segunda-feira, 26 de setembro de 2016

das notícias

ele há com cada descoberta e cada notícia que torna o meu quotidiano muito mais assertivo;

mas esta ideia, mais que os dados em si, remetem para o pensamento dos professores, para modelos, ideias e ideologias de uma prática pedagógica que é deveras complexa, quanto complicadinha;

há docentes que continuam a acreditar que não reprovar um aluno é por facilitismo; que o rigor, a exigência na taxa de chumbos, de notas negativas;

que reprovando o pessoal se torna mais responsável, compenetrado, como uma bofetada que não se volta a repetir;

o que a notícia dá conta é das diferentes formas de se olhar
uma prática pedagógica
tantas vezes arreigada, entranhada em nós, subcutânea, como a transpiração - e, perante isso batatas...

sobre a tecnologia

mais um apontamento a reforçar a caraterização, descrição ou os sentimentos que perpassam pela escola portuguesa;

a tecnologia não é, em si mesma, solução para nada nem para coisa nenhuma; pelo menos a tecnologia digital; a tecnologia é um meio e não um fim em si mesma;

passar do mapa para o retroprojetor, desde para o projetor de "slides" e deste para o powerpoint e agora para os prezi ou emaze diz muito de quem utiliza o instrumento, mas os visados continuam arredados do processo;

esta tecnologia mantém a centralidade da ação educativa no professor remetendo ao aluno um papel passivo, de submissão, de espetador, distante da ação;

essencialmente direi eu que a tecnologia que precisa de mudar é a da organização escolar e pedagógica do trabalho do professor - ensinar a muitos como se de um só se tratasse, em ritmos sequenciais (diários por disciplinas, anuais por níveis ou ciclos);

não é panaceia nem receita (muito menos milagrosa) mas experimente-se a alterar;

domingo, 25 de setembro de 2016

projeto educativo ou projeto pedagógico

as agregações vieram dar cabo dos poucos projetos educativos (ou pedagógicos) que por aí existiam;

ao juntar escolas e ao obrigar à seleção de novos elementos da gestão desbarataram-se aqueles que conheciam um contexto, que habitualmente (mesmo por questões de hábito) criavam relações entre os recursos que tinham pela frente e os problemas que se identificavam;

podia existir um projeto educativo limitado ao papel, mas existia pelo menos uma ideia de projeto pedagógico na cabeça daquele/a diretor/a;

era o líder, por reconhecimento ou por teimosia definida pelo tempo - aqueles que se eternizam no poder - que definiam o projeto pedagógico de uma escola, que permitia que se identificasse com ele, que permitia atribuir coerência ao que cada professor fazia, definia o papel do aluno ou as funções de pai/encarregado de educação;

bem ou mal, melhor ou pior, um/a diretor/a conhecia a sua escola, os seus problemas, era-lhe fácil definir (o que ainda hoje vigora mas já não rende) o perfil daqueles que se adaptavam a uma ou outra situação, respondiam e geriam este ou aquele problema;

juntar duas escolas, por muito incrível que possa parecer, mesmo que tivessem apenas uma rede a separá-las, foi juntar culturas diferentes, ambientes diferentes, climas diferentes, estratégias diferentes, pessoas diferentes - em síntese, uma história diferente;

agregar escolas aumentou o número de variáveis da gestão mas os gestores mantiveram as mesmas estratégias; neste momento está cada um para seu lado, isolados, distantes, salve-se quem puder, lei do desenrasca a definir limites;

hoje os professores são alvos fáceis, patos sentados à espera de tiro (ou dos pais/encarregados de educação, de alunos ou de colegas, ou do/a diretor/a);

neste momento, pelo que vejo em redor, são poucas, muito poucas, aquelas que apresentam uma estratégia (coerente, consistente) de criação de novos climas e outras culturas de escola;

não há nem projeto educativo
(pelo que analiso naqueles que estão disponíveis são vazios de sentido, raramente apresentam critérios de ação ou, os que apresentam, são muito limitados, os objetivos têm contorno pedagógico, mas para inspeção ver, por vezes são replicados de projetos anteriores, imbuídos de intenções mas que aparentam difícil articulação com a prática de sala de aula);

nem projeto pedagógico
o/as diretore/as sentem manifestas dificuldades em passar de uma gestão de proximidade, como a que foi caraterística do antigamente, para uma gestão que tem de ser assumidamente partilhada e distante, colegial e de monitorização;

resultado, não há sentidos comuns, há trabalho coletivo feito por cada um; mesmo que por vezes existam tentativas individuais de responder a problemas (de aprendizagem, de sucesso, de comportamento, de contexto e de cultura de escola) desvanece-se na individualidade; é como se tivéssemos 11 Cristianos Ronaldos na mesma equipa; não dá;

mas não me fico pela moenga;

começo por dizer, simplesmente que há que ter tomates para assumir os desafios - e aqui o papel das lideranças que não temos nem se adaptaram a novos contextos, não perspetivam novas realidades, ainda não acordaram para outras dinâmicas;

isto é, não se pode agir, nem decidir com base no medo (no medo das conformidades, no medo da inspeção, no medo dos resultados, no medo das considerações dos pais/encarregados de educação, no medo disto e daquilo ou do simples papão);

para que se evite o medo, criem-se parcerias dinâmicas, envolvam-se parceiros locais de sempre, cumpram-se os objetivos dos órgãos (conselho pedagógico, conselho geral) criem-se equipas de monitorização, acompanhamento, avaliação, co responsabilizando e envolvendo;

desconcentrem-se processos, deleguem-se responsabilidades, envolvam-se as pessoas, assumam-se os cargos com outra dinâmica; repensem-se modelos de organização e gestão do trabalho dos professores, dos tempos letivos, da distribuição de alunos, de respostas de apoio;

errou-se, corrija-se; acertou-se, aprofunde-se, flexibilizem-se modelos curriculares, considerem-se outros processos; identifique-se um ponto de arranque; definam-se critérios, regras, evite-se a descricionariedade e a arbitrariedade - tenham eles na base a tradição ou a legislação ou o medo,

sem medo, porque o que sempre foi assim não resulta,

precisamos de ousadia, de novas vontades, novas lideranças - inteligentes, mobilizadoras, partilhadas; sem medo...

sábado, 24 de setembro de 2016

o desafio

considero crucial, determinante, fundamental o desafio da escola e dos professores:

implicar e envolver o aluno no seu trabalho escolar;

não há volta a dar, enquanto não determinar uma forma de implicar e envolver o aluno no seu trabalho a coisa não resulta, não há resultados e há indiferença, alheamento, indisciplina e etc...

a semana que terminou comecei a trabalhar com base na metodologia de projeto; uma questão de orientação e um prazo e uma proposta;

há efetivamente quem se atire de cabeça (foi um bom grupo que me permite perspetivar algum sucesso);
há quem fique à espera de orientações, de ordens (a anomia é terrífica em concelho muito marcado pelas hierarquias sociais definidas pela posse e exploração da terra) mas não impede o avanço, não se rende, avança
e há quem positivamente nada faça, queira impedir os outros de trabalhar, que arroga companhia e distração, que nada traz para a sala (sequer um caderno, uma folha);

a estes últimos como implicar e envolver no seu próprio trabalho?
como orientar e apoiar o aluno que pura e simplesmente não quer? não o posso mandar embora, por muita vontade que sinta, o aluno não sabe, num perspetiva o seu futuro, como fazer?como proceder?

implicar e envolver o aluno é o grande desafio dos professores

será abuso

se disser que, nos tempos que correm, poucos, muito poucos, se é que existam, gostam da escola?

as notícias voltam ao tema; estudos de estudiosos confirmam sentimentos, estados de espírito, direi mesmo, estados de alma, climas de escola;

se os estudos forem honestos e eu acredito que o sejam, então limitar-se-ão a reproduzir, a dar corpo ao que se ouve nas salas de professores, no que os alunos dão conta em sala de aula e os encarregados de educação nem percebem o que se passa;

continuo a afirmar que estou na profissão que escolhi, que a considero um enorme desafio, que me continuo a sentir atraído por aquilo que faço e espicaçado para o fazer mais e melhor;

mas, e não falo por ninguém, de quando em vez, questiono-me se ainda sinto aquela paixão, coloco em causa se aquilo que sinto é um gosto ou a memória do que sempre considerei gostar, questiono-me sobre que circunstâncias levam a perpassar por mim, de quando em vez, não será mesmo fartura, cansaço ou mera desilusão;

e acredito que a tendência será de agravamento;

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

da conversa

estes apontamentos de notícia, são ótimas oportunidades para que, na escola, se fale, se converse, se debata a escola;

no meu cantinho é um bom momento para que se equacionem outros modos, que existem outras formas de fazer o mesmo, outras realidades, outra organização;

valha-nos isso;

que escola temos? que escola queremos?

