segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

inquietações

sou, por natureza, inquieto e irrequieto;

procuro sempre mais, nunca está completo, nem completamente pronto;

no que diz respeito à escola então é mesmo o meu defeito;

desta feita, uma forma de partilha e colaboração - com profes mas também com alunos - a partir daqueles que são hoje predominantes em sala de aula, o quadro branco;

um quadro branco interativo

o problema é saber parar, saber dosear a coisa, para que a rotina não se instale, nem se caia no excesso das variações;

currículos e comportamentos

será que se pode estabelecer alguma relação entre currículo (conjunto de saberes, estratégias e modos de avaliar) e comportamentos escolares?

será que os comportamentos escolares podem ser condicionados pelas disciplinas escolares?

pessoalmente respondo que sim e já na semana passada me insinuei pela escrita;

hoje sublinho ainda mais esta ideia perante as notícias que dão como certa alteração da relação entre disciplinas;

direi que se é certo que a indisciplina se afirma, de forma mais preponderante, no 3ºCEB por via dos interesses, ou falta deles, dos sentidos de escola, ou da sua falta, do sucesso, ou do seu contrário, então teremos que assumir que existem algumas disciplinas onde os comportamentos se afiguram como mais débeis, críticos

caso das disciplinas com maior número de tempos semanais, pelo cansaço que se acumula, pela relação que se desgasta;

caso das disciplinas com maior insucesso, por via do desinteresse, do confronto connosco;

caso das disciplinas com exames, por obrigações docentes de cumprimento de metas e programas;

se assim for então a alteração do currículo poderá vir colocar pelo menos alguma águia na fervura que são os comportamentos escolares hoje em dia, muito por via dos desgastes, do cansaço e do manifesto desequilíbrio curricular existente;

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

toons

de brincadeiras, não fosse eu do tempo dos looney toons - coisa maravilhosa;

gostava eu de ter mais tempo, ou, pelo menos, não tanta pressão em cima, para poder explorar algumas coisas que vou por aí encontrando e são tantas;

dei agora com uma alternativa ao power point, prezi e coisas que tal - de nome PowToon;

vejam, eu já experimentei e é uma maravilha, aguardo pela reação dos alunos;

olhares

externos de dentro;

bloco de 45', dedicado a apresentação dos trabalhos de dois grupos de alunos;

por via de um excessivamente pesado e de uma internet lenta, a coisa atrasou-se

aproveitada para dar indicações sobre o que se segue - tema, propostas, conteúdos;

mas a coisa atrasou e entretanto chega a docente seguinte, para os outros 45 minutos;

pergunto-lhe se me concede uns 5 ou dez minutos para que o último grupo possa apresentar; que sim, força e apresta-se a sair;

convido-a a ficar; assiste à apresentação; no final peço-lhe comentários que elas faz; gostei e avaliou e comentou; foi bom...

fica marcado trabalho conjunto para o terceiro período; vamos ver se consigo juntar a área social (história, geografia, línguas, visual) para dinamizar projeto e não apenas problemas;

coisas locais

notícias boas, sim senhor;

mas, permitam-me perguntar, para fazer o quê? quem dinamiza o espaço? que projeto ou que plano de dinamização tem o município?

estou certo que todos concordaremos que o espaço precisa de requalificação e não é o único;

estaremos de acordo que mais vale tarde e em ano de eleições, que nunca;

mas digam-me uma coisa, quem souber, qual o plano cultural de ação e dinamização para/do espaço, o que está previsto nele acontecer? quem se chama ou que parcerias (ou contratualizações ou projetos) se perspetivam?

fico, sentado, à espera e curioso

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

alternativas

há já algum tempo que trabalho mediante alternativas em sala de aula; há muito que abdiquei da "missa" que é uma aula e trabalho de modo diferenciado, em função de problemas ou de projetos;

considero uma e outra estratégia por via de não ser purista, adapto-me às turmas e ao aluno e ora vou por um ou por outro caminho ou por ambos ou por nenhum;

o que me interessa são essencialmente, três coisas:

envolver o aluno no seu trabalho (ultrapassar a indiferença e o desinteresse);
criar relações da história com o presente (perceber o presente pela história) e
desenvolver a autonomia e o espírito crítico com o aluno;

o trabalho passa por:

apresentar o tema/conteúdos numa lambidela, não mais de meia hora;
definir e apresentar a questão de orientação ou o problema a resolver;
definir as regras de trabalho (calendário, grupos, critérios de avaliação, procedimentos);

considero três elementos como fatores críticos:

que o aluno perceba o que lhe é solicitado,
a avaliação enquanto mecanismo de auto regulação das aprendizagens
o acompanhamento/orientação do aluno no trabalho (os recursos de pesquisa e trabalho tornam-se cruciais);

em todos eles o tempo é determinante, como fundamental é a coerência (e saber persistir) do professor;

termino mais uma série, gosto, gosto mesmo (a imagem dá conta de uma apresentação); têm melhorado significativamente, em conteúdos e trabalhos, mas, particularmente, em atitude e comportamentos;

tenho tido o privilégio e a sorte de ter gente que me segura, me cobre o risco que corro - é que a avaliação é feita em três partes mediante apresentação do trabalho à turma:

pela turma
pelo grupo que se auto avalia (individual e coletivamente) e
por mim (geralmente não digo nada nem de novo nem de útil, tá tudo dito pelos alunos);

de vez em quando surgem perguntas sobre o que faço e como faço;

de vez em quando dou conta do que faço; uns ficam a olhar, pensam mas não dizem, outros dizem e outros nem pensam;

opiniões

há muitas e a minha conta cada vez menos - cá por casa já pouco me perguntam qual a minha opinião;

mas já dei uma vista de olhos ao documento sobre o perfil do aluno no final da escolaridade obrigatória;

não irei entrar na conversa que é tema requentado, que os professores estão fartos, que não há nada de novo, que há coisas melhores a fazer ou já feitas, que é mais uma mudança de paradigma, ou que se trata de mais um eufemismo, ou que é mais com menos ou menos que mais;

cada um dirá de sua justiça, o que aprouver de acordo com o que sente, o que pensa ou que entenda;

isso é discussão pública e espero que a blogosfera participe com ideias, opiniões, posições ou o que entenda; mas participe;

da minha parte e depois de uma primeira leitura, coloco duas questões:

o porquê de só na área dos saberes técnicos e tecnologias serem consideradas consequências, será que nas demais não existem, simplesmente não se consideram ou apenas, nas restantes, se consideram despiciendas?; 


nem nas implicações práticas nem em qualquer outra parte do documento é abordada, mesmo que ao de leve, a avaliação (momentos, processos, instrumentos, indicadores), porquê? será possível considerar um currículo sem avaliação? ou a avaliação do currículo não está em discussão pública?


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Sobre a flexibilidade

De novo e a partir do meu pensamento expresso ontem, 13, no ComRegras;

Notas dos comentários que li e ouvi

Que as medidas de política são desajustadas, recalcadas ou requentadas, de duvidosa execução ou sentido prático, que existem outras, no terreno, melhores e mais adequadas.

Tudo verdades para dar sentido prático à eterna desconfiança entre governo e governados, entre quem decide e quem executa, entre quem, em limite, pode e quem sabe;

O que vislumbro por entre os comentários passa pelo sentido de risco

Risco de experimentar, de tentar, de perceber se dá ou se afinal é mais do mesmo;

Mas risco também das diatribes locais, das pequenas quezílias profissionais, dos protagonismos de preponderância ou supremacia sobre modelos, ideias, valências ou apenas meras questões de circunstancialismo local;

Cá está o que defendo e afirmei no texto, o importante papel que os diretores terão/deverão assumir para perceber consensos, pontos de convergência, traços comuns, objetivos partilhados - digo diretores mas bem que poderão ser estruturas intermédias (têm de ter é tomates, pois claro);

domingo, 12 de fevereiro de 2017

flexibilidade e professores

direi que estas notícias sobre a flexibilidade curricular, são, em contraponto ao que tem vindo a acontecer aos professores nos últimos 10 anos, pelo menos, um desafio;

desafio profissional e social, organizacional e pedagógico,

profissional por que deverão ser os professores a identificar mecanismos, estratégias e modos de flexibilização;

social, porque os parceiros locais deverão, no meu entendimento, ser envolvidos,

organizacional porque a escola tem sido rígida na sua estrutura, incapaz de se adaptar a situações e circunstâncias - um horário é atribuído de setembro a agosto;

pedagógico no entendimento grego do conceito, de levar a... de os professores serem capazes, com os seus parceiros, em face de uma organização adaptada a interesses e situações levar o aluno ao seu próprio futuro,

não vai ser fácil; a tendência passará, por aquilo que conheço, por disciplinarizar o currículo, tornar regular a adaptação, fazer mais do mesmo pelos mesmos e da mesma forma;

espero, faço votos mas.... lá se insinuarão o português e a matemática, os comportamentos disruptivos (de indisciplina) e as atitudes de cidadania, os riscos sociais e os medos presentes...

