sexta-feira, 26 de agosto de 2016

será que

é mesmo assim;

diz-se por aí, entre dois dedos de conversa e um sentimento desconfiado que se perspetiva, lá mais para a frente uma coisa qualquer tipo ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE ... EDUCAÇÃO,

será?

de uma entrevista

esta entrevista do senhor ministro da educação revela, no meu entendimento, três situações interessantes;

uma outra geração (com percurso, história e objetivos diferenciados) chega ao poder; é certo que não é uma gestão linear (tradicional?), mas não deixa de ser interessante perceber como "um [novo] estrangeirado" olha, analisa e gere a política nacional;

gosto das pontes, delicadas, complexas, poliédricas, que perspetiva entre três partidos que têm tido, nos últimos 20 a 30 anos posições tão diferentes quanto o céu e a terra; aproximar diferenças, identificar consensos, construir pontes é muito mais complexo e desafiante que estar rezingão, rabugento, do lado oposto, ser do contra;

mas não deixa de ser mais do mesmo; por um lado limitação e condicionamento da escola pública (aqui o papel das autonomias locais é determinante, com meios e que não se devem esgotar na municipalização, seja qual for o pretexto) e de fazer omeletes sem ovos, isto é, não há dinheiro não há vícios (e a escola e o sistema educativo está cheio dele);

o início aproxima-se, espero para ver...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

sobre o interior

no decurso deste mês de agosto e no meio de tanta tontice publicada, surge, aqui e ali, uma nota interessante, que retenho para mais tarde recordar;

dou destaque a uma delas sobre o interior deste país, mais de 2/3 do país votados à desertificação, ao envelhecimento, às distâncias que nunca mais acabam, ao isolamento social e cultural;

o expresso publicou um interessante artigo que, muito provavelmente, dará origens a mais escritas, lá mais para a frente e que vale a pena destacar uma vez que é a primeira vez que vejo a eventualidade de uma estratégia educativa incidir sobre o interior;

é certo que a generalidade dos diretores de escola/agrupamento procura conformidades, com receio das suas diatribes, mas seria interessante perspetivar o que pode a escola fazer pelo interior?

e não digo/pergunto em termos genéricos, teóricos, concetuais, pergunto em termos, por exemplo,

qual o papel da escola no acompanhamento de crianças quando os pais estão ausentes?

que estratégias de promoção do sucesso social e escolar podem ser complementarmente definidas aos pais/família?

na formação de públicos, desenvolvimento de culturas, modos de integração e tolerância?

e não penso obrigatória ou necessariamente nos docentes, mas nas estruturas, nos equipamentos, nas pessoas e, por que não, na ação pedagógica;

ou será demais pensar que uma escola/agrupamento tem ideias para além do seu umbigo?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

domínio brasileiro

somos muita bons mas quem manda é quem tem gente;

e o brasil manda na internet em português;

faça-se uma qualquer busca, sobre um qualquer tema e são milhões as páginas brasileiras enquanto as do lado de cá meia dúzia;

mesmo em sítios académicos, cada vez mais partilhados entre os dois lados do atlântico, o domínio brasileiro é feroz;

este predomínio não pressupõe, pelo menos de forma direta, qualidade, mas que no meio de tanta quantidade há coisas interessantes, lá isso há;

deste lado pt somos predominantemente consumidores, usufruímos do que por aí existe e definhamos;

o inglês americano substituiu o francês e depois o próprio inglês do velho continente tornando-se a língua dominante não apenas da internet mas global,

daqui a pouco, não restam grandes esperanças que o português será no sotaque de drumond e não de pessoa;

para consultar páginas no domínio pt é preciso filtros, tempo e paciência;

terça-feira, 23 de agosto de 2016

das férias e da escola

em período de pausa onde predominaram, uma vez mais, os incêndios em termos de escola houve algumas notas (notícias) que achei interessantes;

uma sobre o calendário e objetivos da IGEC para o próximo ano letivo;


de acordo com os objetivos na tabela (e disponíveis na respetiva página) o sul surge com uma preponderância deveras significativa, um total de quase 77% das escolas sujeitas a avaliação - quando o sul (Alentejo e Algarve) não representa mais de 10% do total do país em termos escolares (e não só);

desculpem lá qualquer coisinha, mas é obra?

estou certo que existirão razões para o efeito,

mas não será algo desproporcional e que certamente exercerá influência no relatório final - replicando essa desproporção, enviesando resultados?

ou será que aquilo que se pretende é mesmo fazer um exame detalhado ao sul?

ou será que descobriram os privilégios de viver a sul?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

dos modelos

fiz alterações ao modelo do blogue;

reconheço que sou, de alguma forma, um inconformado, gosto de mudar, de alterar modelos e padrões;

mas que não percebo nada da coisa também é verdade, mudo o que posso, o que sei ou o que consigo;

fica aqui ao lado a lista de blogues, coisas prás aulas, para conhecer, metodologias, recursos;

a caixa de comentário está disponível - condicionada, claro, mas disponível;

mais do mesmo - um ano depois

esta coisa da blogosfera (e/ou das redes sociais) permite ver o nosso histórico, perceber os nossos índices e padrões de coerência;

fui atrás, a agosto do ano passado, ver o que então tinha escrito - ou escrevido como eu gosto mais de dizer;

e não é que disse quase o mesmo do que está abaixo?!

contudo, o trabalho do ano passado foi muito por água abaixo, mudei de escolas e de níveis, pelo menos de um dos níveis;

ele há coisas que, apesar do tempo, são mais do mesmo; mai nada...

chamem-me nomes

eu sei que não sou, nem nunca fui, totalmente bom da tola; mas é o que se arranja e a idade não produz veleidades de melhoria;

apesar de ser docente há já uns anitos, de andar para trás e para a frente com níveis e anos de escolaridade tenho de reconhecer que ando entretido com as coisas básicas da profissão docente, planificações;

não começo cada ano do zero, aproveito muito do material que tenho, mas não deixo de ver comentários ao ano anterior, alterar aqui e ali, procurar melhorar isto e aquilo; a grande preocupação é mesmo a contextualização; os públicos mudam, crescem e tenho de adaptar dinâmicas, estratégias e opções - pelo menos inicialmente, depois logo se verá como a coisa corre - ou escorre;

podem-me dizer que não estou, nem sou, bom da tola, mas nesta altura ando entretido com coisas das aulas, aquilo que para uma mulher se poderia designar, num qualquer pronto a vestir, de os essenciais; já fiz planificações, já re organizei a matriz de avaliação (os meus registos de cada turma), já preparei a apresentação da disciplina, já marquei uma visita de estudo e preparo-me para alinhar os conteúdos de projeto - definir questões, problemas, orientações aos grupos;

sou assim mesmo, chamem-me nomes...

mais do mesmo

apesar de ainda não terminado o bem bom, a pausa pedagógica, começo, ainda que devagarinho, a retomar dinâmicas, a recomeçar moengas, a recuperar vontades e disposições;

devagarinho vamos lá;

votos para que a pausa tenha sido boa, a minha foi q.b.

pronto para mais do mesmo

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

em restabelecimento

de forças e ânimos, vontades e coisas necessárias a um andamento pretensamente normal;

depois de submeter a candidatura à mobilidade interna, vou ali e já venho;

diria para descanso de quem por aqui passa, dos visitantes e leitores;

mas é também por mim, estou a precisar;

mais não seja para perceber o que é necessidade de descanso e o que são as moengas da idade;


prometo regressar - a 15 deste mesmo mês de agosto, até lá, fiquem bem...