Grande reportagem da sic e conversa na sic noticias;

não quero ser mauzinho, considero que a reportagem foi correta, honesta e dá conta de uma realidade,

como também não devo descair para o lugar comum dos profes que afirmam que a minha é sempre pior que a tua, o meu mundo é pior que o teu, que aquele outro é melhor que o meu;

mas não posso deixar de comentar que se batem nas vulgaridades, nos pré conceito, nos estereótipos sobre a escola, sobre os profes, sobre os alunos;

bate-se na imagem mais "tradicional", conservadora sobre o lugar de cada um, definido, demarcado, concreto, sequencial;

vale por uma tentativa de mostrar aos outros o que fazemos, o que acontece numa sala de aula, o que é uma dinâmica de escola;

na conversa posterior tenho de confessar, gostei mesmo de ouvir as curtas palavras do secretário de estado;

importante a referência e a aceitação (quanto a integração) do muito que por aí se faz - que varia, e muito, entre conformidades e criatividades, manutenção e inovação, tradição e mudança, não sabendo, muitas vezes, onde começa e/ou acaba uns e outros;

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

e começou

o trabalho à séria;

depois das apresentações, depois de conversas, depois das linhas com que nos cozemos, vá de lançar a primeira bisca;

afinal para que serviu o º ano; o que ficou dele?

uma questão de orientação que, em face dos impactos, divido em dois contextos;

um, de enquadrados, assumiram e arrancaram; gostei mesmo de ouvir explicações dadas por colegas a colegas; gostei das considerações (algumas negativas) tecidas;

outros que ficaram a tentar perceber; entre liberdade e orientação, enquadramento e rumo, há quem pense, afinal, o que é isto?

agora é trabalho à séria;

primeiras "impressões", gostei;

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

conversa

é só conversa

noto tanto que falta conversa nas escolas;

há muito que, por opções de políticas educativas, de diatribes de diretores ou simplesmente para que se evitem moengas e se popupe tempo, que não se fala, não se conversa, não se trocam para além de dois dedos de conversa, o mais das vezes circunstancial e circunscrita ora à sala de professores ora a conselhos de turma sempre de fugida, rapidinhos;

e fica a faltar conversar, ouvir o outro, escutar outros pontos de vista, trocar ideias entre pessoas que, apesar de terem a mesma profissão por vezes são tão diferentes quanto o dia e a noite;

não se fala, para além do estritamente obrigatório, e tanta coisa fica por resolver;

é só conversa, e não se fala...

algum espanto

foi o que senti depois de ver uma aluna que desde janeiro passado que não vinha à escola, pretensamente teria ido para uma outra;

afinal, estava ali à minha frente, a esticar-me o rosto para troca de beijos, a perguntar se nos encontramos na próxima terça feira em tribunal, por via do processo de abandono, que este ano é que era;

espanto, surpresa;

não são más pessoas, são cordatos, dentro da sua rudeza têm educação, mas andam desorientados, por vezes iludidos em sonhos ou meras efabulações;

a escola precisava de ter outros recursos, outras condições para conseguir dar resposta de apoio escolar, pedagógico, mas também social, pessoal e não dá;

ganham-se números, perdem-se pessoas; e na juventude, pelas escolas, perdem-se em excesso pessoas que podiam ter um outro enquadramento;

terça-feira, 20 de setembro de 2016

da saúde mental

estava para ter uma outra designação, este meu post;

ao entrar, no feed, dei com a peça a saúde mental dos jovens, do zé morgado e não resisti;

por que é mesmo de saúde mental que se trata;

13h30, sala de professores do AE por onde ando;

entra uma colega perfeitamente desorientada, quase que "desaustinada", ao qual, quem estava, quase que em coro, pergunta, mas o que se passou P.;

uma turma de homogeneidade relativa, um CEF, cujo resultado foi um processo de autêntica depuração negativa de turmas de 3º ciclo, juntos, ao molho e claramente sem fé em nada, nem em coisa nenhuma;

a colega dá conta do alvoroço, da algazarra, da desconsideração, do não reconhecimento nem a uma das chefes; da impossibilidade e incapacidade de se fazer o que seja;

um conselho de turma deixado a si, ao salve-se quem puder, acrescido de diatribes de planificações, gralhas e coisas que tal que ninguém utiliza, que para nada servem, que em nada se adequam àquele grupo (direi, àquele molho de pretensa gente);

qual a sua justificação? que homogeneidade esta? que papel aos diretores que optam por estes caminhos, aos conselhos de turma que com eles lidam, aos professores que com eles não conseguem trabalhar?

não tenho dúvida que ou existirá um equilíbrio (não sei a que custo e/ou que valor) ou existirão problemas de saúde mental dos professores;

requere-se uma outra organização escolar e pedagógica, um outro acompanhamento e enquadramento de docentes nestes conselhos de turma, uma outra flexibilidade administrativa, um outro rigor pedagógico;

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

chumbo no Alentejo

e não se trata de caça, por muito que queiram tornar isto uma qualquer coutada, de uns quantos, de alguns;

o público de sexta feira passada deu conta da estatística do (in)sucesso referente ao ano letivo de 2014/2015, onde se destaca que o Alentejo ocupa a parte final das tabelas;

será sina? somos mesmo burros ou apenas a escola não faz compensações entre cultura social regional (pouco valorizadora da escola) e cultura escolar?

em termos de análise destaco diferentes ideias.

as escolas do Alentejo são ainda muito marcadas pela instabilidade docente; perante a flutuação do corpo docente podem ser apontadas situações referentes ao (des) conhecimento do contexto, às relações estabelecidas entre o local e a escola;

por aquilo que consigo perceber da minha prática profissional ou das leituras que faço, existe, por parte das famílias, reconhecimento social da escola; isto é, a generalidade das famílias reconhece à escola e aos professores papel fundamental na alteração social e económica de cada um.

é certo que é mais evidente nos níveis iniciais de escolarização e que se desvanece à medida que a escolaridade avança; aqui competiria à escola criar diferença; e, aparentemente, não cria.

As lideranças escolares são, de um modo geral, estáveis pelas diferentes escolas e agrupamentos do Alentejo. Não direi que se perpetuam mas distem-se no tempo; tem coisas boas, permitem conhecer dinâmicas e realidades, adatar estratégias e diversificar soluções; tem coisas más, tornam-se rígidas, desresponsabilizam-se da sua ação e comparticipação;

o que fazer? o que se faz para compensar os resultados?

sábado, 17 de setembro de 2016

LIke ou não?

experiência escolar e eventualmente pedagógica;

comecei por perguntar quem não tinha página no facebook,

ninguém se manifestou; obviamente que toda a minha gente tem página no facebook, pergunta mais parva;

então, dei conta de página fechada no facebook, sobre as aulas, materiais, complementos, questões, comentários, observações, imagens, ...

seria interessante subscrever, é à vontade do freguês;

para partilhar ideias e opiniões, para trocar ideias, deixar comentários, pôr likes e coisas que tal;

uma pergunta da plateia de alunos,

o professor tem facebook?, cara carregada de admiração; afinal o cota tem facebook??

