quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

dúvidas e incertezas


depois de alguns dias assim a modos que ...a duvidar de mim mesmo, a questionar o que ando a fazer, a colocar em causa opções e metodologias de trabalho, há pelo menos um dia, ontem, que correu bem, que confirma e justifica procedimentos,
há que dar tempo ao tempo, insistir, persistir e não desistir; trabalhar por projeto estou convencido que é uma das formas de dar a volta ao desinteresse, indiferença e alheamento dos alunos, às situações em redor dos comportamentos disruptivos mediante o envolvimento e implicação do aluno no seu próprio trabalho;
a opção por metodologias de trabalho assentes em projetos ou problemas podem efetivamente e no meu entendimento dar um forte contributo para repensar dinâmicas e organização escolar, relações e formas de envolvimento (do aluno e do professor);
mas precisa de uma constante avaliação, de diferentes formas de (auto)regulação; precisa constantemente de adaptação - nem sempre há recursos disponiveis, a dispersão é fácil, a vinculação do aluno ao seu trabalho difusa, a responsabilidade individual muito frágil, facilmente ionteresses individuais se sobrepoem aos coletivos;
sozinho a fazer o que faço, ora me sinto bestial, ora me sinto uma besta; sozinho levo mais tempo a identificar soluções e alternativas, a diversificar estratégias, a referenciar outras opções para as turmas ou momentos em que os resultados não são o pretendido; a mesma questão pode não servir a diferentes turmas, os objetivos podem/devem ser adaptados aos grupos, os timmings geridos diferenciadamente;
mas há que dar tempo ao tempo, saber equilibrar e gerir diretividade e autonomia, encontrar equilíbrios entre a orientação e a criação individual; coisa que não é fácil;
mas quando resulta, como ontem, é incrível...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Fomos ao teatro

Se me perguntarem fazer o quê direi que... ao teatro, pronto;

aparentemente organizado pelo grupo de inglês, mas os colegas do grupo pouco mais sabiam que eu (ou não sabiam mais que eu);

Apesar da peça ser em inglês;

sensibilização pela língua? A peça nem sequer era de Shakespeare;

Mas pronto, uma manhã diferente...

sobre a ajuda

notícia de primeira página no jornal de notícias;

eu direi mais, porque o senti, pais com licenciaturas não conseguem ajudar os filhos;

as matérias, as estratégias, as opções de sala de aula, os conteúdos mudaram tanto e tão significativamente que, sendo sincero, se torna difícil apoiar/ajudar os filhos nos afazeres de da escola em casa (e não é preciso serem TPC's);

mais, porque as coisas são tão diferentes quando nos insinuamos na ajuda rapidamente os petizes nos atiram à cara que não foi assim que o professor ensinou;

resultado, mais vale a ajuda que se consiga dar e disponibilizar em sala de aula e pela escola para que se consiga cumprir o papel da escola;

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

adaptação

apesar da recente formação em que participei sobre a metodologia de trabalho assente em projeto (ou resolução de problemas) tenho de reconhecer que tenho feito algumas adaptações; não sou aqui (como em lado nenhum) um purista; recrio consoante contextos e circunstâncias;

fruto, essencialmente, dos recursos disponíveis (são escassos, poucos alunos trazem equipamentos para a sala, apesar de os terem), dos níveis de autonomia e da consequente dificuldade de gerir problemas (estão ainda excessivamente condicionados pelas orientações dos adultos, pais ou profes), não tive outra opção senão adaptar;

adaptei a questão de orientação, que não é bem uma questão mas mais um conjunto de opções de orientação, de caminhos que o aluno pode escolher; como tenho adaptado dinâmicas de sala de aula, de trabalho de grupo; bem como como tenho optado por fichas (quizzes) de forma a gerir conceitos;

tenho sentido vantagens nos processos de auto avaliação, que servem impecavelmente como elementos de (auto)regulação; corretos, adequados, justos o mais das vezes;

não tanto nos mecanismos de controlo individual, onde ainda identifico algumas falhas no que se refere à distribuição de tarefas;

perspetivo algumas alterações para o segundo período - trabalho com outros recursos (o manual, o caderno de atividades), trabalho mais condicionado à sessão/aula, objetivos mais curtos e apertado/condicionados...

na reta final

deste primeiro período; que é dos maiores deste ano letivo, e que se apresta a terminar;

em jeito de balanço duas ideias algo contraditórias;

por um lado, sinto que uma estratégia de trabalho se integra no quotidiano e os alunos dela se apropriam; no decurso dos trabalhos finais isso foi evidente; são trabalhos razoavelmente organizados, esquematizados e trabalhados; falta-lhes ainda alguma audácia em termos de apresentação em sala de aula, de romper com receios ou lugares comuns; a seu tempo;

segunda nota para dar conta que nunca, como este ano me tenho sentido desafiado, estimulado, confrontado com a minha prática profissional; na generalidade as turmas são fracas, pouco viradas para os objetivos escolares, sem grandes apoios sociais ou familiares; têm feito com que procure reorganizar quase que semanalmente estratégias, dinâmicas, processos de sala de aula;

uma e outra das notas dá conta da flutuação, oscilação, variação das dinâmicas, ora por interesses de alunos ou de professor, ora por cansaço de uns ora de outro, ora porque resulta aqui e não ali, hoje sim e logo não;

noto ainda uma grande oscilação de atitudes, de empenho; comparativamente mais fraco..

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

conversas

no meio da visita de estudo (que a muitos incomodou e questionou - tipo ... coisas do manel) ouvem-se conversas, imiscuimo-nos onde não devemos, partilhamos o que não é hábito;

no meio da rua, fechava eu a fila para que nenhum ficasse para trás, ouvia a conversa entre alunos;

falavam da necessidade de um ter melhores notas, de estar a ser difícil perceber o professor;

comentava que gostava que o professor o ouvisse, que mudasse um pouco,

ao que um outro responde,

não vás por aí, um professor mudar? olha que é difícil, se não quase que impossível um professor mudar... tens de ser tu a mudar;

não vou comentar a mudança, digo apenas que gostei de ouvir o benefício de dúvida, ouvir dizer que é "quase" impossível, é quase, não é impossível,

gostei :(

huomo

durante três anos tive o privilégio de dar história da cultura e das artes;

durante esse tempo, sempre que chegava à "cultura do palácio" dizia invariavelmente o mesmo;

este "ecce huomo" é o cristo que mais gosto; ontem e antes de ontem disse o mesmo, para que os miúdos despertassem para o questionamento;

se dúvidas existissem sobre se nuno gonçalves, o autor, era português penso que este quadro as desfaz a quase todas;

a simplicidade, a quase ingenuidade de todo o quadro;

o traço quase que rude, hesitante, mas determinado nos seus contornos;

os tons maniqueístas (claro - escuro, branco - preto, ouro - prata);

a capacidade do cristo ser qualquer homem, um de nós, por que coberto o rosto, indiferenciado na sua sua identidade;

são elementos, pormenores que diferenciam o norte do sul, o conhecimento técnico do saber empírico, a encomenda, da determinação;

se eu queria que os alunos se questionassem? e resultou, a partir daqui andei sempre acompanhado com uma dúzia de alunos, para falarmos de arte, percebermos que a pintura vai além do que observamos, que temos de ver e perceber para além dos que os nossos olhos vêem;

o quadro está no topo esquerdo das escadas, gostava que estivesse numa sala, que ocupasse uma parede inteira;

um dia no museu

e foi um dia bem passado;

não foi o dia, foi uma manhã passada no museu nacional de arte antiga; depois andamos por lisboa, rossio, martim moniz a ver, nas palavras de alguns alunos, "gente esquisita";

que se agrada a todos? nem de perto nem de longe;

que todos gostaram? nem por isso, antes pelo contrário; para alguns foi uma seca (porque foi mesmo ou, para alguns, apenas por mera retórica juvenil de diferenciação, de demarcação - há que perceber a coisa);

que foi um dia bem passado? foi sim senhor; sou eu que o digo e a avaliação que o pessoal (os alunos) fizeram e fazem (em termos individuais de conversa, depois em termos de formulário);

duas notas;
destacar o papel das "guias" do serviço educativo - impecáveis; digo mais, im-pe-cá-veis; no atendimento, no encaminhamento, no apoio, na explicação e enquadramento, na simpatia, na amabilidade, na disponibilidade; fossem todos os funcionários assim, de onde quer que seja, e isto era uma maravilha; obrigado;

a concretização do objetivo; muitos dos alunos que ali foram dificilmente, para não dizer que muito provavelmente nunca mais lá entrarão; foi a oportunidade de ver coisas diferentes, de ficarem calados, de ouvirem, de descobrirem, de verem outras coisas, outros mundos;

valeu a pena; e a companhia das colegas que tiveram a amabilidade de me acompanhar... obrigado;

hoje todos queriam mais, assim, diziam, vale a pena...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Aulas fora das aulas

Amanhã à caminho de Lisboa para aulas fora das aulas;