quarta-feira, 27 de julho de 2016

arrumações

quase em férias desfruto da pausa antes disso;

arrumo o meu cantinho de devaneios e escrita, mas também de trabalho e afazeres escolares;

este ano dou conta (com alguma surpresa) que tenho muito pouco, mesmo muito pouco papel para arrumar;

não fui ver notas de anos anteriores, mas se fosse ver certamente confirmaria a ideia que tenho reduzido (substancialmente) o número de papeis com que chego ao fim de cada ano letivo;

este ano ainda tenho alguns papeis para arquivar; coisas da direção de turma (quer de aluinos quer de encarregados de educação ou de conselhos de turma), fichas de trabalho, notas minhas quando o tablet avariou; coisas pouca, muito poucas mesmo quando comparada com o material que tinha aí há coisa de três/quatro anos atrás;

e o objetivo é simples, para o ano papel zero
(pelo menos cá por casa, por que se tem de albardar o burro à vontade do dono);
vamos ver

segunda-feira, 25 de julho de 2016

rede educação XXI

ele há movimentos que se podem tornar interessantes; começam quase sempre por ser coisas diferentes, para já não dizer esquisitas, mas que se tornam essenciais para se fazerem caminhos;

podem, a um primeiro momento (ou impressão) dar a ideia que são mera teoria, simples retórica;

vistos de perto podem ser redes de trabalho colaborativo, formas de partenariado profissional ou espaço de partilha de ideias e vontades;

a rede educação século XXI é tudo isso,

mas é essencialmente um espaço a descobrir e a construir de e sobre futuros que somos nós;

recursos para projeto

a partir daqui uma síntese interessante sobre diferentes recursos suportes ao trabalho de projeto;

em tempo quente (muito quente, diga-se) oportunidade para, no regaço do fresco se pesquisarem e se perceberem quais nos podem ser úteis;

interessante perceber que há algumas (poucas) cruzam plataformas e, por isso mesmo, se podem tornar mais interessantes que outras;

contudo, o que torna uma aplicação interessante é o uso que lhe damos, os objetivos que nos ajuda a cumprir, as tarefas que são facilitadas;

é pensar, sempre, para que se quer e o que se pretende de uma aplicação; depois analisar a panóplia de alternativas e optar;

quarta-feira, 20 de julho de 2016

futuros

estou certo que a tendência expressa na imagem e na notícia se irá manter pelo futuro;

existirão cursos que se extinguirão (por falta de procura, por desadequação, por modismos ou por simples diatribes de quem de direito) e outros se (re)criarão (por pressão, modismos, oportunidades, futuros);

considero esta dinâmica algo normal e "natural", fruto de uma dinâmica do tempo e do papel que a ciência tem no contexto social;

a questão que levanto passa por outro lado;

poderá a escola manter a sua estratégia disciplinar, herdada da revolução francesa e da revolução industrial?

poderá a escola manter um currículo rígido, programas compartimentados, instrumentos de avaliação segmentados?

a autonomia universitária (ou de ensino superior) permite uma maior adaptabilidade e uma outra capacidade de reconfiguração organizacional (ainda que a estrutura se mantenha);

e o ensino básico e secundário? permanece distante, isolado, compartimentado, fechado?

defendo que muito que poderá ser a escola do futuro passa pela capacidade de o local se adaptar (a públicos e objetivos), contextualizar (a interesses e estratégias), flexibilizar (no currículo e na avaliação);

se lhe chamam autonomia ou apenas criatividade serão questões de semântica - mas não são pequenas;

terça-feira, 19 de julho de 2016

Apps para ensinar e para aprender na era mobile learning

eu sei que por estas bandas tenho ainda menos passantes - do que pelo facebook;

mas, muito sinceramente e reconhecendo o que de bom e mau têm as redes sociais, prefiro este cantinho;

talvez pela escrita, talvez por que nem sei quantos por aqui passam e não me sinto com qualquer obrigação - ou tristeza - por via de ter, ou não ter, os ditos likes;

talvez por aqui uma ou outra ideia passe mais sorrateiramente, mas que fazer...

desta feita deixo aqui uma indicação na onda do grupo pbl lovers e que agradeço à Amélia;


das notas

As provas de aferição, que já não contavam para a avaliação dos alunos, deixarão também de ter notas
e como é que alguns papás irão fazer as médias, han?

clínica pedagógica


a alteração das notas de classificação para relatório introduz (eu escrevo que acentua) aquilo que designo como a clinização do processo pedagógico, isto é, torna clínico um processo que era inicialmente pedagógico;

já antes o processo individual do aluno remetia em muito para esta dimensão;

de princípio nada contra;

apenas a consideração que se torna necessário alguma contextualização (eu direi especificação) para que se possa desenvolver todo o processo que vai da análise à avaliação passando pelo diagnóstico;

principalmente em processos de individualização - ou de costumização de terapêutica, mas também de análises cruzadas de diagnóstico, por exemplo;

mas que esta associação entre processos pedagógicos e processos clínicos é interessante, é ;

segunda-feira, 18 de julho de 2016

um exemplo

ainda antes de entrar na calmice dos dias grandes, deixem-me destacar um exemplo que há muito defendo;

isto a propósito do conjunto de condecorações que o presidente da república entregou à seleção de futebol, a medalhados do atletismo e amanhã da seleção de hóquei em patins;

questionado o senhor presidente se havia de distribuir tanta medalha, depois de o seu antecessor ter sido tão parco nessa área, o presidente respondeu que está definido o critério, e só há que aplicar o critério;

coisa tão simples esta e que seria interessante de levar para a escola;

por exemplo na distribuição de serviço docente que, como é bem dito, fica ao critério da descricionaridade e arbitrariedade dos senhores diretores - sendo certo que nem todos, nem nenhum;

apesar das orientações para manutenção em lógicas de ciclo, há situações que não lembram ao diabo, a não ser a algumas cabecitas pensadoras e iluminadas, e se (re)distribui o serviço como se tratasse de um bodo aos pobres, numa por vezes nem sem sempre assumida, gestão de interesses;

por que não definir critérios, fruto do contexto da escola - esqueça-se o perfil uma vez que disso estamos fartos; e seria aplicar o critério;

são poucos, muito poucos os projetos educativos que conheço que contemplam critérios que permitam conter os excessos de arbitariedade e descricionaridade do senhor diretor;

os próximos

a partir de agosto entrarei numa área que já aqui tem uma etiqueta mas que ainda tem pouco conteúdo, refiro-me à metodologia de trabalho de projeto (a etiqueta vem do seu inglês, pbl, projet based learning);

irei procurar destacar e acentuar esta dinâmica de escrita num processo assumidamente relacional, metodologia de projeto e coisas em seu redor;

desde a avaliação, organização e dinâmica, parcerias e partenariados, recursos e meios, dispositivos e tecnologias, resiliência e trabalho colaborativo;

para já a indicação de um sítio que é mais que uma referência - http://bie.org/about/what_pbl 

já agora e neste contexto procuro parceiros pelo país ou pelos PALOP's para partilha de ideias, conversa e encontros, outras e diferentes perspetivas, olhares, sobre a mesma coisa de sempre, a História e a educação e a escola; mesmo que virtuais e à distância de um qualquer clique...

caso haja interesse deixem comentário ou escrevam para manuelcabeca@aemn.pt;

calmice

o tempo não é nem de escola nem de aulas;

quanto muito será de avaliações, balanços e (re)organização a pensar já no próximo ano letivo - há que pensar e definir critérios para distribuição de serviço, constituição de turmas, medidas de apoio e promoção do sucesso, formas e processos de monitorização de processos e de resultados;

o tempo das aulas e da escola não se esgota nas 4 paredes de uma sala de aula;

mas o tempo por aqui, por este meu cantinho vai ser de alguma calmice, de um fluxo estival, reduzido, escasso, por vezes mesmo seco;

são coisas do tempo quente...