enfim....

perguntas com resposta

uma reunião de professores, um conselho de turma, como muitas outros;

em todos se desprendem comentários, soltam-se valores, trocam-se imagens sobre tudo e todos - os professores, os alunos, os pais, o sistema político e educativo, a escola, o contexto;

numa reunião são tantas as referências que nos perdemos na sua aparente vulgaridade; diz-se tanta coisa a brincar ou entre dentes que nem nos apercebemos que falamos verdade e dizemos coisa séria - tudo depende do como se ouve;

capto, registo um pormenor, numa dessas minhas reuniões; uma pergunta que encerrava em si mesma uma resposta;

diz uma professora que a aluna não gosta da disciplina, que lhe disse que não gosta da matéria;

e continua em tons de recriminação

e que quer ela que eu lhe faça? que lhe arranje outra matéria?

e porque não? será que temos de ir todos em carneirada?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Queixinhas

queixamo-nos por dois motivos, por tudo e por nada;

ora porque sim, ora porque não, há sempre um qualquer motivo, bem português, para nos queixarmos;

no meio das queixinhas certamente existirão razões, ou, pelo menos, alguma razoabilidade;

no que diz respeito aos professores então é claro; temos levado pela cabeça e por toda e qualquer pontinha do corpo; acusados de quase tudo e por quase nada;

mas pelos resultados que sucessivamente aparecem, por via de efeitos de comparação, há que tenha razão;

queixamo-nos, mas qualquer político enche a boca com os seus resultados;

aí está mais um ...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

dúvidas

e incertezas, fruto de um espírito sempre inquieto, irrequieto e algo insatisfeito - eu mesmo, pois claro;

ontem numa turma da qual todos os docentes apontam como elementos fulcrais o desinteresse, o alheamento, a indiferença, o deixa andar, a absoluta falta de resiliência, o mfacto de ninguém gostar de coisa nenhuma

(não um, mas todos os alunos, o que dá para estranhar),

optei por organizar a aula em diferentes blocos, 3 momentos distintos, com pausas e tudo e diferenciar, entre eles, objetivos, tarefas e produtos;

não correu mal; dos habituais, 30 a 40 minutos de rendimento penso ter chegado aos 60, talvez 70 minutos de assumido trabalho - a partir daí :(

deu para pensar numa das modernices que por aí circula, por alguns designada de gamização da sala de aula, (ou este, de onde retirei a imagem) isto é, tornar a sala de aula algo parecido com um jogo, seja ele virtual/digital, seja ele real, físico;

não sou, em área nenhuma, purista de coisa nenhuma, para dar conta que irei, de acordo com as minhas possibilidades e capacidades procurar criar e adaptar lógicas de jogo a algumas das turmas - mais não seja para ver o que dá;

requererá algum trabalho, de pesquisa, organização de materiais e recursos, mas irei ver...

sinto-me sempre algo insatisfeito se não vejo o olhinho do menino brilhar de curiosidade...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

regulação das aprendizagens

escrevi há dias sobre estratégias dos alunos; não serão conscientes, assumidas, deliberadas, mas não deixarão de revestir modos de um certo requinte de malvadez ... ainda que infantil;

ontem vi mais um vislumbre da coisa;

faço avaliação triangulada, isto é, no meio dos processos de trabalho o aluno auto avalia-se, o grupo/turma, após apresentação de trabalho, faz avaliação e eu faço avaliação;

numa turma dei as indicações e deixei documento para o efeito, com indicadores, desde o empenho nas tarefas, ao comportamento em sala de aula ou em grupo de trabalho, à pesquisa e gestão de informação, como se auto avalia e qual a avaliação que faz de cada um dos seus colegas de grupo;

primeiro comentário para o ar, para se fazer ouvir, mas nós fizemos todos o mesmo, temos todos a mesma avaliação;

concordei, se assim foi que façam a avaliação;

e fizeram

e, apesar de uma clara tentativa de igualização, houve diferenças, pequenas, piquininas, mas elas lá estão a dar conta de quem se destacou - favorável e/ou negativamente;

coisa interessante, os mais simples, os mais humildes foram, a meu ver e por aquilo que retiro do processo de trabalho, os mais honestos;

transparência

gosto de associar ideias oriundas de sítos que não da educação ou da escola, à escola e à educação;

é o caso deste noticia referente à transparência dos municípios no âmbito da sua informação on line;

primeiro, é mesmo a norte que a transparência acontece, pelo sul aparentemente não se precisa, nem oiço queixas ou reclamações; veja-se o singelo lugar de évora, 156º e nem falo naquele onde resido, o de arraiolos, na posição 245º - será que consideram os seus munícipes idiotas? (e há bons exemplos, caso de fronteira, 20º, reguengos de monsaraz, 23º, os únicos na lista dos primeiros 30) - talvez não seja importante este processo de transparência, talvez ninguém ligue a esta coisa;

segundo, transpondo a ideia para a escola fico curioso sobre que informação surge nos portais de escolas e agrupamentos, que utilidade, que indicadores, que referências, que utilidade para quem não é da escola ou para aqueles que sendo precisam de serviços;

o que saberá o público em geral e os utentes da escola e da educação em particular sobre a sua escola, aqueles indicadores mais comezinhos, nº. de alunos, de docentes, gastos em água e luz, nº. de refeições ou aqueles já mais desenvolvidos, tempo de resposta a pedidos por via digital, serviços disponibilizados on line;

foram anos a mais a lidar com a opacidade, a dizer e a afirmar que informação é poder (não é, o conhecimento é que é poder e há quem confunda), a sonegar, a omitir, pronto, a esconder informação por mera e simples questões de protagonismos;

mas que se precisa de transparência, precisa, sem ela não há serviço público...
imagem daqui;

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

das propostas

ainda do estudo do ComRegras destaco as propostas para reduzir os índices de indisciplina;

já há coisa de dois anos tive oportunidade de participar num trabalho idêntico naquela que era então a minha escola; fiquei a falar sozinho; e vou percebendo do porquê;

as propostas sobre a indisciplina são uniformizantes, redutoras, penalizadoras de apenas um dos lados (quando quase todos apontam múltiplas referências - alunos, família, contexto), instrumentais;

engraçado que do conjunto de propostas apenas três visam os docentes,

Incluir na formação de base de futuros docentes uma componente teórico-prática de gestão/mediação de conflitos;
Fornecer ao corpo docente e não docente, atualmente no ativo, formação específica sobre como gerir/mediar situações de indisciplina escolar;
Apostar num regime de co-docência em turmas de maior insucesso escolar e/ou com problemas comportamentais.

duas assumidamente instrumentais, uma terceira que considero deveras pertinente mas que continua a ser vista como incapacidade/incompetência e não como estratégia de trabalho;

comportamentos

ou da sua falta

o ComRegras apresenta o seu segundo estudo sobre indisciplina;

elementos a reter;

mas o que retenho é a ausência de situações designadas de indisciplinas nos distritos de évora e beja (é certo que não são os únicos, mas são estes que me atravessam);

viva a planura alentejana, a calma e a tranquilidade que atravessa este espaço que é, pelos dados da amostra, um oásis;

direi que é uma ausência de nós próprios, uma consequência do espaço, estamos sempre sozinhos, mesmo que estejamos acompanhados; não damos conta aos outros do que se passa cá por casa, silêncio e a o desconhecimento faz com que tudo permaneça na mesma, como se não existisse;

comportamentos que não são de indisciplina, mas que considero preocupantes...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

e no meio

no meio da flexibilidade curricular, do crescente papel (e protagonismo) municipal na educação e na escola e eu pergunto, quem une os pontos?

as estruturas desconcentradas do ministério da educação, as ainda conhecidas como direções regionais, estão vazias (de poderes e de pessoas) desde há coisa de 4 ou 5 anos a esta parte;

quando existiam não existia diretor que delas não dissesse mal (controleiros) e público que nãos as apontasse como espaço de boys;

desde que entraram em esvaziamento que alguns sentem a sua falta, face ao vazio, uma vez que a escola fica entre pontas, o micro local e o macro sistema educativo,

no meio, nada

quem regula o regional (ou não é necessário?), lê e interpreta indicadores regionais, processa a articulação de redes, a formação de parcerias, dá voz nos conselhos municipais de educação;

aparentemente tudo aponta para que as ccdr's venham a ser protagonistas do processo, mas, até lá e durante este vazio, estão por sua conta e risco, o único elemento de regulação externa circunscreve-se à inspeção ...