Três blocos de aulas, um no museu nacional de arte antiga (espero não partirmos nada de monta);

Depois diversidade cultural, freguesia de Arroios;

E, finalmente, paragem para admirar os conglomerados comerciais;

Cumpro a indicação de um detergente, fazermos aulas fora das aulas (da sala, pois claro);

Projeto educativo

Pela segunda vez num algo escasso período de tempo, participo, dou o contributo para a elaboração de projetos educativos;

Foi naquela que é, para todos os efeitos, a minha escola, é agora naquela onde estou;

Tenho consciência que, ao pedirem contributos, corro o risco de ser entendido assim a modos que... como entenderem;

Mas eu dou

Desde já considero que faltam três coisas essenciais (de resto como na maioria dos projetos que conheço) :

Elementos que assegurem a participação na organização e nos processos de decisão (que vão além do legislado)

Formas de auto regulação (habitualmente os diretores não gostam que lhes limitem a decisão);

O assumir (de forma algo clara) o como atingir, alcançar aquelas simpáticas visões de escola; na generalidade remetem para os outros (para objetivos, indicadores, outros planos) e não assumem opções, o como lá chegar (e está uma dimensão fundamental de política local);

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Conceitos

Ao se redigir um projeto educativo é conveniente, penso eu, esclarecer conceitos, ser claro quanto a ideias comuns;

Penso eu que seja conveniente não misturar alhos com bugalhos e, para que não haja confusão, dizer o que se entende por aquelas ideias mais banais, mais vulgares;

Por exemplo, o que entendemos por qualidade? E por qualidade educativa?

O que se entende por currículo?

É que a linguagem educativa (o famoso eduquês) varia consoante a nossa experiência, o nosso enquadramento, a formação ou mesmo por via de ideias;

Não é conveniente dar o natural por adquirido quando, em educação, tudo é uma construção social que depende, e muito, da palavra.

Confusão?

Por vezes fico na dúvida, outras nem por isso

Mas será que se confunde formalismo com profissionalismo?

Rigor com minhoquices?

Exigência com esquizofrenia?

É que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa é incomoda-me estas confusões

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Semelhanças

Do outro lado do atlântico, aventsm-se nomes para o futuro governo de Trump;

Desta feita foi o nome para a área da educação;

Duas notas:

Quem se associará à retórica, aos argumentos da senhora querendo ou dizendo que cá para a terrinha se precisaria do mesmo? é que o populismo é tanto, que será por demais evidente o óbvio - o que por cá se dirá?

Mais do que perguntar se acontecerá (ou não) questiono antes até onde irá a desregulamentação educativa, o confronto entre lógicas de escolas e como se repercutiram no velho continente?

Complicado

Gerir as escolas está cada vez mais complicado;

Muitas e diferentes variáveis interferem, condicionam, se imiscuem na gestão;

Começa a não existir fronteira entre a gestão escolar e as dinâmicas de sala de aula;

Uma ressente-se da outra

Coisas muito minhas

Tenho consciência que a minha escrita, por vezes, não é fácil;

Que, talvez por essa via, não tenho ninguém em lista de espera para ler o que por aqui (ou por outros lados) escrevo;

Escrevo (quase) sempre em tons de contextos e circunstâncias pessoais, ainda que raramente privadas;

Direi que penso alto e dou conta que pensar incomoda muita gente; e pensar fora da caixa incomoda ainda mais;

Agora quando se estranha que a blogosfera anda amorfa, que as dinâmicas de partilha e troca de opiniões, comentários é escasso, pergunto aos meus botões

Porque é que que os blogues referenciados em alguns sítios não abragem os próprios parceiros?

Porque é que algumas listas de blogues parecem seletivas?

Já os meus pais me avisavam que será na cama que fizeres que te deitas; e temos feito (professores) a nossa cama.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

comportamentos e avaliação

ou a auto regulação das atitudes

fruto da minha preocupação por envolver, implicar e comprometer o aluno no seu trabalho (em sala de aula, na definição de objetivos, na escola) uma das medidas que tenho adoptado passa pela auto avaliação;

no final de cada semana uma auto avaliação, nada de complicado, uma coisa boa uma coisa menos boa, uma assim assim;

pode passar por escrever um pequeno texto (até pode ser um sms) sobre o trabalho desenvolvido, o comportamento em sala de aula e, no fim qual a avaliação atribuída - auto avaliação;

na generalidade das situações não mentem (ou, pelo menos, concordo com a avaliação feita);

habitualmente dá para perceber que os alunos ganham consciência do que fizeram, de como se portaram e, não menos importante, do que têm de alterar para cumprir objetivos, atingir as metas a que eles se propuseram;

no final de um ciclo de trabalho fazemos o balanço entre todos e eu próprio me auto avalio como sou avaliado pelos alunos - tendo por base os mesmos critérios, uma coisa boa, uma menos boa, uma assim assim a modos que...

vá lá eu perceber a coisa

ou aqueles que respondem fazem parte de grupos diferentes ou então há aqui qualquer coisa que não percebo;

ora dizem que as crianças não têm tempo para brincar,

ora se recomendam trabalhos de casa para ver se melhoram os desempenhos na escola (???!!!);

talvez seja aquela figura de alguém dizer deixem-se de teorias que a prática é outra coisa e mais não fazem que fazer teoria porque com a prática estão eles enredados;

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

desafio

pedagógico e demográfico, de organização e currícular aquele que a demografia nacional nos coloca e espelhado na capa do público de hoje;

não deixa é de ser curiosa a "coincidência" desta notícia surgir quando também recentemente se falou de estudar a progressiva redução do número de alunos por turma;

a demografia é o que é e há muito que leves estudos nos dão amostras do que temos pela frente;

no Alentejo, marcado de forma brutal pelo envelhecimento, desertificação e escassez de gente o desafio é enorme e não apenas no futuro, já hoje em cada ano que passa a região perde mais de 20 turmas - é obra e ninguém faz nada, diz nada);

a demografia terá forte impacto no quadro docente, na oferta curricular, na organização das escolas e dos tempos escolares, na organização das redes de formação;

a questão/desafio passa não em como contrariar a demografia, mas em como não fechar escolas ou ofertas criando modelos e lógicas alternativas (e, desde já, de nível secundário);

as alternativas poderão passar por flexibilidade curricular, cruzamento de áreas, articulação de ofertas, regimes de associação;

mas há que ser imaginativo e saber ser pro ativo e não estarmos à espera que a demografia dite o destino; e aqui é outro o desafio - o de saber enfrentar o destino;

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

da integração e da divisão

um dos objetivos da escola passou (e passa) pela integração das populações numa cultura comum - cultura aqui entendida pelo conjunto de práticas, língua, normas e regras do coletivo;

na escola, numa qualquer sala de aula, rapidamente se dá conta da diferença de origens dos alunos, das aldeias e da cidade, do rurais e dos urbanos, de cultura livresca ou cultura prática;

nada de monta daí decorre, a não ser as vantagens, desde que trabalhadas, das diferenças que nos constituem;

mas tenho dado conta do modo como alguns municípios asseguram que as diferenças entre freguesias rurais e urbanas, do campo ou da cidade, daqui e dali não se esbatam;

municípios que apostam no fosso existente, nas rivalidades de alegrim e manjerona, nas diferenças entre pequenos e grandes para se perpetuarem, para que culpem outros, para que outros sejam apontados pela sua inépcia;

até quando a escola, enquanto instrumento de integração cultural e social, serve a alguns para criar e acentuar as divisões que nos separam?

O aluno e as tecnologias

Muito por força de opções pessoais, um pensamento sobre essa relação;

a escola, na generalidade das situações e por onde tenho andado, não desenvolve nem implementa estratégias de utilização das tecnologias, deixa isso ao critério do aluno e das famílias. 

As escolas e os professores partem do princípio que o pessoal sabe utilizar as tecnologias, que tem apetência para o fazer, que o sabe fazer, que tecnologias e alunos estão em relação plena, na vida quotidiana como o sol, o ar ou o respirar. 