terça-feira, 12 de julho de 2016

o tempo da escola

a partir de uma peça do Público, o tema é recorrente - mas não deixa de ser pertinente;

para mudar é o carmo e a trindade, um ai jasus que nos acuda à santa tranquilidade;

é mais fácil manter rotinas, procedimentos mesmo que por vezes não se percebam origens, seja contraproducente ou descabido o seu sentido;

mudar apenas por modernice ou mania também não,

mas não ficava mal criar um espaço de diálogo sobre o tempo da escola;

até que ponto a organização em semestre não seria mais adequada a lógicas da avaliação (e do sucesso) escolar?

ou seja, feito um primeiro momento de avaliação seriam definidas e adotadas as estratégias de apoio e recuperação para, no final, se realizar a "prova dos novos";

reduzem-se as hipóteses de sucesso pela redução do número de momentos de avaliação?
não creio, apenas se criaria a hipótese de clarificar as opções entre avaliação formativa e sumativa;

segunda-feira, 11 de julho de 2016

coisas

um pequeno país, feito de marinheiros e aventureiros, onde abunda a fé e as crenças, prenhe de pessimismo quanto de idealismos conseguiu derrotar um dos grandes da europa;

david derrotou golias, mais uma vez;


de ontem para hoje

ontem escrevi e foi hoje publicado no ComRegras;

Escrevo na tarde de domingo, resguardado do calor que faz lá fora e na expetativa do que poderá acontecer daqui a pouco, na final do euro 2016, que envolve Portugal e França.
Certamente que como todos, quero que Portugal vença. As hipóteses serão escassas se verificadas pelas diferentes casas de apostas. Contudo, apesar de escassas, existentes. Pessoalmente acredito na vitória de um grupo que sabe identificar diferentes soluções para diferentes problemas. Da mesma forma que tem sabido gerir protagonistas individuais e espírito de equipa, esforço e capacidades individuais com dedicação coletiva. Será, no meu entendimento, a solução possível para um desafio claramente complexo.
Ou seja, em crónica semanal sobre coisas da escola e das aulas, seria quase que incontornável para um português que se preze, não abordar a relação que se pode estabelecer entre o futebol e a escola (a sala de aula). Considero o futebol como metáfora da escola o exemplo mais acabado do que podemos ser em contexto de sala de aula. Tento mostrar.
Num lado o treinador. Motiva, orienta, define estratégias, organiza o grupo em função do que ele considera de cada elemento.O treinador não vai para o terreno de jogo, não marca golos como Ronaldo, nem os defende como Patrício, nem faz passes de magia como Sanches. Mas é ele o principal visado quando as coisas não correm pelo melhor. Mas, na vitória, é mais um dos muitos ouvidos sobre a estratégia, a tática, a organização que levou à vitória.
Neste mesmo lado, temos de tudo. Do guarda redes ao roupeiro, passando por massagistas, terapeutas, cozinheiros e que mais gente que faz uma equipa. É a diversidade e pluralidade de feitios, estilos, ritmos, treinos, condições e capacidades. Tudo e todos que têm de ser geridos em prol de um coletivo, numa primeira instância (e determinante, digo eu) mas também do que cada um é capaz de fazer por si.
Do outro lado, do lado da escola o terreno de jogo é a sala de aula. Um professor, que não faz exames, mas que prepara para eles. Não faz testes, mas tem de preparar o aluno para enfrentar diferentes situações. Um professor perante a gestão de um coletivo de diferentes, heterogéneo, diverso, plural e que só por isso constitui a riqueza daquele grupo. Com interesses, ritmos, dinâmicas diferentes e diferenciados. Todos pretensamente com um mesmo objetivo, o sucesso, ou, pelo menos, o de ultrapassar aquela fase, o de sair daquele momento, de seguir em frente. Por vezes entram em cena os auxiliares. Ensino especial, apoios, tutorias, terapeutas, mediadores, entre todo um vasto corpo de profissionais que há coisa de 20 anos frequenta a escola e auxilia na ação educativa.
Entre futebol e sala de aula há todo um campo de semelhanças e continuidades que pode ser útil para explicar a alteração de sentidos (educativos e escolares) verificados entre uma geração de ouro, aquela mesma que foi vice campeã  esta que joga hoje (ontem). Entre uma e outra não existe continuidade nem semelhanças de estrelas individuais (Ronaldo já lá estava e destaca-se em absoluto, mas falta um Rui Costa, um Pauleta, um João Pinto, entre outros que não têm comparação). No entanto acredito muito mais nesta geração. Acredito pela sua resiliência, pela sua persistência, pela estratégia organizacional que faz com que não tivéssemos jogado bonito mas que nos levou (pelo menos) à final.
A sala de aula pode e deve ser esta persistência, esta adequação entre protagonismos individuais, fruto de interesses e objetivos, e um coletivo que se afirma. Pode e deve passar pela sala de aula o saber competir, trabalhar em equipa, definir e alcançar objetivos. Deve e pode passar pela sala de aula o papel de um coletivo feito de muitos de nós.
Acredito, sem ser pessoa de fé, que Portugal ganhou.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Da demografia

O problema demográfico é complicado e deveras complexo para análise simples e direta da minha parte;

Mas as notícias são o que são e dão conta dessa bomba que temos entre nós, a do esgotamento demográfico;

Perante a redução de mais de mil turmas que se perspetiva pergunto quantas caberão ao Alentejo? Qual a percentagem nesta região?

Mas afinal o que se faz para combater a situação? Pela tutela, pelos municípios?

Que pensam fazer as escolas e os agrupamentos para gerir ofertas e criar alternativas?

terça-feira, 5 de julho de 2016

testes e predominânicas


estas coisas dos testes on line valem o que valem;

orientam-nos, justificamo-nos, mas também nos compreendemos e entendemos um pouco mais e um pouco melhor; quando dá jeito, pois claro;

o meu teste de predominânica cerebral dá esta coisa que eu confirmo, pois claro;

segunda-feira, 4 de julho de 2016

estupidificação

o Paulo dá conta de uma grelha que revela o requinte de malvadez com que se trabalha em algumas escolas - seria mau generalizar;

pretensamente as grelhas deviam servir para ser um meio de facilitação de trabalho, alguns até dizem de objetivação de processos e de avaliação; contudo tornaram-se um fim em si mesmas;

e vi, no final do ano letivo, docentes, colegas, presos a uma grelha e a uma avaliação; condicionados por aquilo que a grelha dizia e atribuía, como se valesse por si, como se fossem fim e não um meio;

considero dois problemas no contexto da utilização excessiva das grelhas (e costumo dizer que tudo o que é demais cheira mal);

o fim em que se tornaram para justificar, legitimar pretensas objetividades (não lhe chamo arbitrariedades por preceito) - já aqui o escrevi, a vida não cabe numa tabela de dupla entrada; será que a objetividade de um processo (o da avaliação) não decorre do trabalho desenvolvido ao longo do ano? dos indicadores serem se não claros, pelo menos conhecidos? de existir envolvimento e participação entre quem avalia e quem é avaliado? de cada um (saber) assumir as suas responsabilidades no processo?

segunda dimensão, o discurso com que é justificada a sua utilização, o da segurança do professor, a da salvaguarda do seu trabalho, da legitimação da avaliação; isto é, as grelhas são importantes para salvaguardar o trabalho do profe, para sua segurança profissional perante reclamações ou queixas (de pais, pois claro);