é curto, é escasso, penso que faz falta algo no meio, entre o micro e o macro, que estabeleça pontes, una os pontos - senão caímos no atomismo escolar, cada um por si e salve-se quem puder...

palavras

na passada sexta feira, sem saber nem contar, acabei o dia a ouvir o secretário de estado da educação, joão costa, a falar sobre flexibilidade curricular;

gostei e, sem querer dar uma de professor que passa quase sempre por apresentar um mas... (entre dificuldades e limitações do que quer que seja), destaco duas ideias que ali ouvi;

o papel do professor na gestão da flexibilidade curricular;

os (novos) sentidos da profissionalidade docente;

alguém comentou que a questão não se irá colocar nem pelas políticas, nem pelos professores, a grande questão passa mesmo pela organização e gestão das escolas; aí é que a coisa vai "trocer";

mas, em letras mais pequenas, acrescento o meu mas...mas esta flexibilidade pouco difere do que foi a área escola; que todos acabaram a contestar; 
a flexibilidade não pode, nem deve acrescentar trabalho ao professor; deve, isso sim, identificar formas, mecanismos e estratégias de localmente se flexibilizar a organização escolar; este o grande desafio; 

biorritmo

este meu cantinho não me deixa dizer mentiras e as minhas contradições podem ser apanhadas em contra pé com relativa facilidade;

isto se alguém andar a vasculhar lá para trás o que escrevi; aqui ou nos outros lados por onde passei;

isto para dar conta que fevereiro sempre foi o meu mês mais baixo de ânimo, vontade, força;

chegado a este segundo mês do ano, estou que na posso;

dificuldades de concentração, de criação de foco, abaixamento de rendimento de trabalho; maior impaciência;

enfim, estou desejando o sol da primavera;

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Ai Jesus

De acordo com as notícias fico mesmo a pensar

Ai jasus tadinha da minha escolinha...

Surpresas

E quando a minha (e de mais gente) pior turma apresentam os melhores trabalhos?

Ficamos assim a modos que a tentar perceber o porquê?

Desconcertante

Mais do que andar "arreliado" com algumas das minhas nas turmas, no sentido de procurar estratégias e metodologias de trabalho do aluno, também me sinto algo desconcertante com as mesmas turmas;

Dois grupos com quem não me tem sido fácil, nem aos restantes professores, identificar estratégias de envolvimento e trabalho do aluno;

Percebo que eles mesmos, os alunos, assumem hoje outras formas de gerir a sua relação com os professores, com a escola, com os colegas, com o trabalho escolar;

São formas mais, direi, descontraídas, descomprometidas;

Arreliam os professores, perante a dificuldade de identificar formas de trabalho que os envolvam,

Preocupam pais, pelo ar despreocupado quando não descontraído com que assumem as suas responsabilidades,

Depois, entre umas coisas e outras, dois grupos apresentaram ontem trabalho de projeto;

Um quase excelente, outro quase extraordinário;

E eu, professor, como fico no meio da dinâmica da qual não dou conta mas que tem resultados?

No mínimo desconcertante...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

estratégias

de sala de aula;

a partir de uma entrada (irritação) minha dou conta do que sairá à cena;

já experimentei trabalho de projeto; já fiz trabalho à sessão;

agora irá sair um mix, entre trabalho de projeto e trabalho à sessão;

tendo por base um tema dos conteúdos, lançar uma questão/problema para apresentação de propostas na semana seguinte;

estamos limitados às pesquisas (por disponibilidade de recursos ou por vontades), assim irei partir do manual, dos textos e das referências que ali constam;

lançar a questão/problema (no caso à luz das transformações culturais do século XVIII qual o papel da ciência hoje - como se faz ciências);

e, em vez de andarmos duas ou três semanas em exploração, orientação, trabalho é mesmo de uma semana para a outra;

vamos ver (e avaliar)...

governar por decreto

nunca tínhamos assistido a tantas assinaturas de um presidente americano (ou de qualquer outro lado) como nesta última semana com Trump;

é o governo por decreto, como se por decreto se alterassem modos e modelos, lógicas e princípios;

nada muda,

apenas uma visibilidade que nunca antes houve; é o campo das intenções, dos desejos ou das vontades;

até parece na escola, onde, não poucas vezes, há a tendência de governar por escrito, dando ordens por escrito;

e depois falam em RAM - resistência à mudança;

ah pois é...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

alternativas

o meu principal desafio passa por pensar em formas, meios, estratégias, metodologias que envolvam, impliquem e mobilizem o aluno;

estar numa sala de aula com mais 20 pessoas que pura e simplesmente não querem ali estar é um desatino só compreensível para quem lida com a situação;

para além de não quererem, quando resistem, ou quando criam dificuldades, quando regateiam tudo e mais alguma coisa, a situação torna-se ainda mais complexa;

um fala, outros não ouvem, todos falam, todos se fartam, ninguém ouve nada - o tempo passa... leeeennnnto;

irritante

tenho uma turma, em particular, mas não só, que me tem irritado, pelo facto que não consigo identificar estratégias ou metodologias que alterem comportamentos e, principalmente, modifiquem atitudes;

são de uma total e completa displicência, abandono, desinteresse; não têm más notas; inclusivamente na disciplina estão acima de qualquer linha de água;

mas com uma displicência, uma atitude em sala de aula que dá a volta a um santo - e logo eu, que nada tenho de santo;

como fazer, como proceder? tenho de mobilizar recursos para dentro da sala de aula, tenho de pensar em estratégias de envolvimento do e com o aluno; mas falta-me perceber como, o quê...

e continuo a dar a volta à coisa, a moer ideias e a pensar em alternativas;

alguma coisa há de sair

utilidades

a formação, qualquer formação, serve para aquilo que com ela fizermos;

decorre de interesses, objetivos, estratégias (individuais, profissionais, pessoais);

a formação serve sempre para alguma coisa;

mais não seja para falarmos sobre ela, retirarmos ideias, trocarmos opiniões, dizermos bem ou mal, que é isto ou aquilo;

basta falarmos, para que tenha sido útil;

pelas conversas a formação foi útil;

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Diferentes mas iguais



Duas abordagens que dizem aparentemente a mesma coisa mas assentam em princípios bem diferentes ;

Têm, assumidamente, uma mesma mais valia, falam de coisa tão banais, tão banais que ajudam o pessoal a pensar-se;

E dizem ou defendem uma mesma ideia

A necessidade de flexibilidade, de criar condições de adaptabilidade (organizacional, turmas, avaliação, currículo);

E ambos defendem a mesma ideia, é preciso ousar

Sou suspeito, mas gosto de ouvir

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

curso


apesar de curso não se irá ensinar (quase) nada;

amanhã, a abrir, David Justino e José Verdasca; dois olhares sobre uma mesma situação, o sucesso do aluno e os modos de a escola se organizar;

têm os dois o mesmo defeito (entre outros) são ambos de economia, da área da gestão com assento na educação;

têm os dois uma mesma virtude, entre outras, sabem o que dizem, percebem do que falam;

se conseguirmos pensar juntos seria uma coisa interessante e mais interessante ainda se tirássemos ilações em conjunto;

começa amanhã; escola secundária de montemor-o-novo;

no âmbito da formação de professores, no qual está acreditada na modalidade de curso de formação, as inscrições foram largamente superadas; em termos individuais, quem quiser que apareça;

coisas das aulas

literalmente, e agora comigo mesmo;

um aluno dava voltas ao manual; ora prá frente, ora para trás;

que procuras?

onde é que está aqui esta matéria, e lá dizia o título do conteúdo;

está aí mesmo, disse eu referenciando o livro;

mas onde? que não encontro nada;

pensei cá para comigo, assim, num instante

hipótese 1, dizer ao aluno onde está; despachar a coisa;
hipótese 2, dizer ao aluno que terá de procurar;

optei pela segunda hipótese; e disse ao aluno que bastava ele ver e não apenas olhar e que esse ver implicaria talvez um pouco de leitura; pronto, tábém, deixei a recomendação, que podia procurar pelo princípio, pelo índice;

continuei a circular pela sala e, de quando em quando, a deitar o olho ao aluno; de modo a que não perdesse a curiosidade, que não desmobiliza-se;

às páginas tantas, pergunto, então, ainda não?