Na generalidade das situações nem se promove a criação de contas de correio individuais, apenas de turma, de grupo, tratando a turma como se um só fosse.

 o individual, a pessoa, o aluno fica à sua mercê, à mercê de conversas com amigos, da tentativa e erro, muitas vezes do erro, das limitações que isso impõe ou determina - ritmos muito mais lentos, desenvolvimento de pré conceitos, cristalização de rotinas ou procedimentos, limitação de utilização, constrangimentos na partilha ou nas dimensões colaborativas,

Mobilizar as tecnologias para a dinâmica letiva, de sala de aula, de aprender e ensinar é, por onde ando, uma carga de trabalhos...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

recordar a escrita

e alguém me recordou que escrevi coisas destas;

logo agora, que todos ficámos muito admirados pela vitória improvável de quem ganhou;

e a escola portuguesa, para onde vai? por onde anda? que consequências terá?

tecnologia em sala de aula

sou um assumido adepto das tecnologias, particularmente no apoio ao trabalho do professor (na organização ou na dinâmica de sala de aula);

mas...

também dá para notar que a tecnologia pode ser um elemento de exclusão e/ou diferenciação pela negativa;

há alunos que a utilizam pela curiosidade, que a integram nas suas dinâmicas e nos seu trabalhos, que sabem ir além de uma utilização casuística, simplista e acrítica;

mas há alunos que não sabem ir além do simples clique, do deslizar pelo ecrã de forma passiva; estes correm o sério riscos de ficar para trás; e fico com a ideia que há muitos a ficarem para trás (a não saberem fazer uma pesquisa, a não saberem cruzar informação, a procurar fontes diferentes, a assumir a crítica ao exposto ou mesmo aos perigos da exposição);

no meio disto tudo, duas notas,

uma sobre plataformas de apoio ao trabalho e à relação entre aluno e professor, com base em portefólios digitais uma em https://www.creatubbles.com/ e outra em http://web.seesaw.me/;

uma segunda nota para dar conta da estupidez de alguns argumentos contra um projeto existente de utilização de tablets em sala de aula; são contra porque, afirmam, cansam a vista, dificultam a concentração, que o manuseamento do livro é que é;

o envolvimento do aluno

o meu grande desafio (gosto de pensar que dos professores e da escola) passa/é o envolvimento do aluno no seu trabalho escolar;

mais que ser aluno é um pouco a recuperação de uma ideia passada, a de se ser estudante;

ser estudante, no meu pensar, implica trabalho, esforço, vontade, algum sacrifício,
é muito mais que se ser aluno, este mais passivo, dependente, orientado do que descoberto;

para implicar o aluno na dinâmica escolar e/ou disciplinar tenho de pensar em estratégias de envolvimento, em trabalho, em implicação, como envolver o aluno/estudante (por vezes sem ele dar conta);

particularmente quando a escola nada diz ao aluno, têm culturas e orientações distintas (e, por vezes, concorrentes),

quando eles mesmos, os alunos, ou os pais e mesmo os professores lhes dizem que estudar para quê, afinal, não há trabalho, não há empregos;

a ouvir isto de forma persistente, quem se interessa pelo trabalho escolar, pela escola;

tenho optado por duas estratégias,

a montagem de portefólio do aluno (com definição de objetivos de curto e médio prazo, final de cada período, final do ano, final do ciclo), sistematização do trabalho desenvolvido na disciplina e na escola ao longo de cada período, escolha dos melhores trabalhos;

e

uma intensa quanto possível relação entre os conteúdos da disciplina e o quotidiano do aluno, pela utilização das fontes, pela análise crítica, pelo descobrir olhares, pelo passado que está ao nosso alcance, para ajudar a perceber que há uma história e que não estamos a descobrir a pólvora ou a iventar a roda;

este ano acrescentei numa turma aquilo que designo como diário de aprendizagem, pequenos apontamentos, à semana, sobre o que se passa na escola; coisas boas e menos boas; uma maravilha,

resultados? só no final do ano ou, melhor ainda, no final do ciclo;

tentativas e superações

de quando em vez as coisas não correm bem; e a semana passada houve dias em que não correram bem;

seja porque estou mais cansado, seja porque se intrometem variáveis não consideradas, seja porque o aluno está diferente, seja pelo que for, há momentos em que a coisa não corre bem;

e volto atrás, leio os meus apontamentos, revejo opções, dinâmicas, estratégias e metodologias;

há uma tendência, a de fazer o mesmo com as turmas todas, isto é, igual para todas, errado, completamente errado;

já percebi que não posso (nem devo) alargar as fronteiras de trabalho, isto é, deixar grandes margens de autonomia ao aluno; este precisa de referências, de limites, para que se alarguem precisam de estreiteza inicial,

revi situações, reli apontamentos, pensei e refleti sobre procedimentos e sobre as minhas opções;

dei a volta e voltei a mergulhar no mar que é a sala de aula e a sua dinâmica;

e as coisas começaram a correr como esperado, desejado e como trabalhado;

sei que não será sol que dure, mas até lá tenho tempo para repensar outros modos e outras ações a desenvolver em contexto de sala de aula;

sábado, 12 de novembro de 2016

questões sobre o sucesso

não consigo perceber o nível nem as estratégias envolvidas (seja por via de uma consciência assumida, seja por opções mais ou menos implícitas) mas, em fim de semana, permitam-se levantar algumas questões;

até que ponto as estratégias de promoção do sucesso escolar não estarão a ser utilizadas para resolver problemas de comportamento?

até que ponto estratégias escolares (apoios educativos, tutorias, e outras medidas) não visam mais processos de integração social do que intervenção pedagógica?

até que ponto os processos de integração e socialização não estarão a ser implementados por ordem pedagógica e não escolar?

até que ponto se confundem situações disciplinares e de integração social com problemas pedagógicos e (in)sucesso escolar?

figuras de autoridade

talvez para futuros desenvolvimento; por ora apenas uma conversa para ver o que resulta;

direi que uma das coisas que tenho notado, em termos de alterações, no decorrer da minha prática pedagógica, decorre das concepções sobre a figura do professor enquanto elemento de autoridade; aluno;

direi que o docente tem perdido (por razões e circunstâncias várias) a imagem perante o aluno (e perante os pais?) enquanto referência de autoridade;

direi, por aquilo que pude assistir nos últimos tempos, que as crianças têm por hábito tratar os adultos que o rodeiam como mais um colega/companheiro/amigo;

esta situação faz com que o aluno olhe para o professor, no prolongamento da relação que tem com os adultos, como mais um;

isto é, os pais são adultos que não exercem a autoridade, o seu poder coercivo, não limitam nem condicionam a ação aos mais novos;

a maior parte das vezes há um prolongamento das situações de adolescência para dentro dentro da idade adulta, isto é, adultos com trinta ou 40 anos prolongam comportamentos e atitudes de quem tem vinte ou vintes e poucos anos (pelas roupas, pelo modo de falar e de se comportar, pelas atitudes de relação);

não consigo descascar esta ideia muito mais, direi apenas que o facto de a juventude se prolongar pela idade adulta, faz com que o aluno, enquanto criança, olhe o professor como se se tratasse de mais um dos elementos que povoam a sua esfera de relação;

o professor deixa de ser olhado (e considerado) como um adulto, isto é, uma pessoa com possibilidade de exercício da sua autoridade ou pelo reconhecimento do respeito

entre adulto e criança e na cabeça desta última, esbatem-se fronteiras, aligeiram-se níveis e patamares, horizontalizam-se as relações;

perdem-se e esbatem-se as figuras de autoridade essenciais à definição de relações públicas diferenciadas;

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

faltas

já falei e volto a falar da falta de funcionários por algumas escolas que conheço e que frequento;

é constrangedor o ruído pelos corredores fruto da livre circulação e utilização dos corredores pelas crianças;

em escola básica, com alunos entre os 9/10 e os 13/14/15 os corredores são espaço de brincadeira pura;

crítico? não, é espaço de liberdade de ação

deve ser condicionado? deve, mais não seja em período em que, enquanto se brinca, corre, pula, grita e arrebita, decorrem aulas;

a coisa torna-se mais complexa quando consideramos que a brincadeira se desloca com relativa facilidade para dentro da sala de aula, que no refeitório é o ai jesus, que as filas são uma balburdia;

os pais queixa-se disto e daquilo e, pergunto eu, esqueceram-se da falta de funcinoários? da falta que fazem nos corredores?

Funcionário

especializado e técnico

nem mais, gostei de ouvir...

conversa entre professores, no meio do corredor,

criticava-se o facto de (por vezes demasiadamente evidente quanto irritante, para mim) existirem professores que mais não são que meros e simplistas funcionários públicos;

exercem funções na escola, se estivessem no centro de saúde, na câmara municipal, na segurança social ou qualquer outro sítio teriam a mesma postura, dariam a mesma imagem de esperar ordens, cumprir zelosamente o estipulado, quase que evidenciando saudadinhas pela famosa folha azul de 25 linhas que uniformizava a minuta, continha o texto, desprovido de ideias e ausente de qualquer forma emocional;

agora uma colega vá de dizer, sim senhor, sou funcionária pública, sim senhor, mas especializada...

ah pois é

Visita de estudo

Habitualmente só costumo fazer visitas de estudo com turmas do secundário;

Este ano opto também por pegar nas turmas de ensino básico com quem trabalho e irmos ao museu;

Uma seca

Mas, os objetivos passam por isso mesmo, por dar seca ao pessoal... só assim conseguimos (e muito devagar) criar públicos, aprender a olhar e a ver, sentir a história e perceber o tempo; valorizar o património, conhecer o que é nosso e a nossa herança cultural; perceber onde estamos e porque aqui estamos;

No meio da visita o museu "obriga-me" a uma relação de um professor para cada 15 alunos; preciso de 4,5 professores;

E a coisa não está fácil de mobilizar, poucos querem, poucos estão disponíveis - ou porque vêm de longe, ou porque são de fora, ou porque as turmas, ou porque os dias

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Obrigados a ornsar

Há já alguns anos que trabalho com base na metodologia de projeto;

Tem contras, tem muuuiiiitas vantagens;

uma das referências é que a avaliação é feita por intermédio de trabalhos e não de testes (pelo menos os ditos tradicionais);

Hoje, depois de apresentar mais uma proposta de trabalho, uma aluna em desalento vá de dizer,

oh professor, começo a ter saudades de fazer testes, pelo menos não tinha de pensar...