é verdade, o pessoal já nasceu assim, a temporalidade para esta gente é coisa que não existe; sempre foi assim, "prontos"...

depois uma espécie de admiração - que ainda não sei se intromissão;

afinal, o facebook também serve para escola

ou

porra até a escola já está no facebook


regressos

no regresso vêm sempre diferentes;

ontem recebi duas turmas nas antípodas, uma interessada, que sabe que o futuro passa pela escola, apesar de não saber qual o futuro nem qual o interesse;

outra, desinteressados, desligados, com cultura distante da escola, quando não mesmo em divergência;

estes últimos estiveram diferentes do ano anterior, aparentemente, para arranque uma outra vontade, uma outra aparente predisposição; penso para os botões se nuvem passageira ou entrada de estação; a ver vamos;

os outros, mais à vontade, mais soltos, mais ruidosos, com necessidade de serem chamados à atenção, mais implicados e envolvidos, como se o espaço fosse o seu, natural, descontraídos;

para quê as expetativas? é um re começo é (quase) sempre diferente, pelas experiências adquiridas, pelo crescer, pelo sedimentar de atitudes e pensamentos;

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

hereditariedade

há coisas que já deixei de comentar em público; mas não resisto em escrever;

primeiros dias de aula; na sala de professores comentam-se as turmas, as novas e as que continuam, fala-se dos alunos, deste e daquele, das disposições e vontades;

há quem, nesta análise, faça comparações, habitualmente pela negativa, sendo depreciativos;

ah, o irmão era assim, este não deve ser diferente;

o pai é assim ou assado, o filho certamente não será diferente;

como se na escola existisse uma qualquer forma de hereditariedade das vontades, das motivações;

como se as competências fossem ou tivessem uma base genética, tal pai tal filho;

que correspondência existirá nesta hereditariedade? que implicações terá nas mobilidades sociais e/ou escolares?

será que degenerei?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ferramentas

a notícia já tem duas semanas e tem circulado por aí;

agora fica também na residência aqui do lado;

trata-se das ferramentas escolares;

interessante quanto útil, mas que se diversifique, que vá por alternativas práticas, como as que mostra,

património

o nosso país e o alentejo de forma particular, é rico em património histórico e cultural;

em termos históricos pode-se fazer uma visita guiada e viver e sentir a história desde a pré-história, no período dos dinossauros na Lourinhã, passando pelo circuito megalítico do alentejo central, por exemplo, até às mais recentes formas de organização do espaço e das pessoas, na casa da Música, no espaço da fundação champalimou ou aos objetos de arte contemporânea de Elvas ou Sines, por exemplo;

agora surge um outro que promete, o
museu interativo do megalistismo, em Mora;

é perto, é acessível e vive-se a história;

integração

em tempos de arranque destacou-se uma ideia que considero curiosa, no mínimo; 

em troca de mensagens com uma colega que mudou recentemente de escola, escrevi eu, relativamente às diferenças assinaladas, 

por vezes não é a realidade que muda é o olhar que sobre ela se deita que é outro, que é diferente; 

há novos professores pelas escolas, são recebidos mas não há quem os enquadre, ninguém os orienta, ninguém aparenta preocupação pela sua integração; 

deram-lhe o calendário de reuniões e nem as salas lhe indicaram, foram enviados os manuais para perceber a plataforma de controlo remoto e tá a andar; 

nada, nem uma palavra, nem uma sugestão sobre que tipo de ensino, que práticas, que crianças, que contextos, como se fosse tudo em continuidade, igual, mais do mesmo apenas em sítio diferente;

Isto é, seremos os mesmos professores, teremos as mesmas práticas, assumiremos os mesmos objetivos de Monção a Faro, de Lisboa a Elvas?

será tudo igual, partimos todos dos mesmos pressupostos, o professor está ali para ensinar a despeito de quem tem pela frente?

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

sobre o alentejo

este meu alentejo não é um mundo à parte

mas quase;

mais vale cair em graça do que se ser engraçado; mais vale poder que saber - só não sei bem que poder, mas pronto;

em dia de abertura de ano letivo, com visitas governamentais, valha-nos o senhor secretário de estado por portalegre, é que o resto parece que nos querem remeter para o profissional;

será que voltamos a ser cintura industrial, peço desculpa, profissional?

terça-feira, 13 de setembro de 2016

estímulos e incentivos

as aulas começam, devagar e devagarinho que o tempo não corre mais rápido;

apresentações de quem já se conhece;

o grande desafio passa, pelas turmas que tenho, por envolver e comprometer o aluno com o seu trabalho, com a dinâmica de sala de aula, com a disciplina;

do ano letivo anterior vêm resistências, passividade, anomia, um conhecimento por vezes em conflito ou, pelo menos, em tensão;

não há receitas, soluções prontas a usar; ha tentativa e erro, avaliação e análise;

desta feita irei apostar em perguntas, em tentar que criem dúvidas, que formulem questões;

depois é ver o que dá, onde dá, com quem dá e de que forma dá...

estereótipos

ele há coisas que, aparentemente, apenas acontecem aos outros;

reunião de um conselho de turma em tons de arranque de ano letivo; as coisas algo habituais, apresentações, caraterização da turma, os alunos and so one;

e, vai daí, um conjunto de lugares comuns, de vulgaridades e banalidades que até parece mal; na descrição dos alunos, na caraterização do grupo/turma, na análise de casos e/ou situações, até deu dó, tantas as vulgaridades que foram puxadas; podiam ter contexto, mas não tinham razão de ser; meros e simples estereótipos;

falo delas por que simplesmente fui eu o protagonista; não foi outro, não ouvi dizer, fui eu mesmo o ator principal, o responsável pelas vulgaridades, lugares comuns e banalidades sobre os alunos;

resultado, de quando em vez é bom ouvirmo-nos; talvez consigamos perceber que não são apenas os outros que dizem coisas "sem sentido";

é bem feita

domingo, 11 de setembro de 2016

querer é poder

há já quase vinte anos, a. guterres teve como slogan da sua campanha nas legislativas, a paixão da educação; naquele tempo prometia afetar 5% do pib à área da educação no espaço da legislatura; apenas na sua segunda e curta legislatura o conseguiu;

passados estes 20 anos, o valor afeto à área educativa ronda os mesmos valores de então, mas com valores absolutos bem superiores, contudo, persistem as mesmas maleitas, muitos dos mesmos problemas, muitas das mesmas angustias; acrescidas de outras tantas que, com o tempo, se lhe juntaram;

no final do ano letivo transato tive oportunidade de dizer, mostrar e fazer ver que a escola tem uma das melhores plataformas de trabalho colaborativo do planeta, assente que está no google classroom;

contudo, persiste-se e insiste-se no papel, na circulação de ficheiros rar ou zip, em plataformas descontinuadas;

quem não quer, não quer e o resto são conversas...