oh professor, tou farto de olhar e não vejo nada,

e já leste o que tens pela frente? começa pelo princípio;

e assim fez,

às páginas tantas, um grito na sala, até que enfim, professor, tá aqui mesmo; bem que podia ter dito

mas não disse, disse-lhe uma outra coisa, que aprender também da trabalho;

domingo, 22 de janeiro de 2017

uma questão de poder

retomo uma entrada minha e uma notícia de fim de semana;

será tão certo quanto inevitável que os poderes locais se alarguem e abranjam áreas que até há pouco era ou impensável ou altamente melindroso;

a educação, a saúde, diferentes dimensões da segurança social terão tendência para se deslocarem para o local;

a questão, no que se refere à educação (mas não só) passa pelos receios que muitos têm que o poder local (onde nem todos têm a mesma concepção de democracia e de gestão local) interfira, ganhe entrada de ingerência na escola e exista influência/interferência na gestão escolar;

ingerência e interferência que não interesse, pois há muito que os poderes locais são chamados à escola (tal como os pais) para resolver problemas mas, raramente, para que deixem a sua opinião, o seu contributo; só recentemente o fazem por via legislativa;

a questão passa, no meu entendimento, por o local profissional saber afirmar a sua posição, defender os seus interesses, fazer valer a sua posição e as suas ideias;

e só será possível mediante a participação, o envolvimento e a militância profissional;

se o local profissional, há semelhança dos alunos, mostrar desinteresse, se alhear dos seus destinos, se  afirmar pela indiferença, pelo deixa andar não me moam, nessa situação estou certo que outros ocuparão o seu espaço;

e é o que se passa em muitos conselhos gerais; mais por ausência de ideia e de uma posição profissional do grupo docente, outros (pais, município, cooptados) têm ocupado aquele que era o espaço pedagógico dos professores, afirmando e defendendo ideias e posições que deviam ser os professores a dizerem suas;

compete ao local profissional ora vivificar os espaços locais de participação profissional, como criar outros que permitam afirmar e defender ideias e propostas, ser alternativa a desvarios vários;

aqui estou de acordo com o presidente, só há ditadores por que alguém os consente;

uma questão de silêncio

em fim de semana reconheço que hesitei em escrever sobre o silêncio;

em tempos marcados por um ruído crescente, com fontes de ruído tão diversificadas quanto cada cabeça, falar de silêncio quase que pode ser contraproducente;

mas cá fica o meu silêncio;

silêncio para destacar o problema de grande parte (mas não de todas) as chefias, dos chefes; sejam eles governantes nacionais ou locais, diretores disto ou daquilo ou simplesmente da escola/agrupamento;

há um momento em que o chefe se envolve, implica, participa, está no meio de nós;

há, diz-se por aí, um qualquer estado de graça que faz com que o chefe oiça o que lhe é dito; são as enchentes de gente depois das vitórias, do reconhecimento e da assunção dos poderes; nestes momentos é bom ouvir, se é que ouvem alguma coisa;

depois as medidas tardam? é por andar a conhecer a casa; as medidas falham? precisa-se de tempo; não obedecem às orientações? por que há, dizem, resistência à mudança;

ao fim de algum tempo, os chefes metem-se para dentro, tardam em ouvir por que não gostam de ouvir o que se lhe tem para dizer; insistem e persistem no seu isolamento;

remetem-se ao silêncio e é vê-los mais envolvidos, mais conversadores, mais ouvintes com quem não é da casa do que com os da casa;

os chefes isolam-se, remetem-se ao silêncio, sobem ao seu cantinho, seja ele um aquário de terceiro andar ou um pedestal longe de tudo e ficam em silêncio;

no meio do silêncio não há problemas, não há moengas, não há ruído, não há contraditório;

no silêncio não há nada...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

adorei

que um colega desse conta de episódio em sala de aula;

diz que apresentava tema que o apaixona, do qual gosta claramente;

que apela à participação, à interação com os alunos; que digam a sua opinião, que digam o que pensam;

está, diz, plenamente, embrenhado na aula;

vê um dedo no ar

desloca-se na sala, diz ao aluno para que diga, dê a sua opinião,

o aluno, nada, continua de dedo no ar;

o profesor insiste, diz, diz...

posso ir à casa de banho?

É sexta feira

Pelo Alentejo, tradicionalmente conhecido pelo tempo quente, tá um frio de rachar;

De rachar o gelo, de rachar ideias,

Nos últimos tempos refugio-me na braseira, aqueço para me arrefecer daqui a pouco;

É sexta feira, valha-nos isso 😀

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Trabalho do aluno

No segundo período dei duas opções de trabalho e de avaliação;

Trabalho de projeto, trabalho por sessão;

quem optou pela opção de trabalho à sessão está algo arrependido, que preferem o trabalho de projeto, que a ele regressarão quando tiverem nova nova oportunidade.

Aqueles que estão em projeto têm sentido alguma dificuldade em tratar a questão, que reconheço complexa (qual a regra, qual a excepção no período de antigo regime);

Perante as dificuldades que desde cedo identifiquei (pegar no problema e não desistir) tenho percebido que há duas questões que se afirmam como cruciais:

a organização do trabalho (o pessoal não planeia, não se organiza e estamos quase no fim e há muitos ainda algo atrasados);

 e, segunda ideia, uma manifesta dificuldade de distribuir tarefas, de os grupos se organizarem.

Gera alguma tensão e conflitos. Mas estou a gostar.

inevitável

o processo de desconcentração, descentralização e reorganização política e administrativa;

não tenho grandes dúvidas que a modernização administrativa passa por aproximar serviços do público em geral;

não se me oferecem grandes dúvidas que muitos de nós irão tremer por questões político-partidárias;

que se irão invocar situações e questões de clientelismos, compadrios, amiguismos, and so on, como se a centralização burrocrática não tivesse isso mesmo, não padecesse de males;

a questão central passa, no meu entendimento, por reforçar não só a delegação de poderes e competências, como pelo reforço da participação e envolvimento dos diferentes profissionais;

que não nos desliguemos, que não desmobilizemos, que não nos tornemos indiferentes nem alheados do que se passa, pode ser a melhor oportunidade de reforçar capacidades e competências;

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

quem não quer aprender

volto a uma temática que me dá a volta ao espírito, tentar ensinar quem não quer aprender;

tenho uma turma, que vem do ano letivo anterior, marcada por uma significativa indiferença, alheamento e um não querer saber de nada, que incomoda, que irrita, que faz com que aquele tempo em sala de aula seja assim a modos que... nunca mais passa

pensei ser comigo, face a uma outra metodologia de trabalho, à configuração de outras estratégias de sala de aula; dei tempo ao tempo; nada;

percebi que não era só comigo, praticamente todos os docentes do conselho de turma indicam as mesmas situações, total e completa displicência, (quase) total indiferença;

contudo e de um ano para o outro, dá para perceber o jogo que é feito por uns quantos; indiferentes, alheados, displicentes mas com resultados qb, dois ou três níveis inferiores a 3, nada de monta, nada que não seja recuperável no médio prazo, com um outro empenho, com uma outra atitude;

e a minha questão é, como trabalhar com alunos assim? alunos que não querem, que mostram indiferença, que estão noutro lado, que não têm objetivos? mas têm notas?

(a)normalidade

a diferença entre aquilo que consideramos normal e aquilo que designamos de anormal é um a(zinho); simples;

desde há muito que está instalado no sistema educativo português (na cabeça de praticamente todos os seus atores), que o insucesso é "normal";

ainda recentemente ouvi, em processo de análise estatística de resultados de 1º período, que 27% ou 30% de insucesso numa turma é "normal";

o insucesso escolar é uma ideia instalada, tornada natural e normal por um sistema que, apesar de favorecer mobilidades sociais, também funcionou (e funciona) como coador de hipóteses, depurador de gentes, filtro social;

perante ideias feitas e pré concebidas,
perante a rigidez de um sistema que persiste em ensinar a muitos como se de um só se tratasse,
perante estratégias de promoção do sucesso que mais não fazem que uniformizar e homogeneizar procedimentos,
perante a obrigatoriedade de cumprimento de normas e indicadores estatísticos,
que fazer...


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

+ democracia

recebi o questionário referente ao modelo de gestão para as escolas do básico e secundário;

a grande questão é mesmo de feitio e não de modelo, digo eu;

as diferentes questões remetem para duas áreas que dificilmente se conseguem equilibrar, a não ser por opções assumidamente políticas - isto é, escolhas das pessoas;

uma na área do modelo de gestão enquanto modelo de política educativa, uma outra quanto ao exercício e aos modos de ação pessoal/individual do gestor;

e, no meu entendimento, parte e mistura dois pressupostos que não são fáceis de conciliar;

um diz respeito ao caráter e à personalidade do diretor/gestor que, por razões de controlo, se afirma entre um cargo unipessoal e outro colegial como se isso fosse remédio para os devaneios de muitos;

segundo mistura órgãos de topo com órgãos intermédios, misturando nessa ideia, lógicas e modelos de gestão - aqueles que consideram a escola enquanto sistema público de ação coletiva, e aqueles outros que equiparam a gestão escolar a uma gestão empresarial;

considero que a democracia tem as suas ferramentas próprias para resolver os problemas que ela mesma coloca - participação, deliberação, envolvimento, implicação;

e que a grande moenga das escolas é similar à moenga do país, indiferença, alheamento, desinteresse; isto é, grande parte dos profes estão desligados das dimensões mais coletivas da sua profissão; não é por mal, é apenas por desinteresse;


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Alentejo que morre

o Alentejo está envelhecido; as crianças escasseiam;

em contrapartida os problemas e as moengas crescem ao ritmo das geadas por esta altura;

por esta região e na sequência de outros casos, poucos serão os que não têm uma história de suicídio para contar;

a semana passada não me tocou diretamente, mas calhou a amigo;

a terra sentiu-se, as pessoas comentaram;

no cemitério, logo ali junto de mim, mais duas campas com a designação de suicídio;

crescer com esta moenga; é duro, não é natural nem sequer normal, mas torna-se normal, naturaliza-se;