é um discurso fascista que torna própria e pessoal uma ameaça que não se vê por que é construída pelo próprio; assenta na insegurança de cada um, fazendo de cada um polícia (e carrasco) de si mesmo;

e continuamos a conversar


depois de um manifesto (que não foi uma manifestação) ter juntado tantos e tão diferentes autores da blogosfera educativa, o pessoal gostou e continua junto - pelo menos na escrita;

a ideia é simples, há quem lance um tema a partir do qual se cruzam olhares, estabelecem diálogos, trocam perspetivas; tudo na escrita de cada um e no seu cantinho, dando conta dos outros pontos de vista;

e está lançado o primeiro tema, as férias escolares;

já escrevi algumas coisas (e ainda hoje irão surgir +) sobre o tema que o Alexandre nos propõe, dando origem a comentário que torna visível algumas das ideias que circulam em seu redor - o trabalho dos professores, as funções e missão da escola, a relação com o mercado, entre outros;

a partir do texto (de arranque) do Alexandre há duas ideias que destaco e que considero essenciais;

de um lado, a função social da escola; entre as reconfigurações a que a escola tem sido sujeita uma delas passa pela guarda da criança; queira-se ou não, concorde-se ou não à escola compete uma também missão de guarda; esclareço é que não têm, necessária nem obrigatoriamente, que ser os docentes a assegurar essa guarda; e que ela mesma pode e deve adquirir diferentes contorno consoante a idade; neste contexto, mais que alterar o horário de funcionamento do mundo para que se adapte a dinâmicas, ritmos e interesses da escola, bem que pode ser a escola a adaptar-se ao mundo, recriando formas, processos e lógicas de organização; em parcerias locais, em articulação com dinâmicas inerentes a um contexto - e cada contexto é próprio, específico, individual;

circunstância que me leva à segunda nota de destaque do texto do Alexandre; passa pelo exercício das autonomias locais; mais que diálogos com a tutela, tem de ser o local a deixar-se de retóricas e a assumir o seu caminho, assumindo as suas responsabilidades; esta assunção permitirá, em hipótese, envolver outros parceiros (município, associações, ipss) criando formas de envolvimento e participação que permitam ir além do quero, posso e mando; para isso, torna-se essencial ou criar ou reforçar os espaços de participação e de legitimação local da ação educativa (conselho pedagógico, conselho geral, conselho municipal de educação);

entre a função social que reconheço e atribuo à escola e o exercício das autonomias locais poder-se-ão desenvolver projetos de integração e inclusão social, de formação de públicos, de conhecimento e divulgação de outras realidades, de sensibilização social, de comportamentos;

e digam-me lá se não se podem criar complementaridades e se esta ação não terá entorno escolar?

domingo, 3 de julho de 2016

um fim que é um princípio

terminei o meu curso sobre a metodologia de projeto;

foi o meu primeiro curso on line a partir da teacher academy,

seguramente não será o último;

deu para conhecer outras realidades, outros sistemas educativos, outros problemas e outros sucessos;

deu para perceber que existe uma matriz europeia de professor, uma quase que identidade profissional, que cruza países, culturas, histórias e tradições;

gostei mesmo e só me posso sentir agradecido por ter participado e por ter aprendido com tanta gente;

pena é que nos distribuíram ou agruparam entre norte e sul - vantagem da minha indisciplina, fujo (quase) sempre ao que me impõem e vá de interagir com o norte;

sábado, 2 de julho de 2016

coisas interessantes

em tempos onde as tecnologias dominam e predominam, coisas interessantes que os docentes podem utilizar na dinâmica de sala de aula;

referencio o sítio

http://www.educatorstechnology.com/

e destaco nele um sobre posteres, deveras interessante;

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Vale a pena

Ele há coisas que valem a pena ler;

Esta é uma delas - A jornalização em curso

Ajudam-nos a perceber os tempos e os modos de um coletivo que cada vez mais é individual;

Como nos ajudam a perceber co o se fazem (fabricam) opiniões e se tornam coletivas como se fossem caminho único;

sexta-feira, 24 de junho de 2016

do calor

que me seja permitida a divergência temática a este meu cantinho;

dedicado a questões de sala de aula (desde dinâmicas a relações ou pressupostos) e tendo como pano de fundo a escola e a educação, no período de verão, pausa escolar, avançarei por outros temas, abordarei outras questões, escreverei sobre outros assuntos;

é uma questão de calor, de cansaço, mas também de pausa;

não quero cansar em demasia os passantes, mas deixarei apontamentos com a irregularidade que a vontade me permita...

coisas do sucesso

ou da falta dele

direi que me sinto algo entalado;

entre, de um lado, convições e ideias de escola e da sua organização

e

do outro

pressupostos e orientações de trabalho e da ação docente;

escrevi numa última entrada
as estratégias de promoção do sucesso vão recair sobre o trabalho dos professores, esta uma pequena grande divergência com o chefe de missão;

divergência por que considero que deviam incidir em questões de organização escolar e letiva (coisa que sei que o senhor chefe de missão concordaria comigo) - mas estas notícias desmentem e contradizem em absoluto;

o que as opções e orientações definem, de um lado, e as medidas de política fazem mais não é que mostrar, uma vez mais, a desconfiança que o poder central tem relativamente aos seus funcionários;

e aqui o meu entalanço;

é que sei que uns e outros têm razão; afinal, se não existirem orientações muitos dos seus funcionários ficam se não desorientados pelo menos inativos, expectantes;

do outro, sei e tenho consciência que o local, deixado ao seu livre arbítrio opta, em muitos casos, por medidas descricionárias, arbitrárias e algo totalitárias (do eu quero, posso e mando);

obviamente que não seria em todo o lado; se calhar nem na maioria dos sítios; se calhar sou eu que tenho o privilégio de andar por sítios onde não vale a pena pedir opinião aos professores;

de saída

a quase certa saída da GB da UE mostra que algumas das políticas definidas, assumidas e implementadas ao longo dos últimos 30/40 anos falharam redondamente;

aquando da minha tese tive oportunidade de perceber como as medidas de política europeia foram as primeiras a entrar na escola, decorria ainda a década de 80 do século passado;

na década seguinte então foi o auge das medidas de sensibilização europeias na escola; eram projetos para quase tudo, iniciativas sobre tudo; programas sobre isto e sobre aquilo;

não menos interessante esta aposta na escola era liderada e assumida pelo então instituto português da juventude;

isto é, foi notória a opção da então comunidade europeia apostar na sensibilização dos jovens,

esses mesmos que hoje no reino unido optam por sair;

dupla leitura,

as medidas falharam por que um vasto conjunto de pessoas sente que a UE nada lhes diz, que é impedimento e não possibilidade;

a escola forma pessoas para a autonomia de açao e pensamento e quando julgamos que vamos todos num mesmo sentido, essas mesmas pessoas podem-nos surpreender;

e agora?
essa a grande questão

quarta-feira, 22 de junho de 2016

promoção do sucesso

estão abertas as candidaturas para que as escolas apresentem projetos de promoção do sucesso escolar (até 11 de julho);

que a proposta é perfeita? não senhor, não é;

que as opções, os critérios que definem regras e "impõem" procedimentos às escolas podiam ser outros? é verdade, podiam e, em algumas situações, deviam ser outros;

apesar de ter aqui pano para longa conversa e amena cavaqueira com o chefe de missão, direi que é o que temos;

contudo e a despeito do que é esse projeto ou do que pode vir a ser, por onde ando nada se ouve, nada se diz, em nada os profes são chamados a participar, até ao momento ninguém perguntou qual a opinião deste ou daquele, seja por perfil ou por experiência ou por sei lá, quais os contributos deste ou daquele, que pode um diretor de turma propor, ou um coordenador disto ou daquilo;

se calhar é por que ainda falta muito tempo para a data de entrega e, há boa maneira tuga, tudo fica para o fim;

se calhar é por que já perguntaram a quem de direito;

se calhar é por que existem iluminados com ideias não apenas sobre estratégias para o sucesso escolar, mas e não menos importante sobre o trabalho docente;

ah pois, as estratégias de promoção do sucesso vão recair sobre o trabalho dos professores, esta uma pequena grande divergência com o chefe de missão;

depois de um manifesto

juntou-se um largo conjunto de pessoas em redor de 15 blogues da educação, para subscrever uma posição comum e conjunta;

posição se não inédita pelo menos muito pouco comum, que leva as pessoas a questionarem-se mutuamente sobre e agora...?