acesso ao superior e memórias

em dia de colocações nos ensino superior pensei, para os meus botões, por onde andarão os meus antigos alunos;

ligo a máquina e dois beijinho virtuais me atingem diretamente, duas mensagens a dar conta onde entraram;

não estou naquela escola há dois anos, deixo-os há dois anos, é bom saber que há memória, que deixo memórias;

e o futuro acontece

sábado, 10 de setembro de 2016

um código para se ser encarregado de educação

de tudo pelo qual passei, ao longo da semana em que nada escrevi, registo duas ideias;

depois de três reuniões (diretores de turma e de dois conselhos de turma) pergunto aos meus botões se existisse uma prova, tipo exame, que habilitasse ao cargo de encarregado de educação, quem passaria? pela quantidade de regras, regulamentos e códigos que um encarregado de educação precisa de saber, conhecer, estar informado, ser detentor dos seus preceitos e conceitos tenho sérias dúvidas que existisse trânsito de encarregados de educação pelas escolas;

segunda ideia, cada arranque parece sempre o mesmo arranque, como se não tivesse existido ano antes, experiência anterior, resumo de matéria dada, memória; é sempre um arranque novo, de princípio, como se a folha estivesse em branco; as mesmas orientações, os mesmos procedimentos, as mesmas leituras, mas também os mesmos erros, as mesmas omissões, os mesmos silêncios;

uma espécie de diário

uma semana em que não me apeteceu escrever por aqui, nesta espécie de diário;

desde há pouco que me recuso a escrever em cima do meu contexto, do meu quotidiano, da espuma dos meus dias;

escrevo coisas que me incomodam, que eu percebo, mas são distantes de tudo o mais, imperceptíveis para a maioria;

como um avião lá em cima, no traço do céu; sabemos o que é, mas não percebemos os seus contornos, os seus pormenores, ficamo-nos pelo geral; ficamo-nos bem, pronto

mas isto é cada vez mais uma espécie de diário e não um caderno por onde retire ideias ou deixe pensamentos;

é assim, pronto

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

partida

largada, fugida

e a coisa começou; distribuição de serviço, algumas propostas e desafios, e vamos a ele que o tempo se faz tarde;

é ver o pessoal a entrar e a sair, caras mesmas, caras novas;

em tempos as culturas de escola renovavam-se, rejuvenesciam-se, ganhavam alento por esta altura;

era quem entrava e quem saia, traziam-se coisas novas, levavam-se coisas velhas e a cultura de escola ganhava sempre algum alento;

hoje o momento é diferente; persistem rostos e caras, modos e formas; a cultura de uma escola consolida-se - é bom e é mau, tem coisas boas, tem coisas más;

mas começou, vamos a isso;

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

coisas interessantes e possíveis de levar para a sala de aula, agora que se aproxima mais um ano letivo;

antes dele começar, o ano letivo, deixo por aqui algumas ideias que têm como objetivo mobilizar o aluno, facilitar o trabalho de ensino e aprendizagem, organizar e promover dinâmicas de grupos e/ou de sala de aula;

para abrir a secção uma aplicação que permite criar livros em contexto de sala de aula - tanto podem ser na área da escrita criativa, do diário de aula ou dos portefólios de aluno e/ou de disciplina;

terça-feira, 30 de agosto de 2016

vozes à solta

narrativas da escola; diria, mais prosaicamente, coisas sobre a escola;

um livro recente que, mesmo antes de começar o ano letivo e os afazeres normais da escola, recomendo vivamente;

é uma lufada de ar fresco neste tempo quente, lê-se bem, fluí, as palavras não nos prendem, as histórias seduzem-nos; reconhecemo-nos, quem é docente, quem é pai, quem vive a escola, nas histórias

serve, fundamentalmente, para nos falar
de uma escola humanista, contemporânea, implicada nas aprendizagens e no percurso escolar, no desenvolvimento e na socialização de todas as crianças e de todos os jovens. Uma escola responsável, agregando e otimizando diversidades e complexidades, trabalhando com a incerteza, refletindo implicadamente, investindo, reconstruindo a partir dos erros, na reelaboração de práticas solidárias, numa responsabilidade partilhada.
Uma escola em que a criatividade e a qualidade substituem a mediocridade e o pessimismo instalados e institucionalizados. Uma escola protetora, um território aberto, contentor e inclusivo onde todas as crianças e jovens se sintam aceites, satisfeitos e em que a aprendizagem, para além de não ser negligenciada, é um propósito e um direito de todos. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

29 de agosto

dia para não esquecer 

lembra o P. guinote, no seu quintal, dia 29 de agosto, para lembrar e perguntar,
até quando, porra?;

Professores e tecnologia

é certo que a grande maioria dos docentes, de todos os níveis de ensino, são conhecedores e utilizadores da tecnologia;

nos tempos que correm quem não o é, mesmo que indiretamente;

mas daí a ser utilizador esclarecido e com sentido estratégico, nomeadamente em sala de aula, vão alguns passos;

por vezes por receio;

este sítio mostra de forma bem disposta quanto brasileira, respostas à relação entre professores e tecnologias;

aviso, o sítio é deveras interessante e atual;

para o arranque

já a pensar no arranque das atividades em sala de aula e naquilo que muitos designam como tarefas de arranque ou questões de diagnóstico, deixo à consideração um sítio (se bem que com diferentes opções) onde é possível ir buscar (em inglês) exemplos adaptáveis para uma e outra situação;

do sítio da edutopia (que está disponível na coluna do lado);

arranque

e pronto, a partir do momento em que recebi o calendário das "festividades" de arranque de ano letivo com semana e meia preenchida com reuniões disto e daquilo, para isto e para aquilo o sentimento de férias foi-se ao ar;

marca-se o início efetivo de novo ano letivo;

vamos a ele

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

será que

é mesmo assim;

diz-se por aí, entre dois dedos de conversa e um sentimento desconfiado que se perspetiva, lá mais para a frente uma coisa qualquer tipo ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE ... EDUCAÇÃO,

será?

de uma entrevista

esta entrevista do senhor ministro da educação revela, no meu entendimento, três situações interessantes;

uma outra geração (com percurso, história e objetivos diferenciados) chega ao poder; é certo que não é uma gestão linear (tradicional?), mas não deixa de ser interessante perceber como "um [novo] estrangeirado" olha, analisa e gere a política nacional;

gosto das pontes, delicadas, complexas, poliédricas, que perspetiva entre três partidos que têm tido, nos últimos 20 a 30 anos posições tão diferentes quanto o céu e a terra; aproximar diferenças, identificar consensos, construir pontes é muito mais complexo e desafiante que estar rezingão, rabugento, do lado oposto, ser do contra;

mas não deixa de ser mais do mesmo; por um lado limitação e condicionamento da escola pública (aqui o papel das autonomias locais é determinante, com meios e que não se devem esgotar na municipalização, seja qual for o pretexto) e de fazer omeletes sem ovos, isto é, não há dinheiro não há vícios (e a escola e o sistema educativo está cheio dele);

o início aproxima-se, espero para ver...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

sobre o interior

no decurso deste mês de agosto e no meio de tanta tontice publicada, surge, aqui e ali, uma nota interessante, que retenho para mais tarde recordar;

dou destaque a uma delas sobre o interior deste país, mais de 2/3 do país votados à desertificação, ao envelhecimento, às distâncias que nunca mais acabam, ao isolamento social e cultural;

o expresso publicou um interessante artigo que, muito provavelmente, dará origens a mais escritas, lá mais para a frente e que vale a pena destacar uma vez que é a primeira vez que vejo a eventualidade de uma estratégia educativa incidir sobre o interior;

é certo que a generalidade dos diretores de escola/agrupamento procura conformidades, com receio das suas diatribes, mas seria interessante perspetivar o que pode a escola fazer pelo interior?

e não digo/pergunto em termos genéricos, teóricos, concetuais, pergunto em termos, por exemplo,

qual o papel da escola no acompanhamento de crianças quando os pais estão ausentes?

que estratégias de promoção do sucesso social e escolar podem ser complementarmente definidas aos pais/família?

na formação de públicos, desenvolvimento de culturas, modos de integração e tolerância?