é a morte, o que se lhe há de fazer, comentava a ti maria a tapar o sol que a incomodava àquela hora

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

formação

a decorrer pela escola por onde ando e onde estou;

se correr bem é por causa de todos;

se correr menos bem digam, porque sou um dos responsáveis pela sua organização;

preocupação (ou objetivo), dar conta de diferentes perspetivas sobre a mesma coisa, saber que há diferentes olhares (e pensares) sobre um mesmo tema;

por outro lado, aliar pensamento e ação, isto é, (quase) todos os eixos têm uma componente teórica e uma componente prática;

mais informações,

gosto é de ouvir os comentários; típico, ora se diz por fazer ora por não fazer,

desde que se mexa, pimba

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Porra

Não costume fazer ouvidos moucos ao que se diz em sala de aula, nem fingir que não vejo o que acontece;

Uma aluna solta um porra, que se lixe - e não foi propriamente ao ouvido de colega, ouviu-se "loud and clear";

Chamo-a à atenção, e com toda a estupefação de surpresa, pergunta-me porquê, porque a advirto e a repreendo;

Lá lhe digo que não é preciso correr, pode ir a andar uma vez que estamos no Alentejo e a coisa faz-se devagar;

E pergunta, repetindo, mas porra é palavrão?

Até pode não ser, se em casa assim lhe o ensinaram, mas como exijo linguagem formal (porque escolar e porque em sala de aula) não lhe permito esses desvarios;

São estas pequenas situações, estes "incidentes" que se não forem corrigidos em tempo se tornam comuns e se passa a aceitar o anormal como normal,

Daqui a pouco estamos no tu cá, tu lá - tábém tá

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

regras

precisam-se

gostei desta exposição;

afinal não é apenas comigo; não sou eu que estou a ficar velho, cansado, impaciente, farto;

não é apenas na minha escola que acontece; não sou eu que estou a ficar desusado,

se bem que, quando o escrevi, houve quem me corrigisse o léxico e a paciência;

nada disso; é em mais sítios, com mais gente; há outros que fazem tilt

e a questão é aparentemente simples;

precisam-se de regras

e os pais/encarregados destas criancinhas, destas mesmas que esgotam a paciência, tiram um professor do sério, nos fazem questionar e interrogar sobre o que fazemos e o que somos, pedem-nos ajuda, acusam-nos de nada fazer, apontam o dedo qual inquisidor;

isto aconteceu com uma turma cujo diretor de turma foi acusado pelos pais de nada fazer em prol dos comportamentos, dos professores não mobilizarem os alunos contra o seu desinteresse, de as estratégias falharem no envolvimento e motivação dos alunos, dos docentes não estarem a fazer tudo o que podem e... devem (?);

espera lá, mas estamos a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada?????

o que compete a quem?

a quem compete o quê?

não se confundam papeis, não se misturem funções, não se baralhem objetivos...

+ do mesmo

o ano letivo passado "perdi" dois alunos para o abandono - um por via de absentismo outro por abandono puro e simples;

lá se trataram dos papéis e da papelada, se elaboraram relatórios, coligi dados e indicadores, estatísticas e referências de cada um, de cada caso;

fizeram planos individuais, falei com pais, psicólogos, assistentes sociais e outros que mais;

nos conselhos de turma de então, redigiram-se e apresentaram-se propostas, alternativas, hipóteses;

criativas, como é meu hábito,

com leituras da legislação não comuns, fora de uma norma, mas com propostas de enquadramento legal;

de todas as propostas apresentadas apenas uma foi então aceite;

os alunos acabaram por abandonar;

retomaram no início deste ano letivo; ambos obrigados por via judicial;

falei há pouco com o atual diretor de turma; tudo na mesma, nada de novo;

está a redigir propostas, a preencher tabelas, a escrever relatórios; a falar com psicólogos e assistentes sociais;

sabemos o fim, mas, apesar desse conhecimento, faz-se;

certo

aliviam-se consciências mas tudo continua na mesma

+ relatórios

os relatórios sucedem-se, por vezes, a velocidades vertiginosas, mais rápidos que a minha capacidade de leitura;

mas há alguns que merecem leitura;

destaco este, com coordenação de A. Benavente e P. Peixoto

por dois motivos,

uma análise de texto quantitativa, interessante, considerando a referência (da imagem) que dá conta que os conceitos
deste Relatório resultam de uma análise estatística do conteúdo dos programas de governo do PSD/CDS (anos da troika) e do PS (Governo atual). São os oito conceitos comuns mais utilizados e a dimensão gráfica traduz a sua frequência nos textos.

depois por que é mais um relatório a dar conta de factos quase inamovíveis; um sistema educativo rígido, algo petrificado, com dificuldades de se alterar;

pergunto eu, entre dimensões quantitativas e opções políticas, qual o espaço existente para a(s) diferença(s), para fazer de outro modo, para se procurarem alternativas isto porque se torna:

urgente ultrapassar uma instituição escolar instrumental, baseada na passividade e na obediência de pessoas que educadas na competição e no individualismo, são vistas como meros “recursos humanos”

gostei..., só não sei se depende de políticas (opções nacionais ou locais) se de profissionais locais - mobilizados, envolvidos, implicados

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Diretor ou executivo

A partir de um texto de hoje no público está montada a discussão sobre os modelos de gestão para a escola pública nacional;

Sinceramente, sinceramente considero que não há modelos perfeitos;

E os cargos, os órgãos são aquilo que as pessoas dele fazem;

Sei de diretores que agem e se orientam como se estivessem num conselho diretivo/executivo sem daí vir mal ao mundo;

Conheço diretores que são assumidos déspotas que utilizam o silêncio (e o medo) como modelos de gestão;

Sei de órgãos (conselho geral ou pedagógico) que assumem as suas funções e cumprem os seus objetivos;

Sei de executivos que desde sempre agiram de forma autocrática;

Reconheço que o modelo de eleição atual não será o mais adequado - muito por culpa dos corpos ou do colégio eleitoral onde se corre o risco de acontecer o que recentemente aconteceu nos EUA, ganhar aquele que menos querem;

Contudo, não sei se o problema será do sistema ou simplesmente do funcionamento dos órgãos - onde grandemente se sente a desvinculação das pessoas ao papel e aos objetivos que os deviam orientar - ser reguladores, assumirem-se como fontes de poder próprio e não meras caixas de ressonância do chefe;

Considero que aquilo que mais tem prejudicado o sistema/modelo de administração da escola tem sido a indiferença, o alheamento, a apatia da maioria que integra o pedagógico (onde se considera uma maçada as reuniões e as discussões), ou do conselho geral (onde nenhum dos corpos gosta de partilhar o seu protagonismos ou as suas estratégias com o parceiro);

memória


deu-nos aulas, ensinou-nos a viver em democracia e em liberdade;

não foi indiferente, nada lhe foi indiferente, ninguém lhe fica indiferente, goste-se, concorde-se, aceite-se ou não;

sábado, 7 de janeiro de 2017

Conhecer

O ComRegras pode ter muitas coisas mais ou menos boas; podem, sobre aquele projeto, dizerem-se muitas ou todas as críticas;

Mas, desculpem lá qualquer coisinha, tem a clara e assumida vantagem de permitir o conhecimento do que é feito; de dar a conhecer não apenas as coisas que são feitas na escola, como aquilo que se pensa sobre escola;

O estudo agora divulgado não só permite posicionar a minha pessoa e as minhas opções profissionais (no caso sobre os ditos tpc's), como permite um outro nível de conhecimento aquela que é a minha profissão;

Basta ver as notícias que são produzidas sobre o estudo e as considerações que são feitas;

digam lá se não permite perspectivar, sentir um ainda que leve cheirinho do que é a escola, das concepções e valores que essas considerações transportam...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

reflexões

pedi aos alunos da minha DT, no âmbito da disciplina de oferta complementar, que escrevessem um texto sobre o balanço do primeiro período;

o que acharam dele, o que acharam das notas que tiveram, de um novo ano, de novos colegas ou professores método de trabalho; e com formatação dada, tinham de ter, obrigatoriamente entre 350 a 500 palavras.

que nada, que coisa, e o que escrever? 500 palavras? doidera esta do profe?

recebi há pouco alguns desses trabalhos

excelentes textos, de criar pele de galinha, de eriçar os pelos; cumpriram plenamente o objetivo, foram além dele; souberam assumir posições, opções e posturas - mais de meio caminho andado para as corrigir, retificar, alterar;

para a semana é novo texto, desta feita sobre este 2º período, quais os objetivos, o que fazer para os atingir?

e as mesmas regras, entre 350 a 500 palavras;

deste primeiro leque gostei e muito;

sem vínculo

Uma colega, à volta da camila, dizia que se sentia cansada, a sossobrar no ânimo, que a escola já não se vivia

Que aquela não era a sua escola;

Entre dois dedos de uma conversa tão rápida quanto um curto intervalo, nos apercebemos que perdemos o vínculo à escola, que falta militância, isto é, vida à escola e à profissão docente;

Que antes, em tempos, o informal permitia resolver problemas, que proporcionava vínculos afetivos e que, com isso, alimentava a militância de se ser professor naquela escola;

Hoje, as regras da formalização, a confusão criada e exercida entre formalismos e profissionalismo cria distâncias entre as hipóteses e as soluções, isola pessoas e seca as emoções de sermos professores;

 ser professor já não é um prazer, mas uma obrigação, uma função - funcionalizou-se não só uma profissão que muito tinha de espírito, como a ação de se ser professor...