Pessoalmente vi/ouvia coisa como elogio 😀

rigidez

dos recursos

em altura de reuniões intercalares uma das questões que destaco passa pela rigidez da gestão dos apoios;

os apoios foram pensados e definidos no inicio do ano - e assim ficam;

enquanto não existir possibilidade e capacidade de adequar apoios aos alunos e aos problemas evidenciados a tendência passa - e muito - por persistir no erro e acentuar dificuldades;

preocupação

administrativa em conversas pedagógicas

engraçado perceber o teor de algumas conversas que, mediante um pretenso discurso pedagógico, se preocupam pela conformidade das atas, se obedece, ou não, ao padrão, se está conforme à regra, se é ou está uniforme às demais (??????????);

são estas pequenas preocupações, não descuro que relevantes em dados contextos, que remetem para a dificuldade de se pensar o pedagógico;

dificuldade por mera perda de tempo no acessório, dificuldade por se confundir (????) o trigo com o joio;

sinal que há ainda longo caminho a percorrer para uma conversa (à séria) de âmbito pedagógico, sobre o pedagógico;

aqui, nestas conversas mais administrativas, sinto-me claramente a mais, estou a mais

pausas

de quando em vez prefiro fazer uma pausa, distanciar-me disto e de mim mesmo;

assumo que prefiro ficar calado do que escrever coisas sem nexo público;

sábado, 5 de novembro de 2016

Recolhido

Mas não será propriamente em recolhimento ,

aproveito a chuva, insinuando-se o inverno, a procura de aconchego que implica para me poupar na escrita,

pelo menos esta publica que ando com ideias de escrita, nomeadamente em articular comportamentos e sucessos escolar em estratégias de regulação locais...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

que pena

a minha escola mudou da plataforma google para o office 365; 

isto porque se procura dar
cumprimento às ações de melhoria identificadas no relatório de autoavaliação do Agrupamento, designadamente no que se refere ao plano de comunicação e ao envolvimento da comunidade educativa na vida escolar

resignação

ou será mesmo uma questão do destino?

faço a avaliação intercalar àquela que é a minha direção de turma;

pergunto aos alunos qual a nota que teriam se o período acabasse na próxima sexta feira; por disciplina;

lá respondem;

pergunto depois qual a nota para a qual irão trabalhar no final do período; e eles respondem;

terceira questão, e a nota para a qual irão trabalhar no final do ano letivo; e eles respondem;

e eu reparo que há, na generalidade dos alunos, uma certa resignação,

isto é, e particularmente àqueles que apontam notas baixas a nota que afirmam para este momento é a nota que apontam para o final do ano letivo,

em algumas disciplinas os níveis dois são abundantes, mas não perspetivam alterações, como se não existissem alternativa, como se não houvesse volta a dar; como se fosse o destino;

é mesmo uma resignação que entra na cabeça do pessoal e faz com que se aceite que não existem alternativas;

será que esta situação explica a política nacional, não há volta a dar a este país, a esta coisa?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

uma brincadeira

destinada ao espaço do ComRegras que hoje, por razões alheias, se fica por aqui:


No final da semana passada um miúdo do 5º ou 6º ano, isto é, entre os 10 e os 12 anos, foi apanhado com uma pistola feita por ele. Palitos, paus de gelado, alguns fósforos e um elástico. Faria inveja a muitos terroristas que procuram passar com armas pelo controlo de um qualquer aeroporto. Apanhado em flagrante, a fazer pontaria a uma colega, foi-lhe apreendida a arma, levado ao coordenador de estabelecimento e feita participação ao diretor de turma, para além de comunicação ao respetivo encarregado de educação.

Esta situação desencadeou um significativo conjunto de comentários na sala de professores. Na generalidade comentavam a habilidade do miúdo, a sua capacidade inventiva. Ao mesmo tempo destacavam o perigo que era, o risco que se corria. No global dos comentários era este último que se destacava, o risco, o perigo, e se feria alguém? Se magoava algum colega? Se atingia uma vista? Mas houve muitos que destacavam a habilidade, o jeito que era preciso ter para construir aquela “arma”. Houve alguém que minimizou a situação afirmando que pela internet há muito daquilo e que é apenas replicar. Mas que estava interessante estava. Que denotava uma capacidade (direi algo invejável) de criatividade e capacidade manual disso não tenho dúvida. Pessoalmente reconheço que seria incapaz de fazer algo sequer parecido, quanto mais igual.

Esta situação, que nada tem de inócuo ou banal e que pode, de forma efetiva, ser um risco, serve de exemplo para destacar duas situações com as quais a escola tem manifestas dificuldades em lidar, quando não mesmo procura reprimir. Por um lado o caráter inventivo, mas desregulado, isto é, a ausência de controlo escolar, da ação pessoal de cada um de nós. Por outro e por via da dificuldade de controlo, a dificuldade de integrar na dinâmica escolar aquilo que não acontece ou não é “produzido” em contexto escolar e disciplinar. O que se traz lá de fora dificilmente é integrado na dinâmica de aula, condicionados que estamos pelos programas, pelo tempo, pelas metas.

Entre uma e outra das situações (o controlo do indivíduo/aluno e o controlo da aprendizagem) fica todo um campo interpretativo dos comportamentos e da indisciplina. Não seria possível integrar aquela construção em contexto escolar (mesmo enquanto “castigo”), por exemplo, de dizer ao aluno para (des)escrever sobre o processo, onde viu, se copiou, como imaginou, que dificuldades teve/sentiu? Não seria possível levar para a área das ciências e relacionar com processos de reciclagem, ou na área da física por intermédio da gestão das forças presentes? Ou da história e perceber como os antigos criaram e desenvolveram mecanismos e instrumentos de caça ainda que rudimentares,eficazes e base do futuro? Integrar esta ação no contexto escolar, mais não seria que criar forma de racionalizar uma prática, de relacionar pensamento e ação, manualidade e concepção.

Em vez de ser integrado em dinâmica de sala de aula e de trabalho disciplinar, mais não fosse enquanto estratégia de promoção do sucesso escolar, pois é aluno que denota dificuldades e um crescente desinteresse pela escola, a situação é considerada no contexto da indisciplina. Em vez de se realçar uma capacidade, de a enquadrar no trabalho da disciplina, recriando conteúdos, redesenhando metas e objetivos, mais não seja para o sucesso, o aluno é penalizado, a imaginação cerceada e a capacidade (re)criadora reprimida. Em vez de perceber para que serve a escola, enquanto forma de racionalização de práticas e de modos do pensar, cria uma ainda maior adversidade a quem lhe cerceia a imaginação e estraga a brincadeira.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

faltas

quem pensar que a falta de auxiliares de ação educativa afeta apenas a limpeza está redondamente enganado;

a falta destes elementos torna os comportamentos um alvoroço;

já ontem o escrevi noutro lado, mas a ausência de um controlo por corredores e pátios faz com que os ânimos e o frenesim do intervalo se prolongue para dentro da sala de aula;

este é um dos fatores que faz com que os comportamentos andem mais efervescentes, buliçosos e a dinâmica de sala de aula de mais difícil controlo;

para o professor uma proposta de remediação, que controle a entrada dos alunos na sala de aula, evitando-se o alvoroço, a algazarra, a confusão;

ao controlar a entrada em sala de aula, está a criar, pela imposição de uma regra sua, a diferenciação de comportamentos entre o corredor e a sala de aula;

não é solução, mas pode remediar...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

difícil é entender

 

ou, melhor dito, fazer entender que a profissão de professor não é pêra doce, acarreta elevado desgaste, consomem-se emoções e afetos e, às páginas tantas, uma pessoa (um professor) fica seco;

numa mesma manhã duas notícias sobre comportamentos e indisciplina,

uma na perspetiva do aluno, no público, outra na perspetiva dos professores, no jn;

a tomar-se como perspetiva, sendo eu docente com mais de 50 anos de idade, direi duas coisas (uma no cravo outra na ferradura);

sinto uma maior flexibilidade na procura de alternativas que mobilizem o aluno para a disciplina e para o trabalho na escola e em sala de aula; consigo identificar e aplicar mais estratégias, mais ferramentas e mais diversificadas;

tenho muito menos paciência para criancices, para o desinteresse, para a falta de educação, para a ausência de pais, para o trabalho isolado;

domingo, 16 de outubro de 2016

uma questão

de custo ou de valor?

qual delas aquela em que se baseia o problema da educação, de um modo geral, e da escola pública portuguesa?

o governo disponibilizou um sítio com as opções orçamentais; interessante pela falta de hábito, pela pretensa transparência, pela aparente proximidade definida entre governo e governados; para mim, que nada percebo de números, faltam as tabelas com os ditos euros, onde se gasta, o que custam essas opções, onde se aplicam; mas é um caminho;

contudo, tenho de perguntar, o problema da escola resolve-se com dinheiro? se assim for, o problema é de custo;

ou passa por uma outra gestão e organização do que temos, das nossas opções nacionais e locais? se assim for é uma questão de valor;

mais, será que os custos associados à educação conseguem produzir valores?

ou serão os valores da educação que promovem custos? nomeadamente e por exemplo, do trabalho, da produção, da inovação?

e por que não para além das opções de política, isto é, das escolhas que orientam o orçamento, disponibilizar as tabelas - para quando?