e não penso obrigatória ou necessariamente nos docentes, mas nas estruturas, nos equipamentos, nas pessoas e, por que não, na ação pedagógica;

ou será demais pensar que uma escola/agrupamento tem ideias para além do seu umbigo?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

domínio brasileiro

somos muita bons mas quem manda é quem tem gente;

e o brasil manda na internet em português;

faça-se uma qualquer busca, sobre um qualquer tema e são milhões as páginas brasileiras enquanto as do lado de cá meia dúzia;

mesmo em sítios académicos, cada vez mais partilhados entre os dois lados do atlântico, o domínio brasileiro é feroz;

este predomínio não pressupõe, pelo menos de forma direta, qualidade, mas que no meio de tanta quantidade há coisas interessantes, lá isso há;

deste lado pt somos predominantemente consumidores, usufruímos do que por aí existe e definhamos;

o inglês americano substituiu o francês e depois o próprio inglês do velho continente tornando-se a língua dominante não apenas da internet mas global,

daqui a pouco, não restam grandes esperanças que o português será no sotaque de drumond e não de pessoa;

para consultar páginas no domínio pt é preciso filtros, tempo e paciência;

terça-feira, 23 de agosto de 2016

das férias e da escola

em período de pausa onde predominaram, uma vez mais, os incêndios em termos de escola houve algumas notas (notícias) que achei interessantes;

uma sobre o calendário e objetivos da IGEC para o próximo ano letivo;


de acordo com os objetivos na tabela (e disponíveis na respetiva página) o sul surge com uma preponderância deveras significativa, um total de quase 77% das escolas sujeitas a avaliação - quando o sul (Alentejo e Algarve) não representa mais de 10% do total do país em termos escolares (e não só);

desculpem lá qualquer coisinha, mas é obra?

estou certo que existirão razões para o efeito,

mas não será algo desproporcional e que certamente exercerá influência no relatório final - replicando essa desproporção, enviesando resultados?

ou será que aquilo que se pretende é mesmo fazer um exame detalhado ao sul?

ou será que descobriram os privilégios de viver a sul?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

dos modelos

fiz alterações ao modelo do blogue;

reconheço que sou, de alguma forma, um inconformado, gosto de mudar, de alterar modelos e padrões;

mas que não percebo nada da coisa também é verdade, mudo o que posso, o que sei ou o que consigo;

fica aqui ao lado a lista de blogues, coisas prás aulas, para conhecer, metodologias, recursos;

a caixa de comentário está disponível - condicionada, claro, mas disponível;

mais do mesmo - um ano depois

esta coisa da blogosfera (e/ou das redes sociais) permite ver o nosso histórico, perceber os nossos índices e padrões de coerência;

fui atrás, a agosto do ano passado, ver o que então tinha escrito - ou escrevido como eu gosto mais de dizer;

e não é que disse quase o mesmo do que está abaixo?!

contudo, o trabalho do ano passado foi muito por água abaixo, mudei de escolas e de níveis, pelo menos de um dos níveis;

ele há coisas que, apesar do tempo, são mais do mesmo; mai nada...

chamem-me nomes

eu sei que não sou, nem nunca fui, totalmente bom da tola; mas é o que se arranja e a idade não produz veleidades de melhoria;

apesar de ser docente há já uns anitos, de andar para trás e para a frente com níveis e anos de escolaridade tenho de reconhecer que ando entretido com as coisas básicas da profissão docente, planificações;

não começo cada ano do zero, aproveito muito do material que tenho, mas não deixo de ver comentários ao ano anterior, alterar aqui e ali, procurar melhorar isto e aquilo; a grande preocupação é mesmo a contextualização; os públicos mudam, crescem e tenho de adaptar dinâmicas, estratégias e opções - pelo menos inicialmente, depois logo se verá como a coisa corre - ou escorre;

podem-me dizer que não estou, nem sou, bom da tola, mas nesta altura ando entretido com coisas das aulas, aquilo que para uma mulher se poderia designar, num qualquer pronto a vestir, de os essenciais; já fiz planificações, já re organizei a matriz de avaliação (os meus registos de cada turma), já preparei a apresentação da disciplina, já marquei uma visita de estudo e preparo-me para alinhar os conteúdos de projeto - definir questões, problemas, orientações aos grupos;

sou assim mesmo, chamem-me nomes...

mais do mesmo

apesar de ainda não terminado o bem bom, a pausa pedagógica, começo, ainda que devagarinho, a retomar dinâmicas, a recomeçar moengas, a recuperar vontades e disposições;

devagarinho vamos lá;

votos para que a pausa tenha sido boa, a minha foi q.b.

pronto para mais do mesmo

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

em restabelecimento

de forças e ânimos, vontades e coisas necessárias a um andamento pretensamente normal;

depois de submeter a candidatura à mobilidade interna, vou ali e já venho;

diria para descanso de quem por aqui passa, dos visitantes e leitores;

mas é também por mim, estou a precisar;

mais não seja para perceber o que é necessidade de descanso e o que são as moengas da idade;


prometo regressar - a 15 deste mesmo mês de agosto, até lá, fiquem bem...

quarta-feira, 27 de julho de 2016

arrumações

quase em férias desfruto da pausa antes disso;

arrumo o meu cantinho de devaneios e escrita, mas também de trabalho e afazeres escolares;

este ano dou conta (com alguma surpresa) que tenho muito pouco, mesmo muito pouco papel para arrumar;

não fui ver notas de anos anteriores, mas se fosse ver certamente confirmaria a ideia que tenho reduzido (substancialmente) o número de papeis com que chego ao fim de cada ano letivo;

este ano ainda tenho alguns papeis para arquivar; coisas da direção de turma (quer de aluinos quer de encarregados de educação ou de conselhos de turma), fichas de trabalho, notas minhas quando o tablet avariou; coisas pouca, muito poucas mesmo quando comparada com o material que tinha aí há coisa de três/quatro anos atrás;

e o objetivo é simples, para o ano papel zero
(pelo menos cá por casa, por que se tem de albardar o burro à vontade do dono);
vamos ver

segunda-feira, 25 de julho de 2016

rede educação XXI

ele há movimentos que se podem tornar interessantes; começam quase sempre por ser coisas diferentes, para já não dizer esquisitas, mas que se tornam essenciais para se fazerem caminhos;

podem, a um primeiro momento (ou impressão) dar a ideia que são mera teoria, simples retórica;

vistos de perto podem ser redes de trabalho colaborativo, formas de partenariado profissional ou espaço de partilha de ideias e vontades;

a rede educação século XXI é tudo isso,

mas é essencialmente um espaço a descobrir e a construir de e sobre futuros que somos nós;

recursos para projeto

a partir daqui uma síntese interessante sobre diferentes recursos suportes ao trabalho de projeto;

em tempo quente (muito quente, diga-se) oportunidade para, no regaço do fresco se pesquisarem e se perceberem quais nos podem ser úteis;

interessante perceber que há algumas (poucas) cruzam plataformas e, por isso mesmo, se podem tornar mais interessantes que outras;

contudo, o que torna uma aplicação interessante é o uso que lhe damos, os objetivos que nos ajuda a cumprir, as tarefas que são facilitadas;

é pensar, sempre, para que se quer e o que se pretende de uma aplicação; depois analisar a panóplia de alternativas e optar;

quarta-feira, 20 de julho de 2016

futuros

estou certo que a tendência expressa na imagem e na notícia se irá manter pelo futuro;

existirão cursos que se extinguirão (por falta de procura, por desadequação, por modismos ou por simples diatribes de quem de direito) e outros se (re)criarão (por pressão, modismos, oportunidades, futuros);

considero esta dinâmica algo normal e "natural", fruto de uma dinâmica do tempo e do papel que a ciência tem no contexto social;

a questão que levanto passa por outro lado;

poderá a escola manter a sua estratégia disciplinar, herdada da revolução francesa e da revolução industrial?

poderá a escola manter um currículo rígido, programas compartimentados, instrumentos de avaliação segmentados?

a autonomia universitária (ou de ensino superior) permite uma maior adaptabilidade e uma outra capacidade de reconfiguração organizacional (ainda que a estrutura se mantenha);

e o ensino básico e secundário? permanece distante, isolado, compartimentado, fechado?