Os apertos que os professores têm sentido e sofrido, ora de políticas educativas neoliberais, ora de diretores mais papistas que o papa tem sido como eucaliptos, secam tudo em seu redor

Incluindo as emoções de se ser professor...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

explicas-me

vai aparecer por aí, pela blogosfera, um novo projeto o explicas-me;

senti-me claramente lisonjeado pelo convite para integrar a equipa de lançamento; recusei delicadamente, ainda que por lá fique como "eventual" colaborador;

única justificação, não tenho mais vontade de escrever sobre pressão, nomeadamente de calendário; a que tenho chega-me, prefiro as minhas intermitências deste lado;

pela imagem que o projeto apresenta fico com a ideia que pode vir a dar que falar; como pela sua dinamizadora, ou, pelo menos, com quem tenho trocado teclas, a sensação que a coisa é séria, profissional;

solicitaram-me uma breve descrição deste meu blogue, para que conste deixei assim a dita cuja:

coisas das aulas, coisas de um professor de história sobre uma dinâmica de trabalho, o trabalho de projeto (ou estratégias de vinculação do aluno ao trabalho escolar), as vidas e as vicissitudes do que acontece numa sala de aula/escola;

influências

há muito se sabe e se estudam as influências que um dado território exerce sobre as pessoas e, no caso que me interessa, nos resultados escolares de cada um - resultados em termos de indicadores, mas também de expetativas, percepções, valor;

o território é composto, entre outras variáveis, pela sua história, cultura e tradição, muita das vezes definida pelo princípio de exploração e organização da terra; em tempos O. Ribeiro falava de determinismo geográficos na organização não só do território, mas também das relações;

por onde ando tenho tentado perceber a forma como o território influência, implica ou determina formas específicas ou diferenciadas na relação que cada um assume com a escola - com os resultados escolares, com as suas expetativas...

atenção que falo de ambientes entre o rural e o urbano, contextos ainda muito marcado pelas dimensões rurais mas, digo, em transição (organização e exploração da terra e do território, predomínio de atividades do setor dito primário, ofertas e dimensões culturais, estruturas sociais...);

até que ponto estas estruturas se intrometem pela sala de aula "adentro"?
de que forma esta estrutura que designo de sociogrográfica condiciona a relação com a escola, com o trabalho das disciplinas, o papel da ciência e das dimensões formais do saber?
como abordar, estudar, aceder a estas dimensões?

coisas minhas...

imagem daqui;

o diretor de turma

cada vez mais me apercebo do papel e da dimensão determinante que o diretor de turma (DT) pode/deve ter perante, essencialmente, os alunos;

o DT é visto e está manifestamente sobredeterminado na sua dimensão burocrática e administrativa (justificar faltas, acompanhar absentismos, preparar reuniões, recolher tabelas, grelhas, matrizes, preencher tabelas, matrizes, quadros, grelhas, responder a indicadores);

o DT é um faz tudo - é professor, orientador, por vezes psicólogo, assistente social, familiar, padre ou missionário, amigo ou ouvinte, ou apenas uma pessoa, por vezes um profissional; e eu gosto disto, reconheço;

no que me diz respeito tentei, já por diversas vezes, instituir-me como coordenador de uma equipa de docentes; falar de estratégias de abordagem ao aluno, de promoção (individual e coletiva) do sucesso; diferenciar situações (metodologias, estratégias, opções), isto é, tentei re construir currículos em função dos docentes e das turmas; das vezes que tentei fiquei sempre a falar sozinho, raramente me fiz entender, não consegui passar a ideia, a mensagem;

por outro lado, tenho tentado, junto dos alunos e dos pais, criar processos de alteração de comportamentos, ajudar a criar, definir e escrever objetivos - que passem pela escola, mas sejam pessoais;

com os alunos tenho desenvolvido estratégias de criação de dimensões de prazo, a pensar sempre um, dois, três anos à frente, coisa que não é fácil para o aluno de 12, 13 ou 14 anos; definir marcos, definir metas, perceber o percurso feito mas também o percurso a fazer;

com os pais/encarregados de educação tenho procurado consolidar esta abordagem, peço-lhes que insistam com os filho/as, que moldem comportamentos, que definam atitudes, que estabeleçam regras, que ajudem a perceber a diferença de comportamentos e de atitudes em função do espaços, das condições e... das regras (sociais);

o ano passado tive a pior turma de um agrupamento que é grande (a considerar a região Alentejo), pior em médias, em número de níveis um e dois, a pior no abandono, no absentismo, nos comportamentos, nas situações de indisciplina, nos processos disciplinares;

este ano, com a mesma turma, menos 5 alunos do ano passado (dois por abandono, três por retenção), mais os que se integraram (repetentes) tenho uma turma pacífica, dentro da média do ano de escolaridade e ligeiramente acima da média do agrupamento; sem participações ou ocorrências disciplinares, motivada e orientada para os resultados (individuais e coletivos), a construir uma ideia de futuro e a perceber que o futuro de cada um passa, inevitavelmente, pela escola;

gosto

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Uma questão de opções

Perante a aula do senhor presidente, estou mesmo a imaginar alguns senhores professores (ou país) preocupados com o cumprimento do programa,

ou então a acabar com algumas disciplinas (não estruturantes) para que haja espaço para se falar disto e daquilo, de português e de matemática, do tempo e da economia, da família e das ciências

a escola, cada vez mais, é uma questão política, isto é, de opções, afinal o que se tem de ensinar, o que se trabalha?

o papel dos pais/encarregados de educação

ontem reunião com pais (mães)/encarregados de educação;

como gosto, casa cheia, faltou uma encarregada de educação e com justificação;

e dizem que a família não se interessa... tá bém tá;

grande questão, coletiva, geral, de mães e professores, o que fazer ao desinteresse, ao alheamento, à indiferença dos alunos perante o trabalho escolar;

já contava, de um ou de outro encarregado de educação, com a questão, mas não de forma tão geral como acabou por acontecer;

e a grande questão é mesmo esta, como despromover o desinteresse, o alheamento ou a indiferença que muitos colocam à escola e ao trabalho nas disciplinas, em particular;

não há milagres, como não há soluções únicas - hoje resultam, amanhã nem tanto, naquele aluno sim, no outro não e num outro antes pelo contrário;

não sei qual é a solução, mas sei que terá de ser um trabalhado partilhado entre família e escola;

a questão é que a escola é ainda muito rígida nos seus procedimentos, na sua organização - é quase impnesável alterar lógicas, procedimentos, processos, todos comentariam, todos estranhariam; mas é preciso integrar essa diferença no quotidiano, mais não seja para que se deixe de estranhar...

alterações de estratégia

tal como perspectivei, o segundo período inicia-se com algumas alterações em termos de metodologia e estratégia de trabalho em sala de aula;

criei (com base em coisas que conheci) uma 

opção A - manter a lógica de trabalho de projeto, tudo como dantes 

opção B - resolução de problemas ou resposta a questões à semana;

apenas no final de cada etapa o aluno poderá alternar entre opções, consoante os resultados, consoante os seus interesses, conforme as dinâmicas... 

tenho consciência que perco um pouco a dimensão que gosto, do trabalho de projeto, mas são crianças que precisam que se lhes diga o que fazer (um certo determinismo sociogeográfico); ainda que não deixe totalmente de lado, a progressiva formação na autonomia; 

com alguma surpresa minha (???) a grande maioria orientou-se para a manutenção do trabalho de projeto;

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Desculpas

e, o mais das vezes, esfarrapadas...

o meu filho trabalha na área dos recursos humanos (começa pelo entrecosto);

hoje chega a casa e pergunta-me se aprendemos as desculpas na escola?

Como assim?

É que uma funcionária deu uma desculpa típica de quando eu andava no secundário, que estava doente, enquanto no Facebook colocou uma fotografia a almoçar com amigos...

pois, na escola também aprendemos a mentir, a dar desculpas esfarrapadas, a considerar que o(s) outro(s) é (são) parvo(s);

Lá lhe disse que um dos problemas passa, não por dar desculpas esfarrapadas, mas em aceitá-las...