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

discriminação

o estudo dá conta de uma das muitas e diferentes formas de discriminação educativa e escolar;

e, pergunto eu, sobre aquelas formas de discriminação local e regional?

que impacto tem na vida de um aluno ser de freguesia urbana ou rural? até que ponto a diferença de origens (rural ou urbano) se reflete no rendimento escolar, nos percursos de cada aluno?

até que ponto o princípio de continuidade pedagógica (manter as turmas juntas praticamente desde o pré escolar) não serve também como mecanismos discriminatório, quebrando, dessa forma, o princípio da integração e socialização que a escola definiu desde sempre ?

até que ponto a criação de ofertas não regulares não se constitui como forma de criação de guetos escolares e educativos? como aconteceu no passado recente na criação dos chamados bairros sociais? também por questões de diferenciação entre o urbano e o rural?

coletivo individual

ou individualmente coletivo

e não procuro brincar com as palavras, antes com a minha profissão;

ser professor é uma profissão que é exercida sempre em grupo ou perante grupos - independentemente das idades que temos pela frente;

mas é também uma profissão que é exercida na solidão da sua preparação, organização e planeamento;

enquanto professores somos tudo e o seu contrário,

os melhores de todos, conheço muito poucos professores que não se classifiquem de, pelo menos, muito bom - e disputam com afinco o excelente;

mas também somos os piores, aqueles que desanimam mais facilmente, que vão abaixo por que um aluno não nos ouve, não nos obedece ou simplesmente por que não gosta de nós;

imagine-se então um professor que, sem mais do que aquela preparação que teve para gerir turmas ditas "regulares" e dentro da média que é possível por aquilo que a normalidade dita, enfrentar situações extremas;

aquelas em que os humores variam como se andassem numa montanha russa; aquelas em que nada há a perder a não ser a nesga de vida que nos consome na indiferença de todos os dias; aquelas situações extremas em que nada há pela frente, nem futuros, nem esperança, nem vontade, nada;

hoje tive uma conversa destas com um colega que estimo apesar de conhecer relativamente pouco; uma conversa onde esteve bem presente o que é sermos individualidades no coletivo e estarmos sozinhos no meio da gente;

uma conversa onde se percebe que podemos ser os melhores por darmos tudo o que temos para dar e os piores por que simplesmente nos sentimos impotentes perante as vidas dos outros;

um nobel que diz (quase) tudo

tudo se lê sobre o nobel da literatura; como se fosse uma surpresa...

destaco uma síntese de miguel esteves cardoso:

Dantes toda a literatura se dividia em categoriazinhas de merda – canções, contos, ensaios, reportagens, ficções, peças teatrais, poesia. O júri do Nobel tem feito o enorme favor de voltar a confundir tudo. 

e a escola e a sala de aula podem continuar na mesma, a ignorar este tempo, este mundo e estes modos?

como se traduz hoje a sala de aula e a escola perante esta reconfiguração dos modos de entender a literatura, a arte e a cultura do nosso tempo?

na página do facebook do grupo da disciplina já dei música aos alunos, afinal, é de história que se trata;

conteúdos e conteúdos

ontem, em contexto de sala de aula, apercebi-me do que é exigido que um aluno saiba;

estamos, professores mas não só, preocupados em encher os alunos com conteúdos, conceitos, ideias, tudo material importante e que, quando nos é solicitado para gerir, seja currículo ou programa, consideramos que tudo é importante;

e estaremos nós preocupados em ajudar o aluno a pensar?

estaremos nós, professores e políticas educativas, a facultar ao aluno condições para que se fomente o pensamento crítico?

estaremos nós a formar gerações com condições e capacidades de interpretar e analisar a realidade que nos é mostrada?

ou será que andamos preocupados, excessivamente preocupados, em que os alunos saibam isto e aquilo, decorem isto e o outro, façam teste e mais teste?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

sobre o sucesso do sucesso

excelente nota esta; a ler devagar;

a partir do texto do zé morgado e na sequência de uma ideia de uma colega, o local é a maternidade e o cemitério das políticas educativas;

não há volta a dar;

é no local que se descobre o caminho marítimo para as Índias, isto é, que se identificam as soluções para aqueles (e não outros) problemas,

é, em face de um local (feito de gente, histórias, culturas, ideias, valores, vontades ou falta delas) que as políticas, sejam elas quais forem, ganham corpo ou se espraiam como as ondas terminam na areia da praia;

é no local que se identificam práticas interessantes, por vezes agradavelmente desconcertantes;

mas é também no local que abrimos as covas onde enterramos sonhos e vontades, orientações e implicações;

mas é do local, por via de ser maternidade e cemitério, que todos receiam, recusam e temem;

quando o local ganhar forma e força não há quem o segure, nem o local chamado portugal;

e é simples, basta assumir as responsabilidades por aquilo que é feito, responsabilidade partilhada, coletiva e não com base em iniciativas individuais, pontuais, casuísticas, aleatórias;

falar é fácil? pois é, é uma questão local...

sobre a centralidade

do aluno ou do professor;

se eu disser que quase todo o mundo diz que a centralidade do aluno é fundamental na escola e na educação, estou certo que a maioria concordará comigo;

se eu disser que pretensa e teoricamente o pessoal se organiza tendo em vista a centralidade do aluno, penso que a generalidade concordará comigo;

agora se eu disser que poucos o fazem, o mais certo é a maioria franzir o sobrolho;

um exemplo, prático sobre quem é o centro efetivo da sala de aula;

uma aula normal, regular;

batem à porta e o que acontece? o que sucede?

de forma simplista uma de duas situações, a aula pára ou a aula continua,

se pára a centralidade é do professor, se continua a centralidade é do aluno,

simples e prático;

sobre o currículo

o governo quer alterar o currículo e deixar os programas como estão;

boa,

fazem uma clara distinção entre programa e currículo, interessante, mas há muito boa gente que não entende essa diferença, que mistura programa e currículo como se fosse a mesma coisa;

não sendo a mesma coisa e concordando eu genericamente com a ideia/intenção, então corta-se onde????

tempos das disciplinas? boa, quais???

nas disciplinas? certo, as de complemento do currículo? então onde fica a oferta local?

não seria mais fácil o ministério definir a componente nacional e comum e o local organizar-se?

não seria mais interessante o nacional definir o tal perfil do aluno e as escolas organizarem-se para lhe dar resposta e nele, eventualmente, se enquadrarem?


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

não chumbem

os alunos

chumbem as políticas, é o que me apetece dizer da manchete do jornal I;

é nestas (e noutras) que a esquerda educativa se perde, na língua, pela boca;

foi um governo de extrema direita, onde o ministério da educação estava entregue a n. crato, que criou, para todos os efeitos, a passagem administrativa;

os meninos andavam pelos vocacionais e a nota mínima era 10 - sem apelo nem agravo; tinham menos que isso e era o professor que se desunhava até que o menino conseguisse obter a nota mínima;

ninguém disse nada, não vi comentários, o povo comeu e calou; afinal, a exigência é coisa da direita educativa;

agora, ai jasus, que ao falar para que os meninos não chumbem, cai o carmo e a trindade, lá se volta ao laxismo, ao facilitismo, ao deus dará de uma geração perdida;

e nas escolas não se discute a coisa? qual a posição dos docentes nas escolas? e dos seus órgãos de gestão? afinal o pessoal está na escola, qual funcionário público, para obedecer e não reclamar? cumprir e calar?

porra, tenho cada vez menos pachorra para a coisa

opções locais

consequências individuais;

fruto de escolhas nem sempre pensadas a não ser à pressa;

a criação de cursos de educação formação, vocacionais e mesmo muitos dos cursos profissionais, resultam de uma tentativa (local) de limpar as turmas de alunos desinteressados, desmotivados, indiferentes, alheados ou mal educados;

são opções que as políticas educativas colocam ao local e que este assume, muitas das vezes sem ponderar consequências, sem equacionar impactos;

o que antes era mau de gerir torna-se caótico

o que antes, no regular, era indisciplina, torna-se, nestas ofertas não regulares, violência pura e simples;

o que antes eram casos de insubordinação tornam-se casos de confrontação;

e os poderes locais (diretores, conselho pedagógico e/ou geral) continuam impávidos e serenos, como se nada tivessem a ver com a coisa, como se não fosse com eles;

os conselhos municipais de educação dizem que é problema da escola e lavam daí as mãos;

pensar mecanismos de apoio aos docentes, individualmente considerados ou em contexto de conselho de turma, definir blocos de reunião e/ou articulação, definir protocolos de atuação, criar mecanismos de punição rápidos e oportunos, assessorias, coadjuvações, turnos, aulas práticas, contextos exteriores,

pensem não abandonem os professores à sua sorte...