defendo que muito que poderá ser a escola do futuro passa pela capacidade de o local se adaptar (a públicos e objetivos), contextualizar (a interesses e estratégias), flexibilizar (no currículo e na avaliação);

se lhe chamam autonomia ou apenas criatividade serão questões de semântica - mas não são pequenas;

terça-feira, 19 de julho de 2016

Apps para ensinar e para aprender na era mobile learning

eu sei que por estas bandas tenho ainda menos passantes - do que pelo facebook;

mas, muito sinceramente e reconhecendo o que de bom e mau têm as redes sociais, prefiro este cantinho;

talvez pela escrita, talvez por que nem sei quantos por aqui passam e não me sinto com qualquer obrigação - ou tristeza - por via de ter, ou não ter, os ditos likes;

talvez por aqui uma ou outra ideia passe mais sorrateiramente, mas que fazer...

desta feita deixo aqui uma indicação na onda do grupo pbl lovers e que agradeço à Amélia;


das notas

As provas de aferição, que já não contavam para a avaliação dos alunos, deixarão também de ter notas
e como é que alguns papás irão fazer as médias, han?

clínica pedagógica


a alteração das notas de classificação para relatório introduz (eu escrevo que acentua) aquilo que designo como a clinização do processo pedagógico, isto é, torna clínico um processo que era inicialmente pedagógico;

já antes o processo individual do aluno remetia em muito para esta dimensão;

de princípio nada contra;

apenas a consideração que se torna necessário alguma contextualização (eu direi especificação) para que se possa desenvolver todo o processo que vai da análise à avaliação passando pelo diagnóstico;

principalmente em processos de individualização - ou de costumização de terapêutica, mas também de análises cruzadas de diagnóstico, por exemplo;

mas que esta associação entre processos pedagógicos e processos clínicos é interessante, é ;

segunda-feira, 18 de julho de 2016

um exemplo

ainda antes de entrar na calmice dos dias grandes, deixem-me destacar um exemplo que há muito defendo;

isto a propósito do conjunto de condecorações que o presidente da república entregou à seleção de futebol, a medalhados do atletismo e amanhã da seleção de hóquei em patins;

questionado o senhor presidente se havia de distribuir tanta medalha, depois de o seu antecessor ter sido tão parco nessa área, o presidente respondeu que está definido o critério, e só há que aplicar o critério;

coisa tão simples esta e que seria interessante de levar para a escola;

por exemplo na distribuição de serviço docente que, como é bem dito, fica ao critério da descricionaridade e arbitrariedade dos senhores diretores - sendo certo que nem todos, nem nenhum;

apesar das orientações para manutenção em lógicas de ciclo, há situações que não lembram ao diabo, a não ser a algumas cabecitas pensadoras e iluminadas, e se (re)distribui o serviço como se tratasse de um bodo aos pobres, numa por vezes nem sem sempre assumida, gestão de interesses;

por que não definir critérios, fruto do contexto da escola - esqueça-se o perfil uma vez que disso estamos fartos; e seria aplicar o critério;

são poucos, muito poucos os projetos educativos que conheço que contemplam critérios que permitam conter os excessos de arbitariedade e descricionaridade do senhor diretor;

os próximos

a partir de agosto entrarei numa área que já aqui tem uma etiqueta mas que ainda tem pouco conteúdo, refiro-me à metodologia de trabalho de projeto (a etiqueta vem do seu inglês, pbl, projet based learning);

irei procurar destacar e acentuar esta dinâmica de escrita num processo assumidamente relacional, metodologia de projeto e coisas em seu redor;

desde a avaliação, organização e dinâmica, parcerias e partenariados, recursos e meios, dispositivos e tecnologias, resiliência e trabalho colaborativo;

para já a indicação de um sítio que é mais que uma referência - http://bie.org/about/what_pbl 

já agora e neste contexto procuro parceiros pelo país ou pelos PALOP's para partilha de ideias, conversa e encontros, outras e diferentes perspetivas, olhares, sobre a mesma coisa de sempre, a História e a educação e a escola; mesmo que virtuais e à distância de um qualquer clique...

caso haja interesse deixem comentário ou escrevam para manuelcabeca@aemn.pt;

calmice

o tempo não é nem de escola nem de aulas;

quanto muito será de avaliações, balanços e (re)organização a pensar já no próximo ano letivo - há que pensar e definir critérios para distribuição de serviço, constituição de turmas, medidas de apoio e promoção do sucesso, formas e processos de monitorização de processos e de resultados;

o tempo das aulas e da escola não se esgota nas 4 paredes de uma sala de aula;

mas o tempo por aqui, por este meu cantinho vai ser de alguma calmice, de um fluxo estival, reduzido, escasso, por vezes mesmo seco;

são coisas do tempo quente...

terça-feira, 12 de julho de 2016

o tempo da escola

a partir de uma peça do Público, o tema é recorrente - mas não deixa de ser pertinente;

para mudar é o carmo e a trindade, um ai jasus que nos acuda à santa tranquilidade;

é mais fácil manter rotinas, procedimentos mesmo que por vezes não se percebam origens, seja contraproducente ou descabido o seu sentido;

mudar apenas por modernice ou mania também não,

mas não ficava mal criar um espaço de diálogo sobre o tempo da escola;

até que ponto a organização em semestre não seria mais adequada a lógicas da avaliação (e do sucesso) escolar?

ou seja, feito um primeiro momento de avaliação seriam definidas e adotadas as estratégias de apoio e recuperação para, no final, se realizar a "prova dos novos";

reduzem-se as hipóteses de sucesso pela redução do número de momentos de avaliação?
não creio, apenas se criaria a hipótese de clarificar as opções entre avaliação formativa e sumativa;

segunda-feira, 11 de julho de 2016

coisas

um pequeno país, feito de marinheiros e aventureiros, onde abunda a fé e as crenças, prenhe de pessimismo quanto de idealismos conseguiu derrotar um dos grandes da europa;

david derrotou golias, mais uma vez;


de ontem para hoje

ontem escrevi e foi hoje publicado no ComRegras;

Escrevo na tarde de domingo, resguardado do calor que faz lá fora e na expetativa do que poderá acontecer daqui a pouco, na final do euro 2016, que envolve Portugal e França.
Certamente que como todos, quero que Portugal vença. As hipóteses serão escassas se verificadas pelas diferentes casas de apostas. Contudo, apesar de escassas, existentes. Pessoalmente acredito na vitória de um grupo que sabe identificar diferentes soluções para diferentes problemas. Da mesma forma que tem sabido gerir protagonistas individuais e espírito de equipa, esforço e capacidades individuais com dedicação coletiva. Será, no meu entendimento, a solução possível para um desafio claramente complexo.
Ou seja, em crónica semanal sobre coisas da escola e das aulas, seria quase que incontornável para um português que se preze, não abordar a relação que se pode estabelecer entre o futebol e a escola (a sala de aula). Considero o futebol como metáfora da escola o exemplo mais acabado do que podemos ser em contexto de sala de aula. Tento mostrar.
Num lado o treinador. Motiva, orienta, define estratégias, organiza o grupo em função do que ele considera de cada elemento.O treinador não vai para o terreno de jogo, não marca golos como Ronaldo, nem os defende como Patrício, nem faz passes de magia como Sanches. Mas é ele o principal visado quando as coisas não correm pelo melhor. Mas, na vitória, é mais um dos muitos ouvidos sobre a estratégia, a tática, a organização que levou à vitória.
Neste mesmo lado, temos de tudo. Do guarda redes ao roupeiro, passando por massagistas, terapeutas, cozinheiros e que mais gente que faz uma equipa. É a diversidade e pluralidade de feitios, estilos, ritmos, treinos, condições e capacidades. Tudo e todos que têm de ser geridos em prol de um coletivo, numa primeira instância (e determinante, digo eu) mas também do que cada um é capaz de fazer por si.
Do outro lado, do lado da escola o terreno de jogo é a sala de aula. Um professor, que não faz exames, mas que prepara para eles. Não faz testes, mas tem de preparar o aluno para enfrentar diferentes situações. Um professor perante a gestão de um coletivo de diferentes, heterogéneo, diverso, plural e que só por isso constitui a riqueza daquele grupo. Com interesses, ritmos, dinâmicas diferentes e diferenciados. Todos pretensamente com um mesmo objetivo, o sucesso, ou, pelo menos, o de ultrapassar aquela fase, o de sair daquele momento, de seguir em frente. Por vezes entram em cena os auxiliares. Ensino especial, apoios, tutorias, terapeutas, mediadores, entre todo um vasto corpo de profissionais que há coisa de 20 anos frequenta a escola e auxilia na ação educativa.
Entre futebol e sala de aula há todo um campo de semelhanças e continuidades que pode ser útil para explicar a alteração de sentidos (educativos e escolares) verificados entre uma geração de ouro, aquela mesma que foi vice campeã  esta que joga hoje (ontem). Entre uma e outra não existe continuidade nem semelhanças de estrelas individuais (Ronaldo já lá estava e destaca-se em absoluto, mas falta um Rui Costa, um Pauleta, um João Pinto, entre outros que não têm comparação). No entanto acredito muito mais nesta geração. Acredito pela sua resiliência, pela sua persistência, pela estratégia organizacional que faz com que não tivéssemos jogado bonito mas que nos levou (pelo menos) à final.
A sala de aula pode e deve ser esta persistência, esta adequação entre protagonismos individuais, fruto de interesses e objetivos, e um coletivo que se afirma. Pode e deve passar pela sala de aula o saber competir, trabalhar em equipa, definir e alcançar objetivos. Deve e pode passar pela sala de aula o papel de um coletivo feito de muitos de nós.
Acredito, sem ser pessoa de fé, que Portugal ganhou.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Da demografia