Redes sociais

e sala de aula, escola,

uma coisa da qual tenho dado conta é a dúvida dos alunos sobre a utilização do Facebook para (em) contexto letivo e escolar;

apesar de bem avaliado no decurso do 1º período fico com a ideia que, na cabeça dos alunos, existe uma separação de funções, entre redes sociais e escola (ou aprendizagem);

uma coisa é a escola (e as suas dimensões mais formais), outra as redes sociais onde, pretensamente, o objetivo é socializar e não aprender;

noto que ainda não existe na cabeça do alunos o princípio de aprender em qualquer lado, em qualquer altura;

sinto neles aquela dúvida, afinal a sala de aula é um a seca e, quando não é, estranha-se...

novo tempo

e dia de (re)começo;

aparentemente por aqui, pela aldeia, pouco ou nada mudou; para já mudou o tempo, que está algo ameaçador com a chuva, cinzento, ventoso; mas não é novidade, é tempo disso;

logo mais irá aparecer escrita no ComRegras sobre este tempo, feito de incertezas, dúvidas, algumas angústias, muita ansiedade;

por aqui adianto apenas duas ideias que no meu entender e na área educativa, irão marcar o ano que agora começa;

irão existir mudanças nos concursos de professores, mas dúvido que tragam consigo implicações na dinâmica escolar;

perspetivo que as autonomias permanecerão dependentes de políticas nacionais, mas que o local, paulatinamente, se irá afirmar (mais não seja por pressão, pois 2017 é ano autárquico); 

e muito irá acontecer, votos, ara os passantes por aqui, que só tenham coisas boas; 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

balanço

balanço-me; ora para a esquerda, ora para a direita, numa tentativa de o equilíbrio ficar entre um dos dois pontos de cada ponta;

logo eu que faço três (3) balanços por ano;

um (social) por esta altura, afinal o que me ficou do que passou e o que perspetivo para o próximo;

um outro, mais pessoal, por altura do meu aniversário, período em que troco de cadernos e (re)crio capítulos;

e um terceiro por altura do final de cada ano escolar, assumidamente profissional,

como se fosse possível separar dimensões, isolar pretextos, compartimentar situações; logo eu que sou um pocinho de emoções por onde a razão flui, por vezes sem razão;

vítimas dos indicadores, este ano publiquei apenas 283 artigos (contra os 326 do ano de 2015, 11% menos); um e outro longe de um objetivo que tive em tempos, dois artigos por dia;

em contrapartida tive muito, mas muito mais visitantes; há um ano atrás andava pela casa dos 5 mil turistas e passantes; hoje estou nos 33 mil; o ano passado tinha uma média de passantes por mês que variava entre os mil e os dois mil, hoje ronda os 8 mil/mês há já 3 meses;

cada artigo é lido por pouco mais de duas mil pessoas, certamente que algumas repetidas; enquanto no ano transato cada artigo era lido, em média, por cerca de 300 pessoas;

sou, assim, uma pequena mancha, nada comparável às centenas de milhar de outros sítios, ao mediatismo de outros protagonistas; limito-me, dentro das minhas diabruras, a ser uma voz no meio da planície educativa - literalmente;

para o ano que se iniciará domingo alguns objetivos:

atingir o número dos 50 mil passantes;

publicar pelo menos um artigo por dia (média);

abrir-me a eventuais colaborações - por aqui que por fora já me chegam;

e pronto, bom ano, sejam felizes

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

coisas desnecessárias

mas que podem ser úteis em contexto de sala de aula;

há já diferentes sítios que nos apresentam cronologias diversas; como são diferentes os sítios sobre um ano em particular, aquele em que nascemos, por exemplo;

http://whathappenedinmybirthyear.com/ este é mais um, e pode ser útil no contexto da sala de aula - e a diferentes níveis;

desde logo na história, a ajudar uma criança a perceber a distância ao passado, a criar memórias, a perceber o processo temporal e o que ele implica;

no inglês, está em inglês o sítio e pode ser útill, mesmo que utilizando o tradutor;

na língua e literatura, na ciência entre outras áreas que se possam trabalhar;

é desnecessário, mas pode ser interessante

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Desafios de escola



a mensagem de natal do primeiro ministro constitui, por si só, um enorme desafio à escola, à organização educativa e, de forma muito particular, aos professores;

sou, assumidamente, suspeito; sou socialista, tenho concordado com as medidas de política (no geral e no que particularmente se refere à escola e à educação), sou assumidamente partidário do arco da governação à esquerda;

independentemente das circunstância que me levam a apoiar o primeiro ministro, enquanto cidadão e enquanto docente tenho de reconhecer e assumir que a mais valia do século xxi, aquela questão do pormenor que faz toda a diferença é/assenta no conhecimento;

já não é apenas a paixão pela educação, direi mais restringida à escola e a um momento das nossas vidas;

o conhecimento alarga-se para o resto da nossa vida e faz de nós, de todos nós, aprendentes ao longo da vida;

e é aqui que se institui o desafio à escola e aos professores; identificar formas de responder a estes desafios;

se é certo que a medidas de política são determinantes (para alargar ou condicionar formas de gestão locais, a chamada autonomia), é a capacidade de criar e recriar o local (isto é, o exercício da autonomia) e a assunção das responsabilidades e a partilha nos processos que poderão fazer toda a diferença;

também na escola e perante os seus profissionais, o conhecimento se constitui como desafio...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

formalismos

e profissionalismo

já aqui o escrevi, mas volto à coisa;

altura de avaliações e é tão fácil confundir formalismo com profissionalismo;

rigor pedagógico com grelhas de operacionalização, análise de casos com matrizes de 1X2;

e o engraçado é ver a preocupação com que uns poucos corrigem muitos, a preocupação por que é ponto final e não ponto e vírgula;

assim se vê formalismo e profissionalismo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa - ou talvez não...

o meu ranking

o meu ranking remete, como escrevo no ComRegras de hoje, para perceber se a escola nos ajuda a libertar de amarras (sejam elas sociais, culturais, económicas ou regionais), a sacudir o pó de imobilismos serôdios ou a abanar esqueletos que nos possam atormentar ou se, pelo contrário, servem para nos prender ao que uns quantos designam como destino (a apatia, a falta de autonomia, a socio dependências, a ausência de espírito crítico, aos conformismos);

o meu ranking manda que em 4 turmas do regular atribuí três níveis 2 (bom);

destaco também, porque sinal de um contexto, que atribui "apenas" 8 níveis 4 (curto, muito curto);

o meu ranking, aquele que os alunos me atribuíram também é evidente; foi a primeira vez, desde que faço avaliação do meu trabalho, que me atribuíram um nível 1 e que fico com média abaixo do nível 4;

ilações? ah pois, tenho as minhas; faço a minha leitura de um contexto e de relações; mas fico com elas...

mas tenho o meu ranking, faço a minha avaliação, tenho os meus indicadores, valem o que valem, se +e que valem alguma coisa

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

dúvidas e incertezas


depois de alguns dias assim a modos que ...a duvidar de mim mesmo, a questionar o que ando a fazer, a colocar em causa opções e metodologias de trabalho, há pelo menos um dia, ontem, que correu bem, que confirma e justifica procedimentos,
há que dar tempo ao tempo, insistir, persistir e não desistir; trabalhar por projeto estou convencido que é uma das formas de dar a volta ao desinteresse, indiferença e alheamento dos alunos, às situações em redor dos comportamentos disruptivos mediante o envolvimento e implicação do aluno no seu próprio trabalho;
a opção por metodologias de trabalho assentes em projetos ou problemas podem efetivamente e no meu entendimento dar um forte contributo para repensar dinâmicas e organização escolar, relações e formas de envolvimento (do aluno e do professor);
mas precisa de uma constante avaliação, de diferentes formas de (auto)regulação; precisa constantemente de adaptação - nem sempre há recursos disponiveis, a dispersão é fácil, a vinculação do aluno ao seu trabalho difusa, a responsabilidade individual muito frágil, facilmente ionteresses individuais se sobrepoem aos coletivos;
sozinho a fazer o que faço, ora me sinto bestial, ora me sinto uma besta; sozinho levo mais tempo a identificar soluções e alternativas, a diversificar estratégias, a referenciar outras opções para as turmas ou momentos em que os resultados não são o pretendido; a mesma questão pode não servir a diferentes turmas, os objetivos podem/devem ser adaptados aos grupos, os timmings geridos diferenciadamente;
mas há que dar tempo ao tempo, saber equilibrar e gerir diretividade e autonomia, encontrar equilíbrios entre a orientação e a criação individual; coisa que não é fácil;
mas quando resulta, como ontem, é incrível...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Fomos ao teatro

Se me perguntarem fazer o quê direi que... ao teatro, pronto;

aparentemente organizado pelo grupo de inglês, mas os colegas do grupo pouco mais sabiam que eu (ou não sabiam mais que eu);

Apesar da peça ser em inglês;

sensibilização pela língua? A peça nem sequer era de Shakespeare;

Mas pronto, uma manhã diferente...