domingo, 9 de outubro de 2016

avaliação por trabalhos

o filho deu início ao seu segundo ciclo de estudos superiores, o chamado mestrado;

universidade de lisboa, que carregar copos não pode ser por muito tempo;

primeiras ideias e primeiras orientações; bibliografias, organização e funcionamento do curso e sistema de avaliação,

avaliação com base em trabalhos

não há testes

e perguntam-me como é que eu, no ensino básico, consigo avaliar por trabalhos?

será que aqueles senhores, do superior, estarão enganados? não lhes faltará o rigor do teste? não terão objetividade no juízo de avaliação?

ou será que no superior se pode e no básico, por que é básico, não se pode?

dos melhores do mundo

encontrei um apontamento retirado de sítio do world economic forum que se questionava como é que Portugal, pequeno país, com dez milhões de habitantes tinha produzido tanto lider e tanta gente de renome mundial?

e apresenta exemplos, desde mário soares, a antónio guterres, passando por freitas do amaral e durão barroso, ou rosa mota e carlos lopes e não referiram eles josé mourinho ou cristiano ronaldo;

e aponta 4 razões:

a história recente de saída de uma ditadura e abertura que isso permitiu;

o sistema de governo, semi presidencialista e de base parlamentar, que incentiva a discussão e o debate político, mesmo na rua;

por sermos pequenos sempre fomos neutrais e com os pés nos 5 continentes; e

a aposta na educação que permitiu que nos últimos 20 anos tivesse sido o país que mais cresceu em número de doutorados;

será que só os outros conseguem ver coisas boas em nós?

sábado, 8 de outubro de 2016

experiências

criei um grupo fechado no facebook (referenciei apenas dois alunos que ali não estão e, até ao momento já vou com mais de metade dos alunos inscritos - tenho como objetivo os 2/3) para partilhar coisas com as turmas,

ali tenho lançado algumas questões, antecipo conteúdos, suscito dúvidas, lanço perguntas (umas abertas outras de sim ou não), faço sondagens, coloco imagens;

isto é, utilizo a lógica facebook para complementar a dinâmica das aulas, levar os alunos a pensar (conteúdos, propostas, trabalho);

e considero que a coisa tem resultado
(cá está a diferença entre teimosia, sem dados nem elementos que sustentem uma posição, e a resiliência, retirar ilações da prática);

o grande objetivo é o de envolver e implicar o aluno na sua prática escolar, no seu trabalho com a disciplina; utilizar meios e redes sociais para fomentar estas relações;

a manter e a ver onde irá dar...

o tempo e o modo

ontem destaquei esta imagem para me interrogar como é que um concelho se pode afirmar na defesa cultural com taxas de abandono e insucesso como as que tem?, como se formam públicos iletratos? há coisas que eu não entendo, mas sou eu;

hoje utilizo a mesma imagem para dar conta das diferenças entre os anos 70 do século passado e o tempo atual;

um(a) professor(a), central na imagem, um quadro e giz, escrita e apontamentos, certamente que conversa, costas com o grupo de ouvintes;

os "alunos" são espetadores, ouvintes, não participam no processo a não ser pela sua presença;

passaram mais de 40 anos, o modelo persiste; justifica-se?

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

não há cultura que aguente

no hal de entrada da minha escola a câmara municipal local tem uma exposição a assinalar os 40 anos da constituição;

lá se destacam as lutas e os sacrifícios e as descobertas que marcaram um tempo;

lá está um ecrã gigantão a dar conta das dimensões culturais do concelho - as exposições, a música, o bailado, conquistas de abril;

no contexto da exposição destaco um pequeno apontamento sobre o que foi, naquele concelho, o processo de alfabetização, levado a cabo por dezenas de pessoas logo após o 25 de abril de 1974;

as turmas cheias, o olhar entusiasmado, o empenho que se nota naquele momento;

pois, foi há 40 anos atrás,

hoje, este mesmo concelho padece de taxas de insucesso e abandono escolar que marcarão uma geração e faz-se o quê?

olha-se o passado pela ação que foi feita, e, neste presente, olha-se para o lado dizendo que a responsabilidade pelo insucesso é de outros;

como será a cultura do insucesso, do abandono?

como se formarão públicos para aquela oferta que ali se mostra?

como se formarão gentes para poder perceber o que ali acontece?

assim, não há cultura que aguente


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

teimosia ou resiliência

uma das duas tem de fazer parte da bagagem de um docente;

não se alteram práticas, modelos ou concepções só por que sim;

há que perceber vantagens, fazer contas (muitas das vezes meramente simbólicas, afetivas), perceber o que implica mudar;

tenho, por hábito, escrever o que penso, fazer a análise do meu trabalho - enviesada em mim mesmo, mas faço,

procuro fazer o meu próprio balanço, o que considero que correu bem ou menos bem, as implicações, os resultados, as dinâmicas, o envolvimento, os comportamentos, os conceitos e os conteúdos;

é dentro desta análise que faço, que considero que não posso desistir na primeira curva, que devo procurar alternativas, que há sempre mais que uma maneira de esfolar o bicho;

por isso persisto e insisto;

de quando em vez fico sem perceber que não desisto por mera teimosia, não sei se estou certo ou se errado, mas insisto, nem que seja para ir mais à frente perceber resultados, implicações, consequências;

outras vezes sei que tenho de persistir, (re)aprender, saber que ensinar e aprender leva tempo, que a razão está do meu lado e que se precisa apenas de tempo, que apenas há que saber esperar - a metáfora agrícola calha aqui bem;

assegurar a diferença entre teimosia e resiliência é que é uma fronteira muito ténue...

surpresas

de quando em vez acontecem, e ainda bem,

e, ainda bem, que algumas boas;

no lançamento de conteúdos coloquei uma sondagem à turmas - via página fechada do facebook);

entre as diferentes questões colocadas uma era aparentemente simples,

somos, nós, os portugueses, ótimista ou pessimistas?

imaginam a resposta?

de todos os que responderam mais de 80% afirmou que somos... ótimistas;

para mim foi surpresa; boa...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

obrigado professor

lembro-me da maior parte dos meus professores, de muitos deles;

desde a então escola primária, a minha professora Gertrudes Caeiro, de quem levei reguadas até mais não,

de muitos dos professores do 2º ciclo, apesar de não recordar os seus nomes,

daqueles que me acompanharam no 3º e que prolongaram pelo secundário, César Cardoso, Cândida Pinto, o Zé Grandela, Madalena Pimental, Celeste Carvalhal, João Leitão (foi meu professor no 2CEB, de educação física, e no secundário, de História), a Maria, Vitor Caeiro,

ou e por que me marcaram na escolha que fiz de vida em seguir História, Afonso Henriques Carvalho ou Celestino David,

há uns quantos mais que recordo com saudade e carinho, mas que não lembro o nome;

ena tantos que me aturaram; e sei que não fui fácil de aturar;

todos eles me marcaram, cada qual com as suas caraterísticas, com a sua pessoa, com as suas disciplinas, com a sua forma de ensinar;

mas há um que digo à boca cheia que foi o professor que mais me marcou, de quem tenho mais saudades, que recordo com emoção, de quem repito adizeres e lugares comuns da escola e do ensinar;

conheci-o no meu primeiro ano da universidade de évora, marcou-me a ferro e fogo para sempre,

José Nascimento Dias Sena; 

obrigado professor

terça-feira, 4 de outubro de 2016

trabalhar na sala de aula

trabalho com base na metodologia de projeto;

é apresentado um tema, definida uma questão de orientação e há que organizar o trabalho;

uma das dificuldades que tenho sentido é convencer os alunos que é na sala de aula que se trabalha, que se desenvolvem as tarefas;

a centralidade é toda do aluno - não faço exposição de conteúdos, nem de matéria; é o aluno, em grupo, que se organiza para responder àquela que foi a questão de orientação;

fora da sala de aula, seja em casa ou noutro qualquer lugar, é para outras coisas;

mas considero engraçado que fora das "aulas" ditas de grupo, tipo visual ou tecnológica, o pessoal não considera a sala de aula como local de trabalho;

é difícil, mas eu sou teimoso...

sobre a vontade

tenho de reconhecer que, de quando em vez, fico sem vontadinha nenhuma de escrever;

nem por aqui nem por lado nenhum;

fico sem saber se é falta de ideias, ausência de motivos ou inexistência de pretextos, ou uma qualquer simplicidade decorrente do cansaço;

será faltas de ideias, de temas, de assunto que possa trazer para este canto?