O problema demográfico é complicado e deveras complexo para análise simples e direta da minha parte;

Mas as notícias são o que são e dão conta dessa bomba que temos entre nós, a do esgotamento demográfico;

Perante a redução de mais de mil turmas que se perspetiva pergunto quantas caberão ao Alentejo? Qual a percentagem nesta região?

Mas afinal o que se faz para combater a situação? Pela tutela, pelos municípios?

Que pensam fazer as escolas e os agrupamentos para gerir ofertas e criar alternativas?

terça-feira, 5 de julho de 2016

testes e predominânicas


estas coisas dos testes on line valem o que valem;

orientam-nos, justificamo-nos, mas também nos compreendemos e entendemos um pouco mais e um pouco melhor; quando dá jeito, pois claro;

o meu teste de predominânica cerebral dá esta coisa que eu confirmo, pois claro;

segunda-feira, 4 de julho de 2016

estupidificação

o Paulo dá conta de uma grelha que revela o requinte de malvadez com que se trabalha em algumas escolas - seria mau generalizar;

pretensamente as grelhas deviam servir para ser um meio de facilitação de trabalho, alguns até dizem de objetivação de processos e de avaliação; contudo tornaram-se um fim em si mesmas;

e vi, no final do ano letivo, docentes, colegas, presos a uma grelha e a uma avaliação; condicionados por aquilo que a grelha dizia e atribuía, como se valesse por si, como se fossem fim e não um meio;

considero dois problemas no contexto da utilização excessiva das grelhas (e costumo dizer que tudo o que é demais cheira mal);

o fim em que se tornaram para justificar, legitimar pretensas objetividades (não lhe chamo arbitrariedades por preceito) - já aqui o escrevi, a vida não cabe numa tabela de dupla entrada; será que a objetividade de um processo (o da avaliação) não decorre do trabalho desenvolvido ao longo do ano? dos indicadores serem se não claros, pelo menos conhecidos? de existir envolvimento e participação entre quem avalia e quem é avaliado? de cada um (saber) assumir as suas responsabilidades no processo?

segunda dimensão, o discurso com que é justificada a sua utilização, o da segurança do professor, a da salvaguarda do seu trabalho, da legitimação da avaliação; isto é, as grelhas são importantes para salvaguardar o trabalho do profe, para sua segurança profissional perante reclamações ou queixas (de pais, pois claro);

é um discurso fascista que torna própria e pessoal uma ameaça que não se vê por que é construída pelo próprio; assenta na insegurança de cada um, fazendo de cada um polícia (e carrasco) de si mesmo;

e continuamos a conversar


depois de um manifesto (que não foi uma manifestação) ter juntado tantos e tão diferentes autores da blogosfera educativa, o pessoal gostou e continua junto - pelo menos na escrita;

a ideia é simples, há quem lance um tema a partir do qual se cruzam olhares, estabelecem diálogos, trocam perspetivas; tudo na escrita de cada um e no seu cantinho, dando conta dos outros pontos de vista;

e está lançado o primeiro tema, as férias escolares;

já escrevi algumas coisas (e ainda hoje irão surgir +) sobre o tema que o Alexandre nos propõe, dando origem a comentário que torna visível algumas das ideias que circulam em seu redor - o trabalho dos professores, as funções e missão da escola, a relação com o mercado, entre outros;

a partir do texto (de arranque) do Alexandre há duas ideias que destaco e que considero essenciais;

de um lado, a função social da escola; entre as reconfigurações a que a escola tem sido sujeita uma delas passa pela guarda da criança; queira-se ou não, concorde-se ou não à escola compete uma também missão de guarda; esclareço é que não têm, necessária nem obrigatoriamente, que ser os docentes a assegurar essa guarda; e que ela mesma pode e deve adquirir diferentes contorno consoante a idade; neste contexto, mais que alterar o horário de funcionamento do mundo para que se adapte a dinâmicas, ritmos e interesses da escola, bem que pode ser a escola a adaptar-se ao mundo, recriando formas, processos e lógicas de organização; em parcerias locais, em articulação com dinâmicas inerentes a um contexto - e cada contexto é próprio, específico, individual;

circunstância que me leva à segunda nota de destaque do texto do Alexandre; passa pelo exercício das autonomias locais; mais que diálogos com a tutela, tem de ser o local a deixar-se de retóricas e a assumir o seu caminho, assumindo as suas responsabilidades; esta assunção permitirá, em hipótese, envolver outros parceiros (município, associações, ipss) criando formas de envolvimento e participação que permitam ir além do quero, posso e mando; para isso, torna-se essencial ou criar ou reforçar os espaços de participação e de legitimação local da ação educativa (conselho pedagógico, conselho geral, conselho municipal de educação);

entre a função social que reconheço e atribuo à escola e o exercício das autonomias locais poder-se-ão desenvolver projetos de integração e inclusão social, de formação de públicos, de conhecimento e divulgação de outras realidades, de sensibilização social, de comportamentos;

e digam-me lá se não se podem criar complementaridades e se esta ação não terá entorno escolar?

domingo, 3 de julho de 2016

um fim que é um princípio

terminei o meu curso sobre a metodologia de projeto;

foi o meu primeiro curso on line a partir da teacher academy,

seguramente não será o último;

deu para conhecer outras realidades, outros sistemas educativos, outros problemas e outros sucessos;

deu para perceber que existe uma matriz europeia de professor, uma quase que identidade profissional, que cruza países, culturas, histórias e tradições;

gostei mesmo e só me posso sentir agradecido por ter participado e por ter aprendido com tanta gente;

pena é que nos distribuíram ou agruparam entre norte e sul - vantagem da minha indisciplina, fujo (quase) sempre ao que me impõem e vá de interagir com o norte;

sábado, 2 de julho de 2016

coisas interessantes

em tempos onde as tecnologias dominam e predominam, coisas interessantes que os docentes podem utilizar na dinâmica de sala de aula;

referencio o sítio

http://www.educatorstechnology.com/

e destaco nele um sobre posteres, deveras interessante;