sobre a ajuda

notícia de primeira página no jornal de notícias;

eu direi mais, porque o senti, pais com licenciaturas não conseguem ajudar os filhos;

as matérias, as estratégias, as opções de sala de aula, os conteúdos mudaram tanto e tão significativamente que, sendo sincero, se torna difícil apoiar/ajudar os filhos nos afazeres de da escola em casa (e não é preciso serem TPC's);

mais, porque as coisas são tão diferentes quando nos insinuamos na ajuda rapidamente os petizes nos atiram à cara que não foi assim que o professor ensinou;

resultado, mais vale a ajuda que se consiga dar e disponibilizar em sala de aula e pela escola para que se consiga cumprir o papel da escola;

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

adaptação

apesar da recente formação em que participei sobre a metodologia de trabalho assente em projeto (ou resolução de problemas) tenho de reconhecer que tenho feito algumas adaptações; não sou aqui (como em lado nenhum) um purista; recrio consoante contextos e circunstâncias;

fruto, essencialmente, dos recursos disponíveis (são escassos, poucos alunos trazem equipamentos para a sala, apesar de os terem), dos níveis de autonomia e da consequente dificuldade de gerir problemas (estão ainda excessivamente condicionados pelas orientações dos adultos, pais ou profes), não tive outra opção senão adaptar;

adaptei a questão de orientação, que não é bem uma questão mas mais um conjunto de opções de orientação, de caminhos que o aluno pode escolher; como tenho adaptado dinâmicas de sala de aula, de trabalho de grupo; bem como como tenho optado por fichas (quizzes) de forma a gerir conceitos;

tenho sentido vantagens nos processos de auto avaliação, que servem impecavelmente como elementos de (auto)regulação; corretos, adequados, justos o mais das vezes;

não tanto nos mecanismos de controlo individual, onde ainda identifico algumas falhas no que se refere à distribuição de tarefas;

perspetivo algumas alterações para o segundo período - trabalho com outros recursos (o manual, o caderno de atividades), trabalho mais condicionado à sessão/aula, objetivos mais curtos e apertado/condicionados...

na reta final

deste primeiro período; que é dos maiores deste ano letivo, e que se apresta a terminar;

em jeito de balanço duas ideias algo contraditórias;

por um lado, sinto que uma estratégia de trabalho se integra no quotidiano e os alunos dela se apropriam; no decurso dos trabalhos finais isso foi evidente; são trabalhos razoavelmente organizados, esquematizados e trabalhados; falta-lhes ainda alguma audácia em termos de apresentação em sala de aula, de romper com receios ou lugares comuns; a seu tempo;

segunda nota para dar conta que nunca, como este ano me tenho sentido desafiado, estimulado, confrontado com a minha prática profissional; na generalidade as turmas são fracas, pouco viradas para os objetivos escolares, sem grandes apoios sociais ou familiares; têm feito com que procure reorganizar quase que semanalmente estratégias, dinâmicas, processos de sala de aula;

uma e outra das notas dá conta da flutuação, oscilação, variação das dinâmicas, ora por interesses de alunos ou de professor, ora por cansaço de uns ora de outro, ora porque resulta aqui e não ali, hoje sim e logo não;

noto ainda uma grande oscilação de atitudes, de empenho; comparativamente mais fraco..

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

conversas

no meio da visita de estudo (que a muitos incomodou e questionou - tipo ... coisas do manel) ouvem-se conversas, imiscuimo-nos onde não devemos, partilhamos o que não é hábito;

no meio da rua, fechava eu a fila para que nenhum ficasse para trás, ouvia a conversa entre alunos;

falavam da necessidade de um ter melhores notas, de estar a ser difícil perceber o professor;

comentava que gostava que o professor o ouvisse, que mudasse um pouco,

ao que um outro responde,

não vás por aí, um professor mudar? olha que é difícil, se não quase que impossível um professor mudar... tens de ser tu a mudar;

não vou comentar a mudança, digo apenas que gostei de ouvir o benefício de dúvida, ouvir dizer que é "quase" impossível, é quase, não é impossível,

gostei :(

huomo

durante três anos tive o privilégio de dar história da cultura e das artes;

durante esse tempo, sempre que chegava à "cultura do palácio" dizia invariavelmente o mesmo;

este "ecce huomo" é o cristo que mais gosto; ontem e antes de ontem disse o mesmo, para que os miúdos despertassem para o questionamento;

se dúvidas existissem sobre se nuno gonçalves, o autor, era português penso que este quadro as desfaz a quase todas;

a simplicidade, a quase ingenuidade de todo o quadro;

o traço quase que rude, hesitante, mas determinado nos seus contornos;

os tons maniqueístas (claro - escuro, branco - preto, ouro - prata);

a capacidade do cristo ser qualquer homem, um de nós, por que coberto o rosto, indiferenciado na sua sua identidade;

são elementos, pormenores que diferenciam o norte do sul, o conhecimento técnico do saber empírico, a encomenda, da determinação;

se eu queria que os alunos se questionassem? e resultou, a partir daqui andei sempre acompanhado com uma dúzia de alunos, para falarmos de arte, percebermos que a pintura vai além do que observamos, que temos de ver e perceber para além dos que os nossos olhos vêem;

o quadro está no topo esquerdo das escadas, gostava que estivesse numa sala, que ocupasse uma parede inteira;

um dia no museu

e foi um dia bem passado;

não foi o dia, foi uma manhã passada no museu nacional de arte antiga; depois andamos por lisboa, rossio, martim moniz a ver, nas palavras de alguns alunos, "gente esquisita";

que se agrada a todos? nem de perto nem de longe;

que todos gostaram? nem por isso, antes pelo contrário; para alguns foi uma seca (porque foi mesmo ou, para alguns, apenas por mera retórica juvenil de diferenciação, de demarcação - há que perceber a coisa);

que foi um dia bem passado? foi sim senhor; sou eu que o digo e a avaliação que o pessoal (os alunos) fizeram e fazem (em termos individuais de conversa, depois em termos de formulário);

duas notas;
destacar o papel das "guias" do serviço educativo - impecáveis; digo mais, im-pe-cá-veis; no atendimento, no encaminhamento, no apoio, na explicação e enquadramento, na simpatia, na amabilidade, na disponibilidade; fossem todos os funcionários assim, de onde quer que seja, e isto era uma maravilha; obrigado;

a concretização do objetivo; muitos dos alunos que ali foram dificilmente, para não dizer que muito provavelmente nunca mais lá entrarão; foi a oportunidade de ver coisas diferentes, de ficarem calados, de ouvirem, de descobrirem, de verem outras coisas, outros mundos;

valeu a pena; e a companhia das colegas que tiveram a amabilidade de me acompanhar... obrigado;

hoje todos queriam mais, assim, diziam, vale a pena...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Aulas fora das aulas

Amanhã à caminho de Lisboa para aulas fora das aulas;

Três blocos de aulas, um no museu nacional de arte antiga (espero não partirmos nada de monta);

Depois diversidade cultural, freguesia de Arroios;

E, finalmente, paragem para admirar os conglomerados comerciais;

Cumpro a indicação de um detergente, fazermos aulas fora das aulas (da sala, pois claro);

Projeto educativo

Pela segunda vez num algo escasso período de tempo, participo, dou o contributo para a elaboração de projetos educativos;

Foi naquela que é, para todos os efeitos, a minha escola, é agora naquela onde estou;

Tenho consciência que, ao pedirem contributos, corro o risco de ser entendido assim a modos que... como entenderem;

Mas eu dou

Desde já considero que faltam três coisas essenciais (de resto como na maioria dos projetos que conheço) :

Elementos que assegurem a participação na organização e nos processos de decisão (que vão além do legislado)

Formas de auto regulação (habitualmente os diretores não gostam que lhes limitem a decisão);

O assumir (de forma algo clara) o como atingir, alcançar aquelas simpáticas visões de escola; na generalidade remetem para os outros (para objetivos, indicadores, outros planos) e não assumem opções, o como lá chegar (e está uma dimensão fundamental de política local);

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Conceitos

Ao se redigir um projeto educativo é conveniente, penso eu, esclarecer conceitos, ser claro quanto a ideias comuns;

Penso eu que seja conveniente não misturar alhos com bugalhos e, para que não haja confusão, dizer o que se entende por aquelas ideias mais banais, mais vulgares;

Por exemplo, o que entendemos por qualidade? E por qualidade educativa?

O que se entende por currículo?

É que a linguagem educativa (o famoso eduquês) varia consoante a nossa experiência, o nosso enquadramento, a formação ou mesmo por via de ideias;

Não é conveniente dar o natural por adquirido quando, em educação, tudo é uma construção social que depende, e muito, da palavra.

Confusão?

Por vezes fico na dúvida, outras nem por isso

Mas será que se confunde formalismo com profissionalismo?

Rigor com minhoquices?

Exigência com esquizofrenia?

É que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa é incomoda-me estas confusões

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