérias dúvidas que se registem mudanças, ainda que algumas práticas tenham necessariamente de mudar;

em todo o caso cá pelo planeta terra continuará como sempre, uns mandam outros fazem o que podem e o que sabem;

dos pais e das dinâmicas

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tenho consciência que, desde que trabalho em metodologia de projeto (um ano inteiro e não uma aula) que sou apontado e referenciado;

os alunos primeiro estranham, mas os pais, ao ouvirem comentários em casa, esse então estranham mesmo;

hoje já disso me deram conta;

trabalhar diferente é ficar sempre a jeito de alguma coisa - comentários, críticas, observações ou simples apontamentos; por vezes pertinentes e interessantes, outras meros registos de ignorância sentida (quando não consentida);

já houve tempos que me incomodou, agora nem por isso, tenho inclusivamente estratégia para explicar, o problema é que só se aceita desde que se queira aceitar e não é por falta de compreensão ou de explicação, é mesmo por opção;

depois há os docentes que se encolhem nas suas autonomias profissionais e há os outros que as assumem e vão em frente;

são opções;

atores

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perguntaram-me como correu o colóquio em Braga, respondo que dá sempre para ouvir coisas novas ou, pelo menos, diferentes;

respondem-me com o modelo pré fabricado e previamente definido, antes montado e quase sempre disponível, pois o problema é a inspeção que condiciona tudo e todos;

respondo, assim a modos que, que a inspeção é um dos atores, de entre muitos que intervêm e condicionam a ação escolar e educativa; sublinho, um de entre muitos;

acrescento eu, desculpa fácil essa a da inspeção, talvez não a mais forte, pelo que percebo por muitos lados, os pais têm bem mais peso que a inspeção;

final do dia

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em final do dia penso o meu dia;

três notas que dão três entradas;

ao fim de três sessões e uma turma entrou na sala e arrumou-se de acordo com os seus grupos de trabalho; não foi perfeito, mas quase, dei-lhes os parabéns, impecáveis; tempo de rendimento e trabalho ainda curto, direi normal, estão em processo de aprendizagem; ainda existirão alguns contratempos, alguns desvios, espero para ver e analisar, mas ao fim de três sessões gostei;

um colega (chefe) diz-me, ao mostrar aquilo que faço a um outro, que se não fosse o meu feitio seria isto e aquilo; não disse nada, estou numa de comer e calar, mas pensei para mim, mas se não fosse o meu feitio seria eu?

finalmente, a preocupação com os pais, o que dirão, o que pensarão, o que farão - onde é que eu já vi e ouvi este filme?

o dia de hoje

o dia de hoje devia ser ou ter sido ou estar a ser diferente

afinal é dia do professor e devíamos recordar, relembrar, e afirmar todos os professores, os passados, os presentes, os futuros;

escolhi ser professor sei lá eu por quê; nem sempre quis ser professor, mas agora não quero outra coisa;

na minha escola o dia passou por entre balanços eleitorais e análises (ou reclamações ) de comportamentos de alunos

das participações

quase como no sporting a semana passada recebi, enquanto diretor de uma turma de 7º ano, qualquer coisa como 5 participações disciplinares, envolvendo 3 alunos;

como estou num novo poiso e ainda não conheço todas as lógicas de funcionamento, espero para ouvir as partes, e as partes são professores, para além do que escreveram nas respetivas participações, os alunos, que não intervêm na dita cuja participação, os pais/encarregados de educação e a turma;

pelo que tive oportunidade de analisar sobressaem as desobediências, o não acatamento de ordens do docente, o não cumprir com o coletivo;

parece que volto a ler os mesmos livros e a ver as mesmas coisas, lógicas funcionais (de funcionamento da sala de aula, do trabalho de uns), de obediência e hierarquia, de acatamento e submissão, de exposição e preponderâncias; são os comportamentos que se destacam;

e estamos no século xxi, justificar-se-ão? que pertinência assumem? que relações se devem pressupor no presente? que dinâmicas implementa…

sobre o governo das escolas

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uma nota mais séria e mais de mim mesmo - tal como todas as outras (?!?!!??!!??!!);

estive por braga, no colóquio internacional de ciências sociais da educação, onde apresentei uma comunicação que tinha como resumo:

Tendo como objeto de estudo o processo de transformação do aluno em cidadão social, analiso a relação instituída entre os comportamentos escolares (nomeadamente as concepções expressas sobre a in/disciplina) e as respostas que lhe são dadas por uma escola que é teip. Entre comportamentos (considerações e concepções) e as respostas que lhe são configurados, coloco em evidência as formas de organização e gestão pedagógica de uma escola. Por seu intermédio e considerando os papéis, os objetivos, as funções e obrigações definidas para cada ator, perspetivo o governo da escola, mas também o do indivíduo e o do coletivo. Tendo como suporte os documentos orientadores da escola (em particular projeto educativo e programa teip) e assumindo como elemento de orientação a questão o que…

tic e escola e educação

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na próxima segunda feira sairá, no com regras, um apontamento meu sobre as tecnologias e o professor e a sala de aula;

hoje apenas um pequeninissimo adiantamento, para dar conta de um sítio brasileiro bem interessante, o porvir.org;

tem um dossiê sobre as tic e a sala de aula, a escola, os professores e os alunos que devia ser de leitura obrigatória, mais não seja para que se possa perguntar, sim, já li e...