e agora o sururu que faz com que a escola e a educação estejam nas primeiras capas ir-se-á esbater significativamente, entramos na silly season e o resto pouco importa - a não ser banhos, descanso, lourinhas espumosas e...;

mas seria e será interessante perspetivar o que será capaz de resultar da conjugação de esforços que têm duas particularidades:

é assumido por pessoas muito diferentes (em termos de sensibilidade política e partidária, de experiências e vivências, de ideias de escola),

como é e por outro lado, assumido à revelia de grupos organizados (sejam eles socio profissionais, sindicais, partidários ou outros);

e agora, depois do manifesto


notas de final de um ano

no final de quase todos os anos letivos não me deixo de surpreender pelo papel que os papeis, grelhas ou outros, referentes às medidas de promoção do sucesso, fazem perante aqueles que visam;

habitualmente são preenchidos no final do 1º período, por via do número de níveis inferiores a três que os alunos obtêm; por onde tenho andado, consistem em colocar cruzes nas pretensas dificuldades do aluno e mais cruzes nas medidas de apoio propostas (algumas nem funcionam); mais cruz menos cruz tudo é igual para todos, uniforme a todos (fazendo-me lembrar os comprimidos que nos davam na tropa, eram os mesmos, independentemente das queixas);

são papeis, nunca consegui perceber qual a sua finalidade - a não ser aquela mesma de impingirem aos docentes formas de pensar na/a sua ação; na generalidade são preenchidos qual totobola, mais conversa menos conversa, mas sem grande rigor nem preocupação - que vá além da administrativa;

o certo é que, mais cruz menos cruz, dão um resultadão; ele é ver e apreciar a recuperação de cada aluno, como se passa de 8 ou mais níveis dois no final do primeiro período, para um ou dois ou, vá lá e quanto muito, três níveis dois no final do ano;

e passa;

e depois ainda há docentes que dizem que a avaliação é futurologia; qual quê, rigor absoluto, basta fazer uma grelha...

terça-feira, 21 de junho de 2016

Pela Escola pública

Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação, temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.
A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de atuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva de políticas educativas, em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade de resposta da Escola Pública.
Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:
Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;
Considerando o nível de desigualdade social instalado importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.
Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;
Dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.
Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;
O ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.
Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;
Para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.
Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;
A resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.
Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;
Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;
A promoção de uma educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas, autonomia de escolas e agrupamentos.
Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais, e não pedagógicos ou educacionais.
A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.
A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade de, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se autogovernar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.

Portugal, 21 de Junho de 2016


Subscrevem (por ordem alfabética):
Alexandre Henriques – ComRegras
Anabela Magalhães - Anabela Magalhães
António Duarte - Escola Portuguesa
Duilio Coelho - Primeiro Ciclo
José Morgado - Atenta Inquietude
Luís Braga - Visto da Província
Luís Costa - Bravio
Manuel Cabeça - Coisas das Aulas
Nuno Domingues - Educar a Educação
Paulo Guinote - O Meu Quintal
Paulo Prudêncio - Correntes
Ricardo Montes - Professores Lusos


sexta-feira, 17 de junho de 2016

trabalho de projeto

trabalhar por projeto numa disciplina teórica, como é o caso da história, levanta, ao início, dúvidas, suspeições, desconfianças, olhares contrários;

desenvolver uma metodologia em que se dá total e integral confiança (mediante orientação, nunca independência) ao aluno no seu trabalho e na sua aprendizagem leva todos os outros a desconfiar, a ter dúvidas quanto a resultados, a ser relutante quanto ao processo;

depois, no final, quando se percebe como funcionou e como se avaliou é bom, gratificante, recompensador ouvir os comentários, perceber os agradecimentos;

então se são oriundos daqueles que mais desconfiaram então a coisa sabe ainda melhor;

e pronto

segundo balanço, das turmas

gostei (e gostei mesmo)

de perceber os receios e a aceitação posterior face ao uma metodologia de trabalho por projeto;

do envolvimento e da implicação da generalidade do pessoal (alunos);

dos resultados, apesar de tudo, acabaram por ser (algo) positivos;

de descobrir curiosidades e cumplicidades por parte de colegas em conselhos de turma;

de (re)descobrir uma escola (agora agrupamento) e de aproveitar circunstâncias e contextos para aprender um pouco mais e fazer um pouco melhor;


não gostei

de idiotas e parvos que têm a mania de se designarem de profes - estão convencidos, mas não o são;

de ter ter dado níveis dois - há muito que não dava meia dúzia de níveis dois como aconteceu este ano - por dificuldade minha em identificar uma ponta por onde pudesse puxar pelo aluno;

de sentir professores presos a grelhas, inflexíveis, intolerantes, dando cabo daquilo que são, professores - por que há bons professores (e profissionais) que se perdem nas grelhas (ainda se tivessem sardinha);

de ver e sentir alunos desorientados, perdidos, sem sentidos nem direções e de a escola não os apoiar, ajudar

segunda-feira, 13 de junho de 2016

coisas







e mais coisas que por aí andam e que são interessantes, estimulantes e desafiantes;

se estivesse no facebook colocaria uma daquelas carantonhas a dar conta que estou entusiasmado;

agora dei com uma página, oficial e institucional, que se pode revelar um mimo para a escola, para o trabalho docente, para o que conseguirmos fazer;

passem por lá e digam que estou errado, vá digam lá...

domingo, 12 de junho de 2016

mais

do mesmo, para os mesmos de sempre;

coisas que despertam apetite e curiosidade;

curiosidades que se partilham por aí, que nos são dadas a descobrir;

e nós preocupados com o nosso cantinho;


sábado, 11 de junho de 2016

um balanço

o ano termina, em termos letivos, prolonga-se apenas por exames e rotinas típicas de um final de ano letivo;

em termos de balanço, noutros lados já escrevi algo mais, gostei :)

da experiência do cqep, poderão dar origem a trabalho que designo de autobiografias do insucesso - um prazer, um gosto e um encanto ler histórias na primeira pessoa, perceber o que foram os tempos e os contextos, os modos e as modas - perceber o que não mudou num contexto e numa relação (a das pessoas com a escola);

de conhecer e desenvolver mais e melhor a minha metodologia de trabalho (de projeto); arrisquei algumas experiências, a introdução de outros dispositivos, de ganhar as turmas depois das hesitações e desconfianças iniciais - e tenho pena de não ter resultados para mais, alguns bem mereciam;

de me sentir confrontado com os alunos do vocacional; de perceber que o que faço terá, algures, um qualquer sentido, por vezes rebuscado, outras nem tanto;