nem sei

sei que às vezes não tenho vontadinha nenhuma de escrever...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

obrigatoriedade interessante

as escolas, muito por via dos programas de promoção do sucesso, estão "obrigadas" a formação;

coisa interessante, pelo menos calhou-me a organização de uma ação que se organiza para entre janeiro e maio;

há obrigatoriedades que, de outro modo, passariam ao lado;


por aí

noto na minha escola e por aí (o que me preocupa mais) um certo cansaço;

as conversas, o estado de espírito, a paciência está num ponto que mais parece que estamos no final do ano letivo e não apenas na sua terceira semana;

direi que é preocupante, pois as dinâmicas de aulas e de escola requerem paciência, disponibilidade;

não acredito em cansaço, direi que é mais um desânimo, uma certa despaixão, um esmorecimento de sentimentos e afetos;

continuam muitos a dizer que o melhor são os alunos e as aulas, muitos apenas para se iludirem disso mesmo, do stresse de turmas e de alunos muitas vezes desinteressados, alheados, indiferentes;

só mesmo para o profe é que ainda existe algum ânimo nas aulas, no aluno, mas, para uma relação, são preciso pelo menos dois e tem faltado um...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

das notícias

ele há com cada descoberta e cada notícia que torna o meu quotidiano muito mais assertivo;

mas esta ideia, mais que os dados em si, remetem para o pensamento dos professores, para modelos, ideias e ideologias de uma prática pedagógica que é deveras complexa, quanto complicadinha;

há docentes que continuam a acreditar que não reprovar um aluno é por facilitismo; que o rigor, a exigência na taxa de chumbos, de notas negativas;

que reprovando o pessoal se torna mais responsável, compenetrado, como uma bofetada que não se volta a repetir;

o que a notícia dá conta é das diferentes formas de se olhar
uma prática pedagógica
tantas vezes arreigada, entranhada em nós, subcutânea, como a transpiração - e, perante isso batatas...

sobre a tecnologia

mais um apontamento a reforçar a caraterização, descrição ou os sentimentos que perpassam pela escola portuguesa;

a tecnologia não é, em si mesma, solução para nada nem para coisa nenhuma; pelo menos a tecnologia digital; a tecnologia é um meio e não um fim em si mesma;

passar do mapa para o retroprojetor, desde para o projetor de "slides" e deste para o powerpoint e agora para os prezi ou emaze diz muito de quem utiliza o instrumento, mas os visados continuam arredados do processo;

esta tecnologia mantém a centralidade da ação educativa no professor remetendo ao aluno um papel passivo, de submissão, de espetador, distante da ação;

essencialmente direi eu que a tecnologia que precisa de mudar é a da organização escolar e pedagógica do trabalho do professor - ensinar a muitos como se de um só se tratasse, em ritmos sequenciais (diários por disciplinas, anuais por níveis ou ciclos);

não é panaceia nem receita (muito menos milagrosa) mas experimente-se a alterar;

domingo, 25 de setembro de 2016

projeto educativo ou projeto pedagógico

as agregações vieram dar cabo dos poucos projetos educativos (ou pedagógicos) que por aí existiam;

ao juntar escolas e ao obrigar à seleção de novos elementos da gestão desbarataram-se aqueles que conheciam um contexto, que habitualmente (mesmo por questões de hábito) criavam relações entre os recursos que tinham pela frente e os problemas que se identificavam;

podia existir um projeto educativo limitado ao papel, mas existia pelo menos uma ideia de projeto pedagógico na cabeça daquele/a diretor/a;

era o líder, por reconhecimento ou por teimosia definida pelo tempo - aqueles que se eternizam no poder - que definiam o projeto pedagógico de uma escola, que permitia que se identificasse com ele, que permitia atribuir coerência ao que cada professor fazia, definia o papel do aluno ou as funções de pai/encarregado de educação;

bem ou mal, melhor ou pior, um/a diretor/a conhecia a sua escola, os seus problemas, era-lhe fácil definir (o que ainda hoje vigora mas já não rende) o perfil daqueles que se adaptavam a uma ou outra situação, respondiam e geriam este ou aquele problema;

juntar duas escolas, por muito incrível que possa parecer, mesmo que tivessem apenas uma rede a separá-las, foi juntar culturas diferentes, ambientes diferentes, climas diferentes, estratégias diferentes, pessoas diferentes - em síntese, uma história diferente;

agregar escolas aumentou o número de variáveis da gestão mas os gestores mantiveram as mesmas estratégias; neste momento está cada um para seu lado, isolados, distantes, salve-se quem puder, lei do desenrasca a definir limites;

hoje os professores são alvos fáceis, patos sentados à espera de tiro (ou dos pais/encarregados de educação, de alunos ou de colegas, ou do/a diretor/a);

neste momento, pelo que vejo em redor, são poucas, muito poucas, aquelas que apresentam uma estratégia (coerente, consistente) de criação de novos climas e outras culturas de escola;

não há nem projeto educativo
(pelo que analiso naqueles que estão disponíveis são vazios de sentido, raramente apresentam critérios de ação ou, os que apresentam, são muito limitados, os objetivos têm contorno pedagógico, mas para inspeção ver, por vezes são replicados de projetos anteriores, imbuídos de intenções mas que aparentam difícil articulação com a prática de sala de aula);

nem projeto pedagógico
o/as diretore/as sentem manifestas dificuldades em passar de uma gestão de proximidade, como a que foi caraterística do antigamente, para uma gestão que tem de ser assumidamente partilhada e distante, colegial e de monitorização;

resultado, não há sentidos comuns, há trabalho coletivo feito por cada um; mesmo que por vezes existam tentativas individuais de responder a problemas (de aprendizagem, de sucesso, de comportamento, de contexto e de cultura de escola) desvanece-se na individualidade; é como se tivéssemos 11 Cristianos Ronaldos na mesma equipa; não dá;

mas não me fico pela moenga;

começo por dizer, simplesmente que há que ter tomates para assumir os desafios - e aqui o papel das lideranças que não temos nem se adaptaram a novos contextos, não perspetivam novas realidades, ainda não acordaram para outras dinâmicas;

isto é, não se pode agir, nem decidir com base no medo (no medo das conformidades, no medo da inspeção, no medo dos resultados, no medo das considerações dos pais/encarregados de educação, no medo disto e daquilo ou do simples papão);

para que se evite o medo, criem-se parcerias dinâmicas, envolvam-se parceiros locais de sempre, cumpram-se os objetivos dos órgãos (conselho pedagógico, conselho geral) criem-se equipas de monitorização, acompanhamento, avaliação, co responsabilizando e envolvendo;

desconcentrem-se processos, deleguem-se responsabilidades, envolvam-se as pessoas, assumam-se os cargos com outra dinâmica; repensem-se modelos de organização e gestão do trabalho dos professores, dos tempos letivos, da distribuição de alunos, de respostas de apoio;

errou-se, corrija-se; acertou-se, aprofunde-se, flexibilizem-se modelos curriculares, considerem-se outros processos; identifique-se um ponto de arranque; definam-se critérios, regras, evite-se a descricionariedade e a arbitrariedade - tenham eles na base a tradição ou a legislação ou o medo,

sem medo, porque o que sempre foi assim não resulta,

precisamos de ousadia, de novas vontades, novas lideranças - inteligentes, mobilizadoras, partilhadas; sem medo...

sábado, 24 de setembro de 2016

o desafio

considero crucial, determinante, fundamental o desafio da escola e dos professores:

implicar e envolver o aluno no seu trabalho escolar;

não há volta a dar, enquanto não determinar uma forma de implicar e envolver o aluno no seu trabalho a coisa não resulta, não há resultados e há indiferença, alheamento, indisciplina e etc...

a semana que terminou comecei a trabalhar com base na metodologia de projeto; uma questão de orientação e um prazo e uma proposta;

há efetivamente quem se atire de cabeça (foi um bom grupo que me permite perspetivar algum sucesso);
há quem fique à espera de orientações, de ordens (a anomia é terrífica em concelho muito marcado pelas hierarquias sociais definidas pela posse e exploração da terra) mas não impede o avanço, não se rende, avança
e há quem positivamente nada faça, queira impedir os outros de trabalhar, que arroga companhia e distração, que nada traz para a sala (sequer um caderno, uma folha);

a estes últimos como implicar e envolver no seu próprio trabalho?
como orientar e apoiar o aluno que pura e simplesmente não quer? não o posso mandar embora, por muita vontade que sinta, o aluno não sabe, num perspetiva o seu futuro, como fazer?como proceder?

implicar e envolver o aluno é o grande desafio dos professores

será abuso

se disser que, nos tempos que correm, poucos, muito poucos, se é que existam, gostam da escola?

as notícias voltam ao tema; estudos de estudiosos confirmam sentimentos, estados de espírito, direi mesmo, estados de alma, climas de escola;

se os estudos forem honestos e eu acredito que o sejam, então limitar-se-ão a reproduzir, a dar corpo ao que se ouve nas salas de professores, no que os alunos dão conta em sala de aula e os encarregados de educação nem percebem o que se passa;

continuo a afirmar que estou na profissão que escolhi, que a considero um enorme desafio, que me continuo a sentir atraído por aquilo que faço e espicaçado para o fazer mais e melhor;

mas, e não falo por ninguém, de quando em vez, questiono-me se ainda sinto aquela paixão, coloco em causa se aquilo que sinto é um gosto ou a memória do que sempre considerei gostar, questiono-me sobre que circunstâncias levam a perpassar por mim, de quando em vez, não será mesmo fartura, cansaço ou mera desilusão;

e acredito que a tendência será de agravamento;

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

da conversa

estes apontamentos de notícia, são ótimas oportunidades para que, na escola, se fale, se converse, se debata a escola;

no meu cantinho é um bom momento para que se equacionem outros modos, que existem outras formas de fazer o mesmo, outras realidades, outra organização;

valha-nos isso;

que escola temos? que escola queremos?