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Vale a pena

Ele há coisas que valem a pena ler;

Esta é uma delas - A jornalização em curso

Ajudam-nos a perceber os tempos e os modos de um coletivo que cada vez mais é individual;

Como nos ajudam a perceber co o se fazem (fabricam) opiniões e se tornam coletivas como se fossem caminho único;

sexta-feira, 24 de junho de 2016

do calor

que me seja permitida a divergência temática a este meu cantinho;

dedicado a questões de sala de aula (desde dinâmicas a relações ou pressupostos) e tendo como pano de fundo a escola e a educação, no período de verão, pausa escolar, avançarei por outros temas, abordarei outras questões, escreverei sobre outros assuntos;

é uma questão de calor, de cansaço, mas também de pausa;

não quero cansar em demasia os passantes, mas deixarei apontamentos com a irregularidade que a vontade me permita...

coisas do sucesso

ou da falta dele

direi que me sinto algo entalado;

entre, de um lado, convições e ideias de escola e da sua organização

e

do outro

pressupostos e orientações de trabalho e da ação docente;

escrevi numa última entrada
as estratégias de promoção do sucesso vão recair sobre o trabalho dos professores, esta uma pequena grande divergência com o chefe de missão;

divergência por que considero que deviam incidir em questões de organização escolar e letiva (coisa que sei que o senhor chefe de missão concordaria comigo) - mas estas notícias desmentem e contradizem em absoluto;

o que as opções e orientações definem, de um lado, e as medidas de política fazem mais não é que mostrar, uma vez mais, a desconfiança que o poder central tem relativamente aos seus funcionários;

e aqui o meu entalanço;

é que sei que uns e outros têm razão; afinal, se não existirem orientações muitos dos seus funcionários ficam se não desorientados pelo menos inativos, expectantes;

do outro, sei e tenho consciência que o local, deixado ao seu livre arbítrio opta, em muitos casos, por medidas descricionárias, arbitrárias e algo totalitárias (do eu quero, posso e mando);

obviamente que não seria em todo o lado; se calhar nem na maioria dos sítios; se calhar sou eu que tenho o privilégio de andar por sítios onde não vale a pena pedir opinião aos professores;

de saída

a quase certa saída da GB da UE mostra que algumas das políticas definidas, assumidas e implementadas ao longo dos últimos 30/40 anos falharam redondamente;

aquando da minha tese tive oportunidade de perceber como as medidas de política europeia foram as primeiras a entrar na escola, decorria ainda a década de 80 do século passado;

na década seguinte então foi o auge das medidas de sensibilização europeias na escola; eram projetos para quase tudo, iniciativas sobre tudo; programas sobre isto e sobre aquilo;

não menos interessante esta aposta na escola era liderada e assumida pelo então instituto português da juventude;

isto é, foi notória a opção da então comunidade europeia apostar na sensibilização dos jovens,

esses mesmos que hoje no reino unido optam por sair;

dupla leitura,

as medidas falharam por que um vasto conjunto de pessoas sente que a UE nada lhes diz, que é impedimento e não possibilidade;

a escola forma pessoas para a autonomia de açao e pensamento e quando julgamos que vamos todos num mesmo sentido, essas mesmas pessoas podem-nos surpreender;

e agora?
essa a grande questão

quarta-feira, 22 de junho de 2016

promoção do sucesso

estão abertas as candidaturas para que as escolas apresentem projetos de promoção do sucesso escolar (até 11 de julho);

que a proposta é perfeita? não senhor, não é;

que as opções, os critérios que definem regras e "impõem" procedimentos às escolas podiam ser outros? é verdade, podiam e, em algumas situações, deviam ser outros;

apesar de ter aqui pano para longa conversa e amena cavaqueira com o chefe de missão, direi que é o que temos;

contudo e a despeito do que é esse projeto ou do que pode vir a ser, por onde ando nada se ouve, nada se diz, em nada os profes são chamados a participar, até ao momento ninguém perguntou qual a opinião deste ou daquele, seja por perfil ou por experiência ou por sei lá, quais os contributos deste ou daquele, que pode um diretor de turma propor, ou um coordenador disto ou daquilo;

se calhar é por que ainda falta muito tempo para a data de entrega e, há boa maneira tuga, tudo fica para o fim;

se calhar é por que já perguntaram a quem de direito;

se calhar é por que existem iluminados com ideias não apenas sobre estratégias para o sucesso escolar, mas e não menos importante sobre o trabalho docente;

ah pois, as estratégias de promoção do sucesso vão recair sobre o trabalho dos professores, esta uma pequena grande divergência com o chefe de missão;

depois de um manifesto

juntou-se um largo conjunto de pessoas em redor de 15 blogues da educação, para subscrever uma posição comum e conjunta;

posição se não inédita pelo menos muito pouco comum, que leva as pessoas a questionarem-se mutuamente sobre e agora...?

e agora o sururu que faz com que a escola e a educação estejam nas primeiras capas ir-se-á esbater significativamente, entramos na silly season e o resto pouco importa - a não ser banhos, descanso, lourinhas espumosas e...;

mas seria e será interessante perspetivar o que será capaz de resultar da conjugação de esforços que têm duas particularidades:

é assumido por pessoas muito diferentes (em termos de sensibilidade política e partidária, de experiências e vivências, de ideias de escola),

como é e por outro lado, assumido à revelia de grupos organizados (sejam eles socio profissionais, sindicais, partidários ou outros);

e agora, depois do manifesto


notas de final de um ano

no final de quase todos os anos letivos não me deixo de surpreender pelo papel que os papeis, grelhas ou outros, referentes às medidas de promoção do sucesso, fazem perante aqueles que visam;

habitualmente são preenchidos no final do 1º período, por via do número de níveis inferiores a três que os alunos obtêm; por onde tenho andado, consistem em colocar cruzes nas pretensas dificuldades do aluno e mais cruzes nas medidas de apoio propostas (algumas nem funcionam); mais cruz menos cruz tudo é igual para todos, uniforme a todos (fazendo-me lembrar os comprimidos que nos davam na tropa, eram os mesmos, independentemente das queixas);

são papeis, nunca consegui perceber qual a sua finalidade - a não ser aquela mesma de impingirem aos docentes formas de pensar na/a sua ação; na generalidade são preenchidos qual totobola, mais conversa menos conversa, mas sem grande rigor nem preocupação - que vá além da administrativa;

o certo é que, mais cruz menos cruz, dão um resultadão; ele é ver e apreciar a recuperação de cada aluno, como se passa de 8 ou mais níveis dois no final do primeiro período, para um ou dois ou, vá lá e quanto muito, três níveis dois no final do ano;

e passa;

e depois ainda há docentes que dizem que a avaliação é futurologia; qual quê, rigor absoluto, basta fazer uma grelha...

terça-feira, 21 de junho de 2016

Pela Escola pública

Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação, temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.
A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de atuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva de políticas educativas, em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade de resposta da Escola Pública.
Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:
Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;
Considerando o nível de desigualdade social instalado importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.
Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;
Dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.
Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;
O ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.
Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;
Para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.
Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;
A resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.
Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;
Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;
A promoção de uma educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas, autonomia de escolas e agrupamentos.
Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais, e não pedagógicos ou educacionais.
A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.
A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade de, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se autogovernar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.

Portugal, 21 de Junho de 2016


Subscrevem (por ordem alfabética):
Alexandre Henriques – ComRegras
Anabela Magalhães - Anabela Magalhães
António Duarte - Escola Portuguesa
Duilio Coelho - Primeiro Ciclo
José Morgado - Atenta Inquietude
Luís Braga - Visto da Província
Luís Costa - Bravio
Manuel Cabeça - Coisas das Aulas
Nuno Domingues - Educar a Educação
Paulo Guinote - O Meu Quintal
Paulo Prudêncio - Correntes
Ricardo Montes - Professores Lusos


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