a partir dos cursos de vocacional, que me sinto ainda mais confiante por perceber que a escola (as práticas docentes, os modos de organização, as respostas escolares, as relações com alunos e famílias e contextos, instrumentos e critérios de avaliação, estratégias de trabalho) tem de mudar, obrigatoriamente tem de mudar;

finalmente, gostei de reencontrar pessoas, de sentir amizades e cumplicidades, mesmo com gente para mim algo surpreendente - mas são mais estes os que me enaltecem a amizade;

não gostei :(

de sentir que aquele contexto tem particularidades tão significativas quanto complexas - e que não são consideradas em termos de organização do trabalho e da escola;

que pouco mudou desde que lá estive há dez anos atrás;

que há pessoas que por muito o mundo pule e avance estão estagnadas, em lodo lamacento de mesquinhez e alguma malvadez;

de sentir que eu próprio mudei tornando-me (nem justifico) algo que não me agrada profissionalmente, mas que percebo profissionalmente (não é engano é a mesma referência duas vezes);

de perder quatro alunos, um por abandono, os restantes por desinteresse, desleixo manifesto, quanto incapacidade minha e dos pais em identificarmos respostas que os conseguíssemos captar e mobilizar (e o quanto os docentes estavam disponíveis);

um diário

últimos dias da primeira semana do meu curso on line sobre project based learning (PBL);

direi, tal como já coloquei no meu diário - learning diaqy - que percebi que tenho de melhorar e treinar o meu inglês; estou habituado a ler não a escrever e a pensar em inglês, traz novos desafios que devem ser assim mesmo entendidos, como desafios;

fiquei surpreso pela quantidade de gente que participa literalmente dos 4 cantos da europa, com diferentes (por vezes muito diferentes) backgrounds (sejam eles profissionais, sociais ou culturais) mas onde partilhamos um mesmo objetivo, aprender mais sobre o pbl;

por outro lado e apesar de trabalhar com esta metodologia faz alguns anos, sempre por minha conta, sempre por tentativa e erro, sempre por descoberta e pensar o que faço, há ainda muitas coisas onde posso melhorar como devo aprender; assim espero;

ainda não cumpri as tarefas, mas estão prontas (ou quase) para envio, uma questão de retroversão para o qual o google tradutor nem sempre é suficiente;

terça-feira, 7 de junho de 2016

coisas simples

que de tão simples se tornam complicadas;

a orientação do project based learning:

TELL ME AND I FORGET,

TEACH ME AND I REMEMBER,

INVOLVE ME AND I LEARN

Benjamin Franklin

segunda-feira, 6 de junho de 2016

escola pública

continua-se a escrever e a comentar e a falar da escola pública e da escola privada;

há dias ouvi um comentário que dava conta que há escolas privadas que têm uma prática pública e há escolas públicas que têm uma prática privada;

isto é e no entendimento expresso, escola pública tem como marca e caraterísticas distintiva a prestação de contas, a clareza e transparência de processos e procedimentos, isto é, o envolvimento de todos quantos lhe estão ligados ou afetos;

isto implica o funcionamento regular dos órgãos, o envolvimento e a participação dos seus membros no processo de decisão, a co responsabilização política e funcional pelos atos coletivos;

é para isso mesmo que existe um/a diretor/a (executivoo), um pedagógico (orientação/administração) e um conselho geral (administração e prestação de contas);

agora digam-me lá, se não há por aí umas quantas escolas públicas que são privadas?

final

e, direi mais, finalmente;

entre os discursos que elevam os alunos e as turmas, há também os evidentes sinais do cansaço, do desgaste de um ano de trabalho que fazem com que, aqui chegados, possamos agradecer ter chegados vivos, termos sobrevivido;

é difícil dar a entender a quem não é docente, o quanto é exigente e desgastante o trabalho docente, de sala de aula, de relações e afetos ao longo de meses, dias atrás de dias; umas vezes cansados, outras disponíveis, umas vezes a gerir interesses e motivações (ou a sua falta), a tentar aliciar e envolver quem se recusa e a orientar quem mostra interesse, tudo ao mesmo tempo, no mesmo contexto;

este ano termina, devagarinho;

gostei de conhecer esta gente, gostei de perceber outras lógicas de funcionamento, organização e relação (escolar, pedagógica, educativa);

gostei de me envolver, se bem que muito levemente, com alunos de curso vocacional, perceber a sua falta de sentidos, os seus despropósitos escolares e sociais;

gostei de (re)conhecer um concelho marcado por divergências, dicotomias absolutas (e algumas absurdas), muito ideológico onde as ideologias se escondem à mostra de todos; tudo muito marcado por uma geografia social tão complexa quanto complicada;

gostei de me envolver com a formação de adultos, em processos de segunda oportunidade, mediante trabalho que designo de autobiografias do insucesso;

mas a coisa acaba apenas em termos letivos; tudo o mais continua;

quinta-feira, 2 de junho de 2016

a ciência

como solução, fé, crença ou apenas esperança;

numa rápida passagem de olhos pela visão desta semana é possível identificar o papel que a ciência tem no contexto social geral e, em particular, na educação, na escola;

é tempo de exames? a ciência ajuda;

há problemas em como educar uma criança? a ciência dá orientações;

a ciência torna-se pretexto e texto para o que quer que seja, emagrecer, estudar, educar, decidir entre isto e aquilo, agir assim ou assado;

mas a porra toda é que continuamos os mesmos, como sempre fomos, mais ciência menos ciência;

por cá então, por este meu alentejo, uma autêntica massa de algo que nem sei...

serão as contradições da ciência?

ou apenas efeitos do que somos?

fazer

a propósito da minha entrada abaixo, de desadequação, muitas das vezes não é perceber que a coisa - a escola - está desadequada aos tempos e aos modos;

muitos de nós reconhecemos que precisamos de mudar, que os conteúdos estão desadequados, que algumas práticas estão desfasadas, que há dinâmicas ultrapassadas, que existem metodologias que levantam mais interrogações que afirmações;

mas as coisas permanecem, persistem, continuam...

para mudar precisamos de saber e querer

raramente estão ou andam juntas estas duas condições, e então permanecemos, continuamos, sabendo que temos de mudar...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

desadequação


IMG_0371.JPGora cá está o que digo e o que escrevo e o que defendo há muita tempo; 


mas agora dito, escrito e visionado por quem sabe da coisa e tem peso no nome, apesar de também ser manel, mas o apelido é castells

em jeito de resumo:


De acordo com o sociólogo, a escola sempre interpretou dois papéis: transmitir os valores dominantes da sociedade e informar os alunos. Porém, argumenta, a insistência em uma pedagogia baseada na transmissão de informação não pode mais existir, porque 80% da informação mundial está contida na Internet. O papel informacional deve ser reajustado ao dar poder intelectual. Não é a informação que deve ser ensinada, mas como buscá-la e combiná-la nos projetos pessoais de cada aluno. 
© obvious: http://obviousmag.org/sphere/2014/04/o-fim-da-educacao-contemporanea.html#ixzz4ALSp3bVS 

o tempo

em particular desde o ano passado que sentia que o tempo que andava a dar para o desenvolvimento de trabalhos era algo excessivo;

tenho organizado as tarefas em face de um planificação de conteúdos - uma metodologia direi algo tradicional, como muitos farão;

contudo, a dinâmica de trabalho dos alunos levava-me a verificar que o pessoal deixava para o final a concretização do trabalho; tanto que me levou ainda o ano letivo passado e já este, a criar outras estratégias que permitissem envolver o aluno de oura forma - tarefas à sessão, produtos complementares, ações específicas e pontuais;

no final deste ano e a trabalhar com turmas em início de ciclo, vá de experimentar alternativas;