Grande reportagem da sic e conversa na sic noticias;

não quero ser mauzinho, considero que a reportagem foi correta, honesta e dá conta de uma realidade,

como também não devo descair para o lugar comum dos profes que afirmam que a minha é sempre pior que a tua, o meu mundo é pior que o teu, que aquele outro é melhor que o meu;

mas não posso deixar de comentar que se batem nas vulgaridades, nos pré conceito, nos estereótipos sobre a escola, sobre os profes, sobre os alunos;

bate-se na imagem mais "tradicional", conservadora sobre o lugar de cada um, definido, demarcado, concreto, sequencial;

vale por uma tentativa de mostrar aos outros o que fazemos, o que acontece numa sala de aula, o que é uma dinâmica de escola;

na conversa posterior tenho de confessar, gostei mesmo de ouvir as curtas palavras do secretário de estado;

importante a referência e a aceitação (quanto a integração) do muito que por aí se faz - que varia, e muito, entre conformidades e criatividades, manutenção e inovação, tradição e mudança, não sabendo, muitas vezes, onde começa e/ou acaba uns e outros;

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

e começou

o trabalho à séria;

depois das apresentações, depois de conversas, depois das linhas com que nos cozemos, vá de lançar a primeira bisca;

afinal para que serviu o º ano; o que ficou dele?

uma questão de orientação que, em face dos impactos, divido em dois contextos;

um, de enquadrados, assumiram e arrancaram; gostei mesmo de ouvir explicações dadas por colegas a colegas; gostei das considerações (algumas negativas) tecidas;

outros que ficaram a tentar perceber; entre liberdade e orientação, enquadramento e rumo, há quem pense, afinal, o que é isto?

agora é trabalho à séria;

primeiras "impressões", gostei;

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

conversa

é só conversa

noto tanto que falta conversa nas escolas;

há muito que, por opções de políticas educativas, de diatribes de diretores ou simplesmente para que se evitem moengas e se popupe tempo, que não se fala, não se conversa, não se trocam para além de dois dedos de conversa, o mais das vezes circunstancial e circunscrita ora à sala de professores ora a conselhos de turma sempre de fugida, rapidinhos;

e fica a faltar conversar, ouvir o outro, escutar outros pontos de vista, trocar ideias entre pessoas que, apesar de terem a mesma profissão por vezes são tão diferentes quanto o dia e a noite;

não se fala, para além do estritamente obrigatório, e tanta coisa fica por resolver;

é só conversa, e não se fala...

algum espanto

foi o que senti depois de ver uma aluna que desde janeiro passado que não vinha à escola, pretensamente teria ido para uma outra;

afinal, estava ali à minha frente, a esticar-me o rosto para troca de beijos, a perguntar se nos encontramos na próxima terça feira em tribunal, por via do processo de abandono, que este ano é que era;

espanto, surpresa;

não são más pessoas, são cordatos, dentro da sua rudeza têm educação, mas andam desorientados, por vezes iludidos em sonhos ou meras efabulações;

a escola precisava de ter outros recursos, outras condições para conseguir dar resposta de apoio escolar, pedagógico, mas também social, pessoal e não dá;

ganham-se números, perdem-se pessoas; e na juventude, pelas escolas, perdem-se em excesso pessoas que podiam ter um outro enquadramento;

terça-feira, 20 de setembro de 2016

da saúde mental

estava para ter uma outra designação, este meu post;

ao entrar, no feed, dei com a peça a saúde mental dos jovens, do zé morgado e não resisti;

por que é mesmo de saúde mental que se trata;

13h30, sala de professores do AE por onde ando;

entra uma colega perfeitamente desorientada, quase que "desaustinada", ao qual, quem estava, quase que em coro, pergunta, mas o que se passou P.;

uma turma de homogeneidade relativa, um CEF, cujo resultado foi um processo de autêntica depuração negativa de turmas de 3º ciclo, juntos, ao molho e claramente sem fé em nada, nem em coisa nenhuma;

a colega dá conta do alvoroço, da algazarra, da desconsideração, do não reconhecimento nem a uma das chefes; da impossibilidade e incapacidade de se fazer o que seja;

um conselho de turma deixado a si, ao salve-se quem puder, acrescido de diatribes de planificações, gralhas e coisas que tal que ninguém utiliza, que para nada servem, que em nada se adequam àquele grupo (direi, àquele molho de pretensa gente);

qual a sua justificação? que homogeneidade esta? que papel aos diretores que optam por estes caminhos, aos conselhos de turma que com eles lidam, aos professores que com eles não conseguem trabalhar?

não tenho dúvida que ou existirá um equilíbrio (não sei a que custo e/ou que valor) ou existirão problemas de saúde mental dos professores;

requere-se uma outra organização escolar e pedagógica, um outro acompanhamento e enquadramento de docentes nestes conselhos de turma, uma outra flexibilidade administrativa, um outro rigor pedagógico;

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

chumbo no Alentejo

e não se trata de caça, por muito que queiram tornar isto uma qualquer coutada, de uns quantos, de alguns;

o público de sexta feira passada deu conta da estatística do (in)sucesso referente ao ano letivo de 2014/2015, onde se destaca que o Alentejo ocupa a parte final das tabelas;

será sina? somos mesmo burros ou apenas a escola não faz compensações entre cultura social regional (pouco valorizadora da escola) e cultura escolar?

em termos de análise destaco diferentes ideias.

as escolas do Alentejo são ainda muito marcadas pela instabilidade docente; perante a flutuação do corpo docente podem ser apontadas situações referentes ao (des) conhecimento do contexto, às relações estabelecidas entre o local e a escola;

por aquilo que consigo perceber da minha prática profissional ou das leituras que faço, existe, por parte das famílias, reconhecimento social da escola; isto é, a generalidade das famílias reconhece à escola e aos professores papel fundamental na alteração social e económica de cada um.

é certo que é mais evidente nos níveis iniciais de escolarização e que se desvanece à medida que a escolaridade avança; aqui competiria à escola criar diferença; e, aparentemente, não cria.

As lideranças escolares são, de um modo geral, estáveis pelas diferentes escolas e agrupamentos do Alentejo. Não direi que se perpetuam mas distem-se no tempo; tem coisas boas, permitem conhecer dinâmicas e realidades, adatar estratégias e diversificar soluções; tem coisas más, tornam-se rígidas, desresponsabilizam-se da sua ação e comparticipação;

o que fazer? o que se faz para compensar os resultados?

sábado, 17 de setembro de 2016

LIke ou não?

experiência escolar e eventualmente pedagógica;

comecei por perguntar quem não tinha página no facebook,

ninguém se manifestou; obviamente que toda a minha gente tem página no facebook, pergunta mais parva;

então, dei conta de página fechada no facebook, sobre as aulas, materiais, complementos, questões, comentários, observações, imagens, ...

seria interessante subscrever, é à vontade do freguês;

para partilhar ideias e opiniões, para trocar ideias, deixar comentários, pôr likes e coisas que tal;

uma pergunta da plateia de alunos,

o professor tem facebook?, cara carregada de admiração; afinal o cota tem facebook??

é verdade, o pessoal já nasceu assim, a temporalidade para esta gente é coisa que não existe; sempre foi assim, "prontos"...

depois uma espécie de admiração - que ainda não sei se intromissão;

afinal, o facebook também serve para escola

ou

porra até a escola já está no facebook


regressos

no regresso vêm sempre diferentes;

ontem recebi duas turmas nas antípodas, uma interessada, que sabe que o futuro passa pela escola, apesar de não saber qual o futuro nem qual o interesse;

outra, desinteressados, desligados, com cultura distante da escola, quando não mesmo em divergência;

estes últimos estiveram diferentes do ano anterior, aparentemente, para arranque uma outra vontade, uma outra aparente predisposição; penso para os botões se nuvem passageira ou entrada de estação; a ver vamos;

os outros, mais à vontade, mais soltos, mais ruidosos, com necessidade de serem chamados à atenção, mais implicados e envolvidos, como se o espaço fosse o seu, natural, descontraídos;

para quê as expetativas? é um re começo é (quase) sempre diferente, pelas experiências adquiridas, pelo crescer, pelo sedimentar de atitudes e pensamentos;

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