conteúdos complicados, o tempo do castelo local - afinal qual o papel, as funções e o interesse do castelo;

implica partir do presente e ir atrás, pesquisar e, o mais importante, criar relações que não estão disponíveis no dr google, nem na wikipédia, nem de forma simplista por aí, à flor de teclas;

tempo de trabalho, duas sessões, apresentação na terceira;

e não é que resultou;

se fosse por uma planificação mais tradicional, ficaria entre 3 a 5 sessões; menos tempo deu empenho, vi entusiasmo, curiosidade, partilha com pais e mães na procura de respostas, na construção de respostas;

interessante; valeu o tempo
já há algum tempo que desisti de falar na sala de professores sobre questões de trabalho diferenciado, de metodologias de projeto ou apenas de outras formas de ensinar e de aprender;

há já algum tempo que desenvolvo, pesquiso, procuro, questiono sobre outras formas de encarar a escola, a educação, o ensino, a dinâmica de sala de aula;

há já bastante tempo que procuro desenvolver, implementar e experimentar outras formas de trabalhar com o aluno, os conteúdos, de concretizar objetivos, metas ou o que seja;

mas, de quando em vez, despisto-me e alongo-me em conversas; ontem foi o caso e vi a cara com que me olhavam, como se fosse um alien, um extraterrestre, como se visse e ouvisse o balão de conversação preenchido com a surpresa do que faço, como se fosse possível;

e é possível;

agora ando entusiasmado com o trabalho de projeto;

sempre foi a minha paixão e o centro do meu trabalho; ultimamente reconfiguro processos, adequo estratégias e aprendo um pouco mais;

segunda-feira, 30 de maio de 2016

recursos humanos

na generalidade das instituições (em particular das escolas) não conheço, não me apercebo, não vislumbro estratégia de gestão de recursos humanos;

certamente que aquando da distribuição de serviço docente deverão existir critérios, orientações, umas explicitas e conhecidas, outras nem tanto, sobre a coisa, mais não seja naquilo que uns quantos designam de perfil para (o que quer que seja);

mas uma estratégia sustentada, orientada, coerente, organizada, divulgada, eventualmente mas não necessariamente debatida, não conheço;

cada um faz o que pode, o que sabe ou simplesmente o que quer; cada um segue mais ou menos as suas orientações, com maior ou menor criatividade, flexibilidade ou ligeireza;

mas gosto de ver, neste final de ano escolar, o quanto brilham alguns olhinhos de docentes quando organizam coisas que gostam, promovem iniciativas na qual se reconhecem e assumem;

foi ver uns quantos cabisbaixos, quase que adoentados ao longo do ano, de repente, por iniciativa própria fazem a súmula dos seus trabalhos, uns quantos saem da sala de aula e dão conta do que fizeram, do gosto quer têm

e quanto é bonito ver o brilho de orgulho e satisfação no trabalho que ali está;

imaginem se existisse uma gestão de recursos humanos, das condições, capacidades, disponibilidades e vontades de ns e de outros, o que não poderia ser a escola...

do público

e do privado

não me tenho imiscuído nas questões do público e do privado por considerar que é uma excessiva cacofonia o que por aí há e se regista;

nada tenho contra o privado, nem destaco de sobre maneira o público; para além disto não consigo acrescentar nada ao debate;

contudo, não resisto a comentar, om porquê deste protagonismo individual do amarelo na comunicação social?

o porquê e o como manter uma agenda ocupada quando tudo o demais tem sofrido a bom sofrer?

o porquê de se dar destaque a um só lado, como se a existisse apenas uma verdade, uma voz?

o por quê do excessivo silêncio quer do ministério da tutela, quer dos sindicatos do setor?

sábado, 28 de maio de 2016

uma coisa é uma coisa

outra coisa é outra coisa;

esta notícia, que achei interessante, daria mano para mangas para quem, como eu, gosta de analisar e perceber as situações de disciplina, as alterações de comportamentos;

sumariamente chega-se à conclusão que existem diferentes perspetivas de análise, de avaliação como de consideração sobre aquilo que uns e outros designam como indisciplina;

para uns, alunos, diminuiu, para outros, diretores, aumentou;

e eu ainda pergunto, e os senhores diretores tiraram a ideia de onde? das participações? dos comentários? dos registos? da sua própria percepção?

mais, se fossemos ver as ideias que cada um dos entrevistados carrega sobre a concepção de indisciplina muito provavelmente ficaríamos ainda mais surpresos com a coisa;


sexta-feira, 27 de maio de 2016

coisas novas

aqui ao lado ficam, desde hoje, duas ligações novas,

uma sobre o project based learning - mesmo coisas das aulas;

outra de alguém que não é marado das ideias e ao qual não falta sal, não senhor - e que eu gosto imenso (de ler e ouvir);

experiências

e expetativas

a partir da school education gateway vá de me envolver numa área onde digo trabalhar há já algum tempo e onde preciso de mais e mais informação;

sozinho não aprendo,

nada melhor que partilhar com outros, mesmo que os outros estejam a milhas daqui;

é preciso é querer, o resto logo se verá - no fim farei os meus prognósticos;


quarta-feira, 25 de maio de 2016

por acaso

sou dos que defendo e afirmo acreditar no pai natal e no coelhinho da páscoa, mas não acredito em coincidências;

em educação e na escola nada surge por acaso, nada acontece por mera coincidência;

tudo resulta do trabalho (ou da sua falta), da dinâmica (ou da sua ausência), do empenho e determinação (ou dos modos como se orientou e dinamizou o trabalho) que se coloca na ação de todos os dias;

em educação e na escola precisa-se, muito mais que noutros campos, de coerência, persistência, perseverança;

em educação e na escola precisa-se, muito mais que noutros campos, de tempo; para crescer, conhecer, ser, duvidar, questionar, aprender, decidir;

quando muitos se mostram espantados pelo empenho, entusiasmo e trabalho de alguns alunos, em particular daqueles que vivem da fama (e de algum proveito) de nada fazer, não acontece por acaso, não é mera coincidência;

em educação e na escola nada surge por acaso, nada acontece por mera coincidência;

e como gosto de chegar aqui e de ver o quanto se cresceu - muitos nem deram por isso; mas não foi o acaso, foi trabalho....

terça-feira, 24 de maio de 2016

surpresas

final do ano letivo e as propostas de trabalho que apresentei (o tempo do castelo) assumem o cruzamento entre uma dimensão de rigor e exigências (ao nível disciplinar) com dimensão lúdica (assumido o final de ano e de aprender a brincar);

com este cruzamento apenas pretendo aprofundar o tempo histórico, por um lado, como o de ajudar o aluno a criar os seus sentidos de trabalho escolar, de organização e orientação sem que ele se aperceba mas que, quase que de repente, a coisa esteja ou seja evidente para o próprio;

na apresentação, que fiz na semana passada, não senti grandes reações, nem foram feitos comentários que despertassem alguma atenção;

no decorrer da semana as perguntas que me chegaram foram escassas e de uma aluna apenas;

hoje, em contexto de sala de aula, ia preparado para fazer o ponto de situação e, se fosse necessário e para quem o fosse, reconfigurar estratégias, alterar propostas;

qual quê, fui deveras surpreendido pelos alunos, empenhados, interessados, curiosos, orientados, questionadores, já com imenso material recolhido ao qual apenas faltava um sentido de coerência;

propostas interessantes, perguntas deveras mobilizadoras, uma dinâmica que me deixou algo surpreendido e um envolvimento algo arrebatador, tanto de cada um dos alunos envolvidos, como dos grupos de trabalho como se esticam e apelam à participação de outros docentes para poderem falar sobre o tema sob outras perspetivas;

resultado, o tempo do castelo já tem preparado e organizado e quase que pronto, uma visita, uma palestra com docente da casa conhecedor da área, o envolvimento de docentes de ciências para falar da fauna e da flora, da física para perceber o funcionamento das portas do castelo, jogos didáticos e mais umas quantas coisas que terei de agrupar;

fiquei surpreendido, mas agradavelmente surpreendido - de vez em quando vale a pena;

resultados e processos

há uns anos atrás um chefe que tive virou-se para mim e apregoou clara e assumidamente em tom menos bom

és um tipo de processos e não de resultados;

na circunstância não retorqui, considerei que não era o contexto; depois tive oportunidade de trocar ideias com ele (pessoa de quem muito gosto);

efetivamente não há resultados sem processos, são estes, no meu entendimento, os elementos determinantes não apenas para obter resultados mas, particularmente, para consolidar resultados;

o processo de promoção do sucesso tem passado, em excesso, no meu entendimento, pelos indicadores de resultado, minimizando processos (ainda que estejam presentes, mas não lhe concedem o lugar de destaque e de prevalência que considero mais necessário);

aparentemente a coisa ir-se-á manter, sucesso pelos indicadores de medida, pelos objetivos alcançados, pelas medidas comparativas - afinal o meu antigo chefe é um dos responsáveis pela promoção do sucesso;

e eu pergunto,

não seria tempo e oportunidade de o local pensar os processos como forma de otimizar resultados?

não seria oportuno pensarem-se formas de nos organizarmos, em função de desafios, oportunidades e contextos?

não será tempo de se equacionarem e experimentarem (com avaliação e aferição) formas mais flexíveis de resposta ao insucesso, ao desinteresse, à indiferença, à falta de sentidos escolares e sociais?

sobre a mudança

por vezes sou crítico (quase sempre, assumo);

primeiro por que gosto de pensar com a minha cabeça, para os meus botões mas em voz alta e sobre os meus contextos (de espaço, de tempo, de saberes);

mas também por que gosto de equacionar outros modos de fazer a coisa, alternativas aos sentidos únicos;

assumo plenamente a responsabilidade dos meus atos, condição essencial para o exercício da minha autonomia profissional;

habitualmente deixo as pessoas a pensar e a pensar mal de mim, que sou destrutivo, pessimista, derrotista - nada de mais errado;

ultimamente faço perguntas, sou muito mais mesquinho e rebuscado, as pessoas gostam mais e as opiniões, pelo menos algumas, até se mudam;

não quero mudar o mundo, quero apenas mudar o que está ao meu alcance

e há tanta coisa ao meu alcance

segunda-feira, 23 de maio de 2016

sobre as tutorias

um curto parágrafo do que escrevi no sítio ComRegras:

(...) as tutorias não se podem constituir como resposta organizacional ao desinteresse, desmotivação, alheamento e indiferença do aluno. Nem tão pouco à falta de bases ou pré requisitos, à escassez de hábitos e métodos de estudo, entre as coisas mais ou menos habituais. A tutoria é um processo individual. A escola precisa de respostas organizacionais, coletivas.

regulação pela ação

a segunda versão do provável despacho relativo à organização do próximo ano letivo tem coisas que considero interessante;

direi que assenta em processos de regulação pela ação docente expre3ssos no artº 2º dos princípios;

a questão que se me coloca é outra e direi que algumas das suas alíneas podem ter uma tradução prática, assim (primeiro o exposto na proposta a seguir ao sinal a minha tradução):

Definição de regras e procedimentos que permitam o trabalho regular em equipa de professores, tais como a preparação e a realização conjunta das atividades letivas, bem como a avaliação das aprendizagens = o chefe manda, os outros obedecem; 
Implementação de momentos específicos de partilha, reflexão dos docentes sobre as práticas pedagógicas = conselhos de turma a dar com um pau; reuniões sobre tudo e para quase nada - mas a reunite destacar-se-á;
Intervenção preventiva sobre os fatores/preditores de insucesso e abandono escolar = mais grelhas e tabelas e matrizes;
Promoção da inovação e a diversificação de metodologias de ensino e aprendizagem = tragam os tablets e a coisa é inovadora, mesmo que não haja elementos de aferição ou avaliação; 

ar

o ar que se sente pelos corredores da escola é pesado, denso;

não por constrangimentos ou opressões

apenas por que o fim está quase e, como se diz por esta minha terra, o rabo é o mais difícil;

falta o quase

absentismo

ando a redigir algumas notas sobre este meu ano, passado num contexto diferente;

estranhei, claro está, umas coisas melhores, outras nem por isso - como tudo, ou quase; não me integrei nem deixei ser integrado, por tudo o que estranhei;

na escrita e nas notas que tomo sobre este ano escrevi assim, ainda há pouco

a indiferença não é apenas do aluno, passa e muito também pelos profes pelos profissionais, pela escola, como nos organizamos e como essa estratégia se prolonga por nós e se imiscui em contextos e circunstâncias sociais; o absentismo eleitoral tem explicações profissionais, sociais e organizacionais

abaixo

de quando em vez vou-me abaixo;

opto por não escrever aqui, apenas para colocar na gaveta;

a dimensão diarista (e pessoal) ganha espaço que não cabe numa dimensão pública,

assim, opto pela distância,

segunda-feira, 16 de maio de 2016

o aluno

uma síntese, com destaques do editor, hoje disponível no ComRegras:

Na generalidade das situações, as causas apontadas para o insucesso (e que se relacionam estreitamente com os comportamentos) dizem respeito ao que designo como santa trindade do insucesso, desinteresse, indiferença, alheamento. Esta triangulação tanto se expressa por disciplinas, como por docentes, tanto pela escola como pela falta de sentidos pessoais.Vai daí não seria interessante criar formas de promoção do sucesso escolar que passassem pela criação de sentidos e objetivos de vida ao aluno? Não seria muito mais interessante promover formas e estratégias de apoio ao aluno para que ele consiga perceber e pensar quais os sentidos da escola, definir objetivos pessoais, agir socialmente em conformidade envolvendo-se com a vida e não apenas com a escola?Relacionar insucesso escolar com conteúdos e práticas disciplinares é escasso em medidas de promoção do sucesso. Bem que se podiam perspetivar e analisar a alteração de instrumentos de avaliação, da organização dos tempos curriculares, privilegiar dinâmicas de envolvimento local (desde a história à ciências, passando pela geografia, matemática e todas as restantes) em processo de conhecimento como de dinamização de ações. Que tal equacionar o envolvimento social em dinâmicas escolares e pedagógicas, como sejam a promoção de ações em torno da cidadania, do civismo, do empreendedorismo social.

democracia

já aqui abordei a questão do isolamento docente (ou profissional, por que a docência não tem exclusivos), como abordei a escola que existe que é aquela que nós fizemos e construímos todos os dias;

a questão hoje entre isolamento e a escola que temos é perguntar por onde fica e por onde anda a democracia na escola?

entendo por democracia a existência de espaços de debate e de circulação de ideias, onde, em face das diferenças e das divergências, o voto da maioria se expressa como vontade democrata;

e aqueles sítios onde não existem espaços de participação?

é que há sítios onde, para felicidade da maioria (?), não existem reuniões, encontros, espaços de exercício da democracia profissional;

a democracia fica-se pela vontade de uns quantos?

aplaudimos o tempo disponível sabendo que damos de barato a nossa participação cívica, profissional e social?

será que depois nos queixamos? a quem? será que culpamos os políticos da 5 de outubro? porquê?

o local esvai-se na sua própria indiferença